Novidade

Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
Para TODOS os fãs de telenovelas Brasileiras e Portuguesas espalhados pelo mundo.
Portuguese blog about Brasilian/Portuguese tv soaps for fans all over the world.

email desactivado por google devido a spam
alternativa: novelas para recordar npr arroba gmail.com

Mostrar mensagens com a etiqueta personagens. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta personagens. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 3 de março de 2025

O que está ruim em "Mania de Você"

São os FACILITISMOS no enredo que arruínam a novela "Mania de Você".

Muito criticada negativamente nos media, afinal de contas, quais são os desacertos e acertos desta trama de João Emanuel Carneiro?

Na minha opinião, o problema maior são os FACILITISMOS irrealistas do texto. 

Temos duas pessoas extremamente inteligentes - Mavi e Mércia - que conseguem se suplantar em esquemas. Fogem de serem acusados de crimes e quando um pensa que pode pegar o outro, o outro dá a volta por cima. Mércia é tão esperta que usa um celular descartável para cada contato que faz com o seu parceiro misterioso. É vê-la usar e deitar fora o celular ora para dentro do mar, ora para fora do carro, ora no chão. Mas quando chega a parte final da trama onde é que os "mocinhos" vão encontrar a pista que vai desvendar todo o segredo?

No caixote de lixo de Mércia. Tão inteligente esta se tem mostrado e agora convenientemente vai deixar a pista mais vital de todas no caixote de lixo do quarto lá de casa: um endereço na suiça! Sabendo ela tão bem que todos desconfiam dela e nada ali é seguro. 

É inverosímel, não bate com a personalidade da personagem. Para começar, porque haveria Mércia de escrever numa folha de papel o endereço do seu comparsa, o fake Julius Werner? E para quê rasgá-lo? Convenientemente para a história se finalizar, esse pedaço de papel rasgado em duas partes é colocado no cestinho de lixo lá de casa. Esta turminha - Mércia, Mavi e Luma - está mais que habituada á prática de espionagem de alto nível.  Mantém um escritório de cameras de vigilância, drones, microfones, cameras, GPS, são hackers... conseguindo espionar todas as casas ao redor e rastrear pessoas a conduzir um veículo através de cameras de rua. Os comportamentos de eliminação de rastro que advém de tal vivência já lhes são naturais. Jamais ela ia deixar um DOCUMENDO a dar "sopa". Menos ainda localizado no "ninho de cobras" que é a sua casa. E vai ser um papelinho no caixote??? Mércia, que já tinha sido localizada pelo menos DUAS vezes devido a meterem um rasteador na sua bolsa...  ia mesmo deixar uma pista FULCRAL no quarto, a dar bandeira. 

Claro que não tem qualquer credibilidade. Isso e depois, quando vão ao endereço, convenientemente os deixarem entrar na sala e aparecer porta retratos com o rosto de Molina. 

Outras inverosimilhanças relacionadas com Mércia é, por exemplo, o seu comportamento durante o casamento com Voney (Paulo Rocha). 


Mércia sempre soube que o objectivo do amante era sacar-lhe informações sobre Mavi. E vimos, muitas vezes, durante uma refeição, o gajo a tentar fazer isso mesmo. De forma muito inteligente e indireta, Volney estava sempre a tentar que Mércia deixasse escapar algo, ou fizesse um comentário. Nunca resultou. Até que chegou o momento no guião em que o moço tinha de se encrencar então, subitamente, Mércia começa a alimentá-lo de informação sobre Mavi. E não foi de propósito. Foi mesmo ela que, subitamente mas mais por conveniência no script "virou" burra e desleixada. 

Tal deslize não faria parte da personalidade de Mércia. Se em um ano de casamento ela não cometeu nenhuma gafe, não ia ser naquele instante. Ainda mais, deixa-se seguir por este. Por estes exemplos - e são muitos, a credibilidade que o público quer sentir da trama simplesmente não se sustenta. 

MORTES 

Coitada da família Caiçara. Morre todinha nesta trama. Os "bonzinhos" foram todos parar sete palmos abaixo de terra. Uma família inteira de três: Tia e dois sobrinhos, não sobrou nenhum para permanecer na história. 



O mocinho, o par romântico da heroína, morre assassinado. 

A mocinha, que também se julgou morta após a queda do helicóptero onde seguia, afinal estava viva e em plena saúde. Mas devo dizer que, pessoalmente, quando a sua personagem se ausentou da trama, não fez FALTA ALGUMA. 


MAIS CRÍTICAS

Uma das críticas mais mencionadas é a falta de presença, carisma e até de talento da mocinha. Tenho de concordar. Simplesmente não cola. Se o objetivo era manter no papel principal uma pessoa de cor negra - porque o politicamente correto hoje assim obriga a esta coisa que soa a algo peçonhento, feio, errado...  existem MUITAS BOAS ATRIZES que poderiam ter agarrado esse papel e tê-lo feito prosperar. Mas creio que não foi o caso da pessoa que acabou levando o papel. Me desculpem mas se tirarem esta personagem da novela, não ia sentir a menor falta. Mesmo sendo protagonista. NADA. 

Também inverosímil é toda a forma como as restantes personagens se relacionam com a mocinha. Parece que no guião, esta deveria ser dotada de "super poderes de magnetismo pessoal" - pois assim que perde tudo, aparece num bairro pobre, é "acolhida" por um bando de crianças que não têm o que comer, e, de imediato, torna-se a "dona" do pedaço. Admirada e respeitada por todos. Para isto soar a autêntico, a atuação e presença do ator tem de ser muito boa. A história também. 

