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quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O que é uma Grande NOVELA?

 

O canal Globo está a reprisar tantas novelas de "antigamente" que fica desinteressante acompanhar qualquer uma. Contudo, existiram algumas que revi. Interessante que, a partir de uma certa altura, não tinha mais paciência para esperar pelo próximo capítulo e decidi continuar a acompanhar a novela nos sites online que as disponibilizam. 


Com isso faz uns dois meses que terminei de assistir a "Tieta", enquanto no canal esta novela ainda vai no episódio 117.


Outras novelas em exibição no canal são "Sinhá Moça" de 2006, "Avenida Brasil", Esplendor, Mulheres de Areia, Laços de Família e o seriado A Casa das Sete Mulheres. Tudo produção reprisada. No ar com produto atual estão as novelas Dona de Mim e o remake de Vale Tudo.  

Desta (surpreendente) lista estou assistindo a ZERO. 

Interessante como novelas que foram um mega sucesso numa certa altura, quando rerpisadas não me despertam interesse. "Carminha" e todas as maldades de "Avenida Brasil" foram interessantes de acompanhar na altura. Mas pensar em rever tudo aquilo não desperta qualquer interesse. Ver episódio atrás de episódio, com todas as suas "barrigas" e as histórias paralelas mais as que se arrastam pela trama... NÃO. 

O ritmo da vida mudou. Os hábitos de consumo alteraram-me. Esperar que uma pessoa fique a ver um capítulo inteiro incluindo as partes que não lhe interessam e fazer isto todos os dias, "dedicando" uma hora do seu tempo a isto, que incluiu intervalos publicitários, é de "doidos". Já quase ninguém consome um produto audio-visual desta maneira. 

Sempre tive visão do futuro... Quando, na década de 90, utilizava o meu vídeo-gravador para depois ver os programas que me interessavam, quando tivesse tempo e vontade - é simplesmente o que as redes sociais hoje impoem como norma. Algo que eu já fazia 30 anos atrás. 

Mas a verdade é que o produto "televisão" tem de se re-inventar. E nele, o grande trunfo que a "novela" um dia já foi precisa de se adaptar aos novos meios e formas de consumo. 

NOVELAS a que assisti por ter vislumbrado suas reprises no canal?
Roque Santeiro e Tieta. 

E valeu a pena. 

Existe algo nestas novelas que não as fazem desinteressantes. Nem pelas histórias paralelas. Tudo flui num bloco sólido que mantém o interesse e diverte. São novelas que recorrem muito ao humor. Ao exagero. Foram feitas com mestria e com interpretações talentosas que transbordam de informação sublimar. Chegam aos episódios que quase atinge o número 200 e uma pessoa quer mais. Podia ver mais. Não cansou. E vai sentir saudades. 

ISSO é uma boa novela. 

Para mim estas produzem esse efeito "hipnótico" e gostoso de assistir. Para outros, talvez de outra geração, essa capacidade pode estar numa destas novelas referidas acima. Quem sabe?

Até Mulheres de Areia, que é relativamente da mesma altura das outras não me desperta qualquer interesse em assistir. A história em si não me chama. Existia muito drama e pouca comédia talvez. Talvez esse seja um fator importante? É uma boa história mas como tantas outras assiste-se uma vez e basta. 

Roque Santeiro podia voltar a ser exibida agora que voltaria a ver do princípio ao fim sem me incomodar. 

Outra novela que o canal já reprisou e que na altura em que passou originalmente eu adorava ver foi "Barriga de Aluguer". Porém, quando reprisada não me despertou vontade de assistir. Tem muita barriga, muita história paralela, muita demagogia. Sim... demagogia. Aquele núcleo do hospital, o eterno debate entre o certo e o errado... Lembro dela com muito carinho - ainda detesto a Clara e não posso ver uma cena com ela que só me apetece dar-lhe um par de estalos na cara (ahah). Miúda egoísta até mais não, mimada, alucinada, invejosa, mau carácter e muito, muito ingrata. Decobri pelo pouco que vi que ela ainda era mais cruel, mais torturosa mais irritante do que me lembrava. Ana também tinha os seus defeitos e um deles era o egoísmo sim. Mas sentia afinidade e humanidade por ela. Achava que ela estava certa e ela é que era a mãe. Não só biológica como de todas as formas. Quando se ama um filho antes mesmo dele existir, é-se mãe. Clara não teve nunca essa sensação e creio que nem depois do parto teve. Ela só era uma miúda sonhadora sim, que ia atrás de sonho sem saber como, pisando nos sentimentos do pai, irmã, namorado, amigos e sem se importar em magoar quem lhe era próximo. E amor ao filho... acho que só não queria era "perder" a parada. E como em tudo na sua vida, usava o seu sofrimento e drama pessoal para atrair simpatia, para manter amigos à sua disposição 24 horas por dia, para ter todos à sua volta como satélites e ela o SOL. 