Contudo, aqui tudo é forçado, não dá para acreditar nem por alguns minutos que sim, aquilo tem probabilidades de acontecer. Chega uma estranha a um sítio e torna-se a "Mary Poppins" do local. "Encantando" todos com a sua força e dotada de um milagroso dote culinário. Logo se torna a "salvadora" daqueles pobres miúdos que sobrevivem com muita dificuldade, contudo, surgem super bem arranjados e a morar num sítio colorido e super bacana. Não dá, né?

Luma, que fica com o restaurante da mocinha, subitamente perde clientes uns atrás dos outros... como se fosse péssima cozinheira, assim como o devem ser todos os restantes que trabalham naquela cozinha. De "melhor restaurante da América Latina" e nas mãos da mesma equipa mas com outro chef, passa a NADA. Isso também não tem credibilidade. Podia até diminuir em número de clientes mas sugerir que Luma, que estudou e sempre foi apontada como boa na cozinha (embora não tão boa quanto Viola) subitamente não consegue cozinhar nada de jeito é... inverosímil. 


DESTAQUE AOS BONS:

Os media praticamente são unânimes ao dizer que Chay Suede (Mavi) "carregou a novela às costas". Bom, eu não concordo não. Porque uma novela se faz com um grande número de pessoas e para ter contracena, o ator precisa de um outro ator. Claro que concordo que o ator deu monólogos incríveis, principalmente porque consegue sacar bem o seu personagem e, sem dúvida, brindou o público com uma interpretação sublime e rica em variações de emoções. O "Mavi" de Suede é credível. Super credível. Não importanto as mudanças radicais ou extremas que pudessem ficar decididas no guião - o ator conseguiu manter um fio condutor. 


Gostei também muito de ver Iberê (Jaffar Bambirra), acho que foi uma boa interpretação num papel mais secundário. Ainda que tenham quase destruido a personagem quando o tornaram exageradamente "bonzinho", ao ponto de assumir não apenas um filho mas querer se juntar à mãe deste. Uma pessoa que não amou e com quem, provavelmente, teve alguns encontros sexuais e só. Subitamente, anuncia-se como pai da criança e quer colocar um anel de casamento no dedo da progenitora. SEM SENTIDO, já que não existiu qualquer indicação de que os dois se amaram de verdade. 


A destacar também a prestação de Agatha Moreira como Luma. Ela, que estou a ver loira e patricinha em Terra e Paixão, não me passa nem um vestígio da imagem dessa personagem. Dentro das muitas mudanças que a sua personagem também teve - de mocinha a vilã e de volta a mocinha, ficando ali na corda bamba, acaba por nos brindar com uma figura feminina forte, perspicaz, inteligente, lutadora e... verosímil.  

O mocinho que termina assassinado (Nicolas Prattes) também não teve uma cartada fácil de carregar mas devo dizer que gostei da prestação do ator. Acho injusto dizer que não esteve à altura porque, daquilo que lhe entregaram, acho que ele também fez certinho. 

Critica à caracterização: 
Aqueles cabelos falsos... nossa, que foleiros. O excesso capilar em cada cabecinha... Será que não mais vai existir uma novela Global que não coloque os atores com este ar artificial, que de imediato grita que  "algo está mal e estranho"? 

 



Read more...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Por Amor 25 anos depois: O que aconteceu às personagens?

 Vinte e cinco anos se passaram desde que a novela Por Amor foi para o ar. Facto que não é relevante para o assunto que vou abordar. Afinal, quantos anos tem o quadro da Mona Lisa? Os Lusíadas foram escritos há quanto tempo? Alguém conta?

O exercício interessante de se fazer é tentar adivinhar o RUMO que as personagens seguiram passados todo este tempo. Marcelinho - um dos bebés da história, já está homem feito, pronto para casar. E Eduarda, será a mãe babosa a ver o filho a subir ao altar e a ganhar o estatuto de "sogra". 

Vamos imaginar a vida de algumas personagens?


Marcelo e Eduarda:

Vivem juntos. Muito amadurecidos e confiantes um no outro. Ela forte, fortaleza. Ele amando mas com problemas de fígado. Que um dia lhe ditará o abrandar nos negócios. Os dois acabaram por ter mais uma criança - fruto de barriga de aluguer. Pouco depois adoptaram outra, cuja história trágica de como veio a ser órfã os impressionou. Consideram "Marcelinho" como um filho. O casal acabou por criar os filhos de Marcelo com Laura e Eduarda é tratada e amada como mãe de sangue. Trajano e Meg continuam muito presentes e são avós babados mas souberam abdicar da criação dos bebés com exclusividade. 

Helena e Atílio:
Vivem juntos. Criaram Marcelinho como o filho que sempre mereceram ter por perto. Souberam partilhar o afecto com Marcelo e Eduarda mas se tornaram os pais legítimos. Helena teve de enfrentar o escrutínio legal das suas acções o que fez com estoísmo. 


Marcelinho:

É um estudioso de arte e vive mais em Itália do que no Brasil. Ganhou do pai o gosto por mulheres, pelos prazeres da mesa, da carne e da arte. Muito boémio e bon-vivant. Mas por vezes é confundido. 


Rodrigo:
Fez carreira no cinema mas nunca produziu uma obra marcante. Vive dividido entre assumir o seu gosto por mulheres e por homens ao mesmo tempo. 

Irmã de Rodrigo: 

Foi estudar no exterior e se deu bem. Casou com um homem de boa posição social e reproduziu a harmonia no lar que presenciou no casamento dos pais na grande parte da sua duração. 



Milena e Nando:

Não sei porquê mas quero estes dois separados. Afinal, não há alegria que dure para sempre. Prevejo que Nando sofreu uma fatalidade súbita e inesperada e veio a falecer. Milena é agora viúva de marido muito amado. Como será que ela vai lidar com as emoções dessa perda? Infelizmente o casal nunca chegou a ter filhos. Nando não os podia gerar e o casal ficou de adoptar crianças mas não chegou a vias de facto. Quer dizer, chegaram a ter uma menina por uns tempos. Mas existiram complicações e acabaram por a perder o que os tornou relutantes em enveredar novamente nesse processo. 

Sandrinha:
Não sei que destino dar... parece-me mais provável que tenha aprendido alguma coisa da profissão da mãe e assumido o salão desta. Ficando ali mesmo, pelo bairro onde cresceu. Continua melhor amiga da sua amiga de infância. Mesmo esta tendo-se mudado para longe, outro país, o contacto é mantido ocasionalmente.


Orestes e esposa:

Orestes faleceu. Mas Lídia continua viva. Incapacitada de se movimentar devido a problemas de saúde. Vive na parte de cima do salão, cuidada pela filha, nora e antes disso, filho. Ficou devastada com a morte de Nando e teve um enfarte, o que a tornou incapaz de continuar a exercer a profissão na velhice até mesmo incapaz de falar claramente. Prefere o silêncio. Vive a querer esquecer a vida, a amargura, os arrependimentos, a sua condição física tão limitada e dependente. É frequentemente visitada por Milena mas a perda que ambas sentiram faz com que esses encontros fiquem mais raros.

Sandrinha dedica todo o tempo a trabalhar duro como viu a mãe fazer e não se casou com nenhum dos muitos namorados. Não vê uma relação de casamento como o seu objectivo, já que casou cedo e cedo se divorciou de marido que se verificou um aldrabão que a roubou e abandonou. Daí adiante ficou mais parecida com a mãe e como principal cuidadora desta, divide o seu tempo entre o salão e os cuidados com a mãe inválida.

Milena faz ocasionais viagens mas de pouco adianta. Vai tendo relacionamentos fugazes e procura um "Nando" em todos os cantos. Vai acabar por se deixar seduzir por um jovem de 26 anos que conhece em Angra e em tudo a faz lembrar o seu jovem amor que virou seu marido. Ela não vai resistir ao jovem playboy e vai dar em cima dele, se deixando usar.


Gostaram destes enredos?
Que mais história iam inventar?


Read more...

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Primeiras impressões da primeira semana de AMOR à VIDA


Parece-me que a novela "Amor à Vida" não vai chegar aos pés do sucesso da sua antecessora "Avenida Brasil". Já vou expor as razões mas se usaram a estratégia de tentar colar a imagem desta novela ao sucesso de Avenida Brasil e até comparar um vilão a outro baptizando-o de "Carminha de calças", então vão ter de se aguentar até ao fim com as comparações e os resultados.

O que não gosto desta novela já disse: é a cor. Não sei se lhe chamam "cor de cinema", película especial mas é algo que torna todas as cenas mais cansativas e gastas. Uma imagem azul é o que me aparece nas gravações antigas com mais de 20 anos quando coloco uma VHS a dar... Numa produção actual quero cores vibrantes e muita vida.

O genérico é muito pobre. As aberturas das novelas também influenciam a forma como o público se lembra das tramas. Dificilmente alguém mais esquece as aberturas de "Tieta", de "Mulheres de Areia", "Vamp", "Avenida Brasil", "Renascer", "Selva de Pedra", "O Sexo dos Anjos", "Perigosas Peruas" e a minha de sempre favorita  "Deus nos Acuda". Mas esta de Amor à vida enquanto está a passar na TV já está a ser esquecida.

Depois tem a melodia. Esta conta muito para "agarrar" o espectador e a da novela Amor à Vida não pega. Cai naquela erro terrível e insuportável de repetir três vezes a palavra "vida". Irra, que é coisa chata p'ra caramba! Tem os mesmos defeitos que "A vida da gente" no que respeita a música e a título. "Amor à Vida" é um título banal. Sei que quero espreitar a novela mas nunca recordo o nome que tem. Esforço-me para que me venha à cabeça. Com tanta importância que dão não entendo porque os detentores de opinião escolhem sempre uma combinação de títulos com apenas as mesmas palavras-chave: "Amor, vida". Esta decidiu juntar as duas.

A escalagem dos actores também é uma lotaria. O ator que faz de Félix não me surpreende. Já tinha reparado que tinha força para carregar grandes personagens. Mas outros estão ainda um pouco "crus" ou então meio deslocados para o papel.

MAS TEM também a história. E aqui sinto que existem tantos mistérios no ar que podem dar para um lado tanto como para o outro. E é isso - a trama, que me prende. Embora não tenha paciência para esperar muito tempo pelos desfechos que já conhecemos ocorrerem com as personagens, os mistérios relacionados com o parentesco de PALOMA e os actos do pai de FÉLIX que me cheiram que ainda vão chocar, mantêm-me, por enquanto, a espreitar a novela.

Read more...

terça-feira, 23 de abril de 2013

As personagens com as quais sonhamos ser nas novelas

Acho que é normal, no sub-consciente (ou nem tanto), quando as pessoas assistem a uma novela, terem personagens preferidas ora porque os actores são lindos, ou porque a personagem é maravilhosa, ou porque se identificam ou gostavam e ser como aquela «pessoa».

Se é verdade que nunca ninguém se revê no bandido, todos se gostam de rever nas «mocinhas» e mocinhos, nas heroínas romanticas e sofridas. Enquanto na adolescência, os jovens casais das novelas captam a atenção e fantasia dos jovens que os assistem, assim como provavelmente os casais mais maduros captam a atenção dos casais mais maduros. Cada qual fantasia um pouco. "Acho que eu sou um pouco assim" - pensam para si mesmos.

Ora, já alguém parou para pensar QUEM realmente seria numa personagem de novela? Vou buscar como exemplo Avenida Brasil. Todos gostariam de ser o Tufão, grande jogador de bola, ricaço a viver às custas do dinheiro amealhado, mas aposto que ninguém se revê nele por ser um grande chifrudo. Logo, não escolheriam essa personagem para se identificarem com ela. Talvez escolheriam Jorginho, mas mais uma vez, por ser jogador de futebol e um rapaz que pega todas e que se dá com todos. Mas o lado da maluqueira dele aposto que dispensavam. 

Na vida real, digo eu, se calhar é esse lado «relegado» e pouco atraente das personagens ficcionais aquele que se aproxima mais da pessoa comum. O homem que leva o chifre da mulher ( e que também dá), o rapaz doidinho da cabeça que tem todas as miúdas atrás dele achando que aquele tipo «problemático» é deveras atraente mas depois se cansam...

É surpreendente perceber quem «somos» nas novelas que assistimos. Por vezes não somos quem gostariamos ser. Não somos os personagens principais e sim, coadjuvantes. Não somos os mais jovens, somos mais velhos, ou não somos tão velhos, somos crianças. Gostava de colocar o DESAFIO de me dizerem que personagens acham que são e em que novelas. E pensem nas que preferiam ser. Experimentem e depois, contem tudo!

Read more...

sábado, 29 de setembro de 2012

Avenida Brasil - primeiras impressões

Estou a gostar dos primeiros episódios da novela "Avenida Brasil". Mas sempre se encontram coisinhas a apontar. Uma delas é o quanto é pouco credível que não existam vizinhos e conhecidos numa rua familiar, onde a família de Genésio morou a vida toda. Conveniente é para a trama, pois assim não existem testemunhas ou intrometidos que possam desmascarar as mentiras da vilã. A menina Rita grita por socorro ao ser arrastada para o carro que a vai levar para a lixeira e não tem um único vizinho para a socorrer. Porque eles não existem! Nem um velhote, outra criança, um intrometido... nada.

Outra coisa que ficou um pouquinho mal foi ver Tufão (Murilo  Benício) como grande jogador de futebol a golear ostentando uma barriguinha de respeito. Julgo que a "blubber" até ondulou em câmera lenta. Existem cintas bem apertadinhas que o impedem, as mulheres sabem bem isso. É o mínimo que podiam ter feito... Percebe-se que a idade dos protagonistas nesta fase ultrapassa largamente a que era suposto terem (Tufão deve andar na casa dos vinte, não dos 40, «Max» também...) mas como a trama vai avançar até a criança virar maior de idade, compreendo que usem já os actores que vão ficar com as personagens nessa fase mais adulta. Mas aposto que os pais de Tufão não vão envelhecer 20 anos!

E para falar nas interpretações e nas histórias, dá para perceber que a mãe de Tufão vai engolir cada palavrinha maldosa que disse sobre MonaLisa, a namorada do filho. Esta é trabalhadora, decente, ajudou tufão a livrar-se de vícios como o álcool, tornou-o uma pessoa capaz outra vez. Mas de acordo com a mãe, MonaLisa é uma interesseira, que só quer saber do dinheiro do filho, uma cangaceira que não serve para ele. Já estou mesmo a ver que a ideia de ter «a outra» como nora lhe vai agradar imenso mas é tão arriscado como correr risco de vida!

Outras personagens interessantes pertencem ao núcleo cómico, como Cadinho, o homem casado com duas mulheres e duas famílias. Aquilo é tão extenuante que para relaxar ele tem umas amantes de lado. Vai que numa dessas noites de procura, encontra uma rapariga que após um interrogatório sobre os seus "contributos" genéticos aceita ter sexo com ele por querer engravidar. Ainda não sei se ela é uma mulher profissional de sucesso que apenas não quer esperar mais tempo para passar pela maternidade ou se é lésbica e assim resolve a situação. Não creio que seja esta segunda hipótese, mas ia gostar muito que assim fosse.

Adriana Esteves como Carminha está a dar um show gostoso de ver, variando com mestria entre a víbora que interpreta e a Santa pela qual se quer fazer passar. Algo que já nos habituou mas que ainda assim, dá sempre gosto ver. Agora é esperar pelo "pulo" da trama e ver que distracções esta vai trazer. 

Read more...

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mais impressões

Ciranda de Pedra

Está a conquistar-me. Ainda vai no início mas estou a achá-la simpática. Ao contrário do que se pensa, esta novela não é um remake. Ela é uma nova visão da mesma história, ambientada nos anos 50, com base no livro mas também, na outra novela.

Apenas duas personagens, até agora, não me convencem: Frau Heta e a Prof. Margarida. Em relação a esta última, já disse que acho Cléo pouco expressiva. Ou melhor: algo no seu desempenho corporal contrasta com o pretendido, e soa a falso. Falta-me ver a actriz no papel de vilã. No de mocinha não convence ou alguma vez convenceu.

A Frau Heta de Ana Beatriz Nogueira não tem uma ponta de sotaque alemão. Nem sotaque, nem hábitos ou trajectos. Talvez a solução seja descobrir que nem alemã ela é. Nada nela nos faz saber a sua origem. Não fossem os outros chamá-la pelo nome que tem. Verifiquei que a actriz, que tanto quanto sei estava a trabalhar na rede Record, até pronunciou uma mesma frase comum ás personagens de Ciranda de Pedra e Essas Mulheres, com o mesmo timbre, trejeitos, postura e linguagem corporal. Não esperava uma Frau Heta nem sequer semelhante à de Norma Brum. Cada actor tem a sua maneira de ser e mostrar um personagem. Mas sinto falta de autenticidade. De algo que denuncie a sua origem alemã. Uma maldade mais marcada, uma ameaça que fique no ar com o peso de temor, algo assim. Esta Frau Heta de 1950 apenas me parece uma pessoa que quer ser má, mas não é. A sua interpretação não mete medo ou intimida.

Mas a trama ainda vai no início. Tem de se ver que direcção as personagens vão tomar no resto da história. Sabe-se que é suposto Laura morrer e aí a trama muda de rumo. Ana Paula Arósio é uma actriz que estou ansiosa por ver de vilã. Desde Terra Nostra, nas cenas em que Madame Janete conta a sua versão da história do parto colocando Giuliana de vilã e também nas cenas em que esta foi verbalmente agressiva com Paola e Mateu, que o olhar intenso da actriz promete uma vilã de meter medo. Talvez desse uma Frau Heta muito mais temida! Quem sabe por altura da 3ª versão da obra? :) Afinal, não são as mais bonitinhas aquelas que conquistam de loucura os homens.

Beleza Pura:
Norma é a vilã que não conseguimos odiar (ainda). Ela faz as suas traquinices com charme, inteligência e até simpatia. O que praticamente eclipsa o facto de ter sido ela a responsável pela sabotagem do helicóptero Carcará. Aliás, que nome curioso! Porquê Carcará? Sempre achei que era um nome pejorativo, pois acrescido de sanguinolento, era assim que Major Bentes e Demóstenes, da novela Fera Ferida, se referiam a Flamel (Edson Celulari) para o ofender. Porquê baptizar com tal cognome tal projecto?

Nesta novela, as interpretações que menos gosto de ver, são, sem dúvida, a do casal Eduardo e Débora. Não me convencem. Talvez não ajude que toda a situação que os dois vão viver seja previsível e até já vista antes. Mas são as fracas interpretações que, a meu ver (e até agora) não dão mais interesse às suas histórias. Afinal, quase tudo pelo menos uma vez já foi feito antes. A história entre os dois tem muito interesse em termos de desenvolvimento. Os dois a apaixonarem-se e a descobrirem as suas semelhanças pelas diferenças dos ex-conjugues, a afinidade que promete ser mais sólida que as relações anteriores que, afinal, estavam cheias de defeitos… só que, para mim, não sinto essa projecção nas interpretações. São banais. Perdoem-me os actores, com quem simpatizo, mas é a impressão que me dá.

Gosto de ver os “coadjuvantes” das personagens principais, a Suzy e o Raul. Ela então, é uma delícia. Com aquela voz tranquila, diz as maiores das barbaridades a nível de vaidades e preconceitos, com um jeito natural que quem a escuta, quase não percebe a conotação crítica e exigente que tem. É por este tipo que os homens caiem! As espertinhas.

Quando digo que Beleza Pura foge a certos clichés, falo, por exemplo, do facto de Norma ter denunciado a presença não autorizada de Guilherme nas ex-instalações de trabalho e este, ao invés de desconfiar dela apenas por um instante para logo de seguida se redimir em desculpas e arrependimento ou depositar uma cega na amizade dos dois, fica desconfiado e não muda de ideias. Outro exemplo é Joana descobrir na presença de Guilherme a sua culpa no acidente com o helicóptero e sair a correr, sendo seguida por este. Ao invés dela conseguir entrar no táxi e ele ficar a lamentar não a ter conseguido alcançar, como é cliché acontecer, Guilherme alcança-a e os dois, voltam a fugir ao cliché ao não se separarem após a troca de mais umas palavras intepestivas. Ao invés, ele a leva no carro e os dois conversam de seguida, no apartamento. São situações que, muito facilmente podiam cair nestes clichés, mas Beleza Pura parece se esquivar deles. Ainda bem.

Read more...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Mais Mistérios em Desejo Proibido

Para quem se lembra, a história de Desejo Proibido começa em 1913, com Ana a perder o filho da sua 4ª gravidez. Esta data, 1913, surge novamente no episódio de hoje: é a data de pesquisa que Miguel telegrafou para S. Paulo para saber informações sobre Regina Simões, filha de Lázaro.

Só lamento que Miguel não tivesse a boa percepção de não passar o telegrama assim que percebeu que Henrique era Perfeito. Está claro, agora ele está a par dos seus intentos.

Está a ficar claro para mim que Cândida deu à luz um menino. Talvez quando saiu da cidade aquando o casamento de Viriato já fosse por estar grávida. O bebé nasceu deficiente e se calhar, foi-lhe dito que morreu. Será?

Henrique pode não ser filho de Chico. Interessante será se se descobrir que Cândida não é avó mas mãe deste! Não seria incomum para a época avós criarem netos como filhos e o contrário também deve ser possível. Até seria simples: a mãe fica grávida, convence a filha a se fingir de grávida e providencia uma longa viagem para ambas. Supostamente a mais velha para auxiliar a mais nova, mas na realidade o contrário. Sabe-se que Isabel, ex-mulher de Chico, fazia todas as vontades à mãe.

Uma hipótese rocambolesca porém, possível.

O calcanhar de Aquiles de Henrique é saber que não é amado por ninguém. Ele será o destruidor de Cândida.

A terminar uma omissão já em longa data em falta aqui nas observações do blog: O soldado Brasil é a personificação cómica e crítica do próprio País, através da qual o autor faz alguns desabafos.
"Acorda Brasil!"
"O Brasil é pobre mas sempre foi ajeitadinho"

E o pobre do Brasil, é tão pobre que volta e meia, fica desalojado do seu pobre cantinho na cela da delegacia e tem de dormir no banco da praça, já que ninguém se preocupa em abrigar o pobre. Pobre Brasil!

Read more...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Que personagem se segue 01?


Lanço um concurso.

Se você pudesse escolher a próxima personagem para um determinado actor ou actriz, qual seria?


Este desafio começa com Reynaldo Gianecchini, o Dante da novela 7 Pecados. O actor encarnou bem esta personagem. A título de recompensa, vamos supor que temos em nosso poder a escolha do seu próximo papel em novelas. Para facilitar, o desafio começa com duas opções. Agora é só puxar pela imaginação. Vote na personagem sugerida ou sugira você uma!

English Version:
This is a new challenge: if you got to choose the new character for an actor/actress, witch would it be? For this first challenge we start with Reynaldo Gianecchini, who has just finish a TV soap has “Dante”. To easy things a little, here are two choices. But you can be more creative and invent a new one. Just comment.

Read more...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Desfechos para Personagens 01


O que deve acontecer com as personagens nas novelas, se você escolher o rumo da história?
.
Este é o primeiro tópico para responder a essa pergunta, e estreia-se com a novela 7 Pecados!
.
Em Portugal a novela vai no início e ainda falta aparecer mais personagens. Mas por aquilo que já conhece, o que decide? O que adivinha? Que críticas tece?

.
Penso que todos querem ver o professor de ginástica e a directora da escola juntos. Como deduzo que a filha falecida de Juju era também de Romeu, existindo portanto um neto, quem sabe este não volta da Inglaterra, envolve-se na escola e posteriormente a riqueza do avô vai servir para melhorar consideravelmente as condições desta, que passa a ser um exemplo a seguir, porque assim são os contos de fadas.
.
Dante, Clarice e Beatriz. Quem fica com o homem? Gosto mais de ver Dante com Beatriz. Não que ela mereça mas vamos a ver: na vida real, casal que se separa, qual a percentagem que volta a estar junto? E quantos ficam com a então amante? Além disso, para apaixonado, Dante está sempre a esquivar-se dos abraços da mulher. Principalmente no quarto. Também cuida dela como cuida de qualquer outra pessoa, falta paixão. Para virtuoso, caiu depressa na tentação de se sentir atraído por Beatriz, o seu amor de infância. Preferia ter visto as actrizes a trocar de papeis. Ou seja: Beatriz interpretada por Giovanna Antonelli e Clarice por Priscila. Acredito que assentava melhor mas também compreendo que ambas já experimentaram esse "gostinho" mais vezes.
.
Os mistérios ainda por desvendar, da dita suposta civilização antiga, e do misterioso desaparecimento do pai de Beatriz (será que foi viver com os da Atlântida para o fundo do mar?) não deixam ainda levantar mais um pouco do véu da história. Parece que andam ali uns demoniozinhos e uns cães de guarda mal encarnados na figura humana. Decerto temos os anjos da guarda e arcanjos. O que não me conforma é que, no meio de tanto elenco, tantos pobres com vidas miseráveis, o Anjo da Guarda só existe para a menina RICA, MIMADA e MÁ. Até para o céu te dar um anjo-da-guarda é preciso ser rico!


.

Read more...

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Atores, personagens, considerações e divagações

Vinha falar de actores, quando soube do falecimento repentino de Luiz Carlos Tourinho, que na novela Desejo Proibido faz brilhantemente o língua-solta Nezinho, ajudante do padre e alcoviteiro na cidade de Passa Perto.

Cada vez gosto mais desta novela, repleta de representações deliciosas como um caramelo. Mesmo Othon Bastos, que até agora tem uma participação curta, como o hiper preguiçoso Cides quando surge, ocupa o seu lugar. Típico de grandes actores que, não sendo vedetas de cabeça, fazem uma obra valer mais pelo talento e experiência que fornecem.

O mesmo digo de Odilon Wagner, que em Sete Pecados rouba a cena, mesmo contracenando com várias personagens e tendo pouco diálogo, com a sua linguagem gestual diria que perfeita para a essência da personagem.

É tudo uma questão de timming e composição. Que estes três citados actores dominam muito bem. Mais poderia dizer sobre outros mas queria mesmo falar destes. Dos que não têm a fama de um Fagundes, não vêm o seu talento gerar aquele frenesim nas massas que assistem televisão, mas que sabem “domar” a arte.

Já mencionei também Marcos Caruso, o padre Inácio de Desejo Proibido, cujo timbre de voz da personagem com o respectivo sotaque põe de lado qualquer lembrança do apagado e passivo Alex de Páginas da Vida. Além de actor é também autor. Não esqueço o seu peão Tião em Pantanal. Participação pequena, curta, mas marcante.

E é assim. É preciso é encarnar bem as personagens. Experiência vale por muito mas mesmo sem ela, se um actor jovem a começar carreira mostrar que sabe agarrar a personagem, vale mais do que por aqueles que, tendo a fama, não sabem vestir uma.

Já mencionei que não aprecio por aí além a novela que em Portugal passa de tarde: Sete Pecados. Mas não é por isso que não reconheço quem representa bem e encarna o seu papel de forma convincente. A preferência inclina para o núcleo que representa personagens mais reais, como a directora da escola e núcleo envolvente. Não tem fantasia na vida da personagem, nada de anjos a voar, demónios etc. Por enquanto. Mas quando vejo Gabriela Duarte, Marcelo Novaes e depois Odilon Wagner na novela, lembro da força das suas personagens em Chiquinha Gonzaga.

Gabriela é que parece não ter envelhecido nada na última década. Tem o mesmo aspecto da época em que encarnou a impressionante Maria Eduarda, na novela Por Amor, excepção para um pormenor que aumentou de tamanho.

Na sua segunda semana de exibição, a Sic passou a exibir “dois capítulos em um” da novela Sete Pecados. São quase duas horas de duração, que começa pouco depois das 18.00 horas e termina pontualmente ás 20.00h, sem intervalo! Ufa! Será que mesmo os fãs acérrimos aguentam? A minha teoria é: não gostam da novela e querem “despachá-la rapidamente. Será?
Há! E falta acrescentar também José de Abreu. A sua prestação pode passar mais despercebida, já que não se compõe de características distintas, mas é uma das mais bem feitas também. São inumeras as emoções que o actor passa através da expressão do rosto. O Chico tem amor à mulher. O Chico é rude. O Chico sofre pelo filho, o Chico é indeciso, etc. Muitas nuances comuns, bem encarnadas.

E fico por aqui, no que respeita a novelas, actores e alguma fofoquice!

Read more...

sábado, 15 de dezembro de 2007

DISSECANDO PANTANAL

Foi com um tópico sobre a novela Pantanal que decidi estrear este blogue, mas ainda não dissequei a obra. Então cá vai:

Image and video hosting by TinyPic

José Leôncio, ao envelhecer, não só se torna menos hábil com o cavalo mais baixo e gordinho (claro que este é um comentário de brincadeira) como parece fora de personagem. É óbvio que cerca de vinte anos sem ver o filho o deve ter amargurado. Mas ainda assim, parece que não é a mesma pessoa que Paulo Gorgulho retratou. O Leôncio jovem era ignorante, mas possuía uma percepção eficaz para entender as pessoas. E era justo. Já avançado na idade, é bruto e precipitado a julgar os outros. Achei que Claúdio Marzo não foi interessante no papel e ignorou as características que José Leôncio ganhou com Paulo Gorgulho. Mas talvez tenha sido este último que deu demasiado charme ao seu Leôncio, mascarando assim os defeitos da personagem. Afinal, no casamento levou a sua sempre adiante, ignorando as vontades da esposa. O que José Leôncio adulto faz com o filho quando acaba de o conhecer prova que é injusto. Expulsa-o e diz-lhe para não o chamar mais de pai. Ora, se Leôncio não tivesse construído um império, vendo-se por isso obrigado a lidar com todo o tipo de pessoas e em contacto com outros estilos de vida além do pantaneiro, aí sim, ele podia ter evoluído para um bronco. Mas não foi o caso. Aliás, a capacidade clara de ver as coisas sem se precipitar em julgamentos parece transitar para Tibério, o peão com quem Jove consegue falar como se fosse a um pai.

Madeleine é uma personagem cujas acções são muito criticadas na novela. Mas se formos a ver, a pobre teve razão. Claro, gostamos mais de Leôncio e queremos que a razão esteja com ele. Mas quem gostaria de ser recém casada, ir para um lugar desconhecido, isolado da civilização, não ter ninguém mais instruído com quem conversar, não ter o marido a seu lado durante meses, longe dos pais, amigos e a vida que sempre conheceu, e ainda por cima ter o filho fora de um hospital, ajudada por uma governanta, sozinha? E ainda viu o bebé a ser-lhe tirado dos braços para ir cavalgar nos braços do pai, quando este mal tinha saído dentro dela! E depois, continua sozinha e Leôncio decido baptizar o filho com o nome do avô, sabendo que ela não concordava. Ele simplesmente foi fazendo o que queria, achando que ela acabava por aceitar. Aceitar a ida para visitar os pais ao Rio de Janeiro, que nunca surgiu, aceitar as longas ausências do marido, aceitar a solidão. Ora, isto é subjugar o espírito de alguém. O que nunca resulta numa relação. Madeleine não era um boi marruá! Acho que o autor castigou muito esta personagem pelo acto corajoso que tomou de se ir embora com o filho. Castigou-a de mais por ter abandonado Leôncio. Claro que tudo podia ter sido feito de forma diferente mas e daí, talvez não. É preciso ver que Madeleine era uma menina, imatura e acima de tudo, sem experiência de vida. É claro que ela sonhava com a ida do seu príncipe encantado, que a seguia para a arrebatar novamente, pedindo perdão e jurando-lhe maior dedicação. Coisa que Leôncio não estava disposto a fazer. O autor castigou-a fazendo dela uma perua, eternamente frustrada sexualmente deste que abandonou o marido. É muito severo. Acho também que a personagem ficou a perder com ambas as actrizes que lhe deram vida. Não só a inexperiente Ingra Liberato não soube defender a sua personagem muito bem, como a Ítala Nandi transformou a Madeleine numa criatura vazia e antipática, de voz e gestos irritantes. E não se sabendo bem porquê, a personagem sai da história morrendo quando regressava ao Pantanal. O que não fez muito sentido e, mais uma vez, foi de uma severidade extrema!

Depois temos o filho de ambos em adulto. Jove relaciona-se de forma muito diferente da do pai com as mulheres, mas tem o mesmo sucesso. Vive na cidade, já fez de tudo um pouco, mas sente-se vazio e algo o perturba. Claro, é o facto de nunca ter conhecido o pai. Relaciona-se melhor com a tia Irma, que também é severamente castigada pelo autor ao ficar apaixonada por Leôncio e não se interessar por mais ninguém. Jove acaba por contar com a sua cumplicidade e parte para o Pantanal. Aí rapidamente o julgam pela aparência. Surge com uma camisa larga e estampada, com modos educados e uma forma de estar que denuncia o facto de ter sido criado por três mulheres. Todos os homens se riem e lhe lançam olhares de gozação. Até o pai fica profundamente decepcionado, julgando ele que ia receber um filho adulto e peão. Na verdade, todos acham que Jove é homossexual. Só que este homossexual mal chega ao Pantanal e já conquista o interesse das mais belas moças. Rapidamente se envolve com Guta, uma jovem, tal como ele, formada na cidade. Mas ele se apaixona é por Juma, uma pantaneira analfabeta, que não conhece nada da vida sem ser o seu chão e o seu modo de vida. Esta relação dos dois também é razão de chacota por parte da “peãozada”. Igualmente rápidos a julgar a moça, há muito que mantêm a distância dela, pois diz-se que vira onça em noite de lua cheia! Todos a acham bonita, mas mantêm as distâncias por medo. A aproximação destes dois incomoda muito Leôncio, que vê naquilo não o que é, mas o que pensa ser: uma falta de vergonha distorcida, de mulher-homem com homem-mulher! Ele está ansioso por ver o filho a tomar uma atitude de macho e ao saber que este passeia com a bela Juma, aguarda que o filho lhe conte que tiveram sexo. Mas Jove acha essa presunção redutora e é isso que Leôncio não entende. Ao contrário do que pensa o pai, não é na marra que Jove a tenta conquistar. Ele sabe que a “onça selvagem” não é nenhum marruá para ser domado. Ele é o único que realmente vê Juma, “mais mansa que um cordeirinho” – diz ele. E ela também se apaixona por ele por causa desse reconhecimento. Nele encontra aquilo que procurava. Com ele começa a aprender mais sobre a vida, aprende a ler e também a escrever. Melhora o seu vocabulário e assim satisfaz a sede que a sua curiosidade natural de pessoa inteligente procurava saciar, sem ter como.

Filó é outra personagem que me agrada muito, mas só após envelhecer. A Filó mais madura é uma mulher generosa, compreensiva, carinhosa e afectuosa. Quando jovem era só ciumenta e muito metida a besta, se entendem o sentido da coisa. O que não dá para engolir é o facto do parentesco do seu filho Tadeu ser insinuado logo no início da novela como sendo de Leôncio para no final, e um pouco sem sentido, Filó começar a soltar uns ais porque, afinal, tinha mentido. Seria verosímil se antes de ter admitido a Leôncio o parentesco ela já não tivesse andado a dizer ao vento que o filho era dele. Parece um desfecho forçado, embora ao espectador essa dica fosse perpetuamente facultada pelo autor, que ia mostrando as diferenças de personalidade entre Tadeu e os restantes Leôncios.

Outro pormenor, mas que ainda deixa as “marcas” da sua interferência, é o facto da bela Juma, pantaneira que toma banho de rio desde menina com a sua mãe, ter uma cena em que tira a roupa e tem marcas de biquini fio-dental. Se para interpretarem índios é costume maquilhar os actores com um produto especial, porquê não se esforçaram para ocultar as marcas branquinhas na pele de Juma? Não dava para ir a um solário antes de partir para o Pantanal? Juma nem conhece o que é um soutien. Logo, não devia ter marcas dessas peças de vestuário. Aí, nesse pedacinho de história, subitamente o espectador percebe que é falso.

Também achei um tanto forçada a mudança de Jove para pantaneiro. De início está tudo natural mas aos poucos, a mudança é brusca demais. Parece-me que algo na personalidade da personagem está a ser roubado. Contudo e no geral, adoro esta novela. Não lhe encontro muitas mais falhas de importância para mencionar. A história de amor entre estas duas personagens está muito bem feita e gosto ainda mais dela, por se assemelhar à realidade. Juma e Jove gostam um do outro, mas não vivem um conto de cinderela. Chegam até a separar-se devido à intervenção de uma terceira pessoa. Humm… muito semelhante à vida real, não?

Por fim, outra crítica que faço à história, diz respeito à personagem de José Lucas. De início entra bem mas depois, anda ali uns capítulos sem rumo, a tomar umas atitudes pouco credíveis. Para quem quer ser peão acima de tudo e acaba por sê-lo, ter virado político é cá um esticão! Principalmente porque inicialmente é um homem simples, desinformado e desinteressado por política. Surge de repente o interesse, só para ele ter o que conversar com a personagem Irma. A sua história dá muitas voltas: José Lucas interessa-se por Juma e chega a viver com ela, mas também antes disso surge uma jornalista de nariz empinado, vinda do nada, só para se envolver com ele e o retirar por uns tempos da trama. Por sua vez, Irma também não é uma personagem feliz. Eterna apaixonada pelo cunhado, de repente deixa-se seduzir pelos encantos de Trindade, o peão cantor, mas a forma como este sai da história só para dar lugar a José Lucas é um tanto forçada.

Em Pantanal vêm-se já referências a futuras obras do autor Benedito Ruy Barbosa: O “Rei do Gado”, que é como Leôncio é chamado e o “pacto com o Belzebu”, aqui feito por Trindade e mais tarde aproveitado para a personagem “José Inocêncio”, o coronel “Rei do Gado”. As semelhanças não são casualidade.

Read more...

face

    © Blogger template by Emporium Digital 2008

Back to TOP