Adorei a história da Aída e do seu drama pessoal, primeiro com o marido que a traía, depois por se apaixonar pelo marido da filha. Mas se queria rever tudo isto de uma vez só? Não. Afinal, não. Mas é uma excelente novela. Com muita barriga mas excelente. 



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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Primeiras impressões da primeira semana de AMOR à VIDA


Parece-me que a novela "Amor à Vida" não vai chegar aos pés do sucesso da sua antecessora "Avenida Brasil". Já vou expor as razões mas se usaram a estratégia de tentar colar a imagem desta novela ao sucesso de Avenida Brasil e até comparar um vilão a outro baptizando-o de "Carminha de calças", então vão ter de se aguentar até ao fim com as comparações e os resultados.

O que não gosto desta novela já disse: é a cor. Não sei se lhe chamam "cor de cinema", película especial mas é algo que torna todas as cenas mais cansativas e gastas. Uma imagem azul é o que me aparece nas gravações antigas com mais de 20 anos quando coloco uma VHS a dar... Numa produção actual quero cores vibrantes e muita vida.

O genérico é muito pobre. As aberturas das novelas também influenciam a forma como o público se lembra das tramas. Dificilmente alguém mais esquece as aberturas de "Tieta", de "Mulheres de Areia", "Vamp", "Avenida Brasil", "Renascer", "Selva de Pedra", "O Sexo dos Anjos", "Perigosas Peruas" e a minha de sempre favorita  "Deus nos Acuda". Mas esta de Amor à vida enquanto está a passar na TV já está a ser esquecida.

Depois tem a melodia. Esta conta muito para "agarrar" o espectador e a da novela Amor à Vida não pega. Cai naquela erro terrível e insuportável de repetir três vezes a palavra "vida". Irra, que é coisa chata p'ra caramba! Tem os mesmos defeitos que "A vida da gente" no que respeita a música e a título. "Amor à Vida" é um título banal. Sei que quero espreitar a novela mas nunca recordo o nome que tem. Esforço-me para que me venha à cabeça. Com tanta importância que dão não entendo porque os detentores de opinião escolhem sempre uma combinação de títulos com apenas as mesmas palavras-chave: "Amor, vida". Esta decidiu juntar as duas.

A escalagem dos actores também é uma lotaria. O ator que faz de Félix não me surpreende. Já tinha reparado que tinha força para carregar grandes personagens. Mas outros estão ainda um pouco "crus" ou então meio deslocados para o papel.

MAS TEM também a história. E aqui sinto que existem tantos mistérios no ar que podem dar para um lado tanto como para o outro. E é isso - a trama, que me prende. Embora não tenha paciência para esperar muito tempo pelos desfechos que já conhecemos ocorrerem com as personagens, os mistérios relacionados com o parentesco de PALOMA e os actos do pai de FÉLIX que me cheiram que ainda vão chocar, mantêm-me, por enquanto, a espreitar a novela.

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carminha é DESMASCARADA - avenida Brasil

Carminha, personagem da novela Avenida Brasil (2012) é capaz de dar um nó a um prego.
O que ele inventa para conseguir não ser desmascarada está ao nível dos maiores burlões que o mundo já ouviu falar.

Vou confessar uma coisa: não acredito que na vida real uma "Carminha" fosse desmascarada da forma como a personagem na novela é. Acredito muito mais que ela ia aceitar a pensão choruda do marido e partir para a conquista de outro milionário, com bolsos ainda mais fundos que Tufão. E continuar com o seu amante. Mas na novela em alguma altura a sua máscara tinha de cair e isso foi para o ar no episódio de hoje.

Maxwell, inspirado em César (Vale Tudo), decide dar umas tantas "bananas" para a família Tufão e feito o gesto vai-se embora, deixando na casa um presentinho: várias fotos dele e Carminha na maior intimidade. A primeira a ver as imagens é Ivana, a insuportável Ivana e sua voz de nénem.

 Ela dá um grito que chama a atenção dos restantes que então também vêm as fotos e confirmam as acusações de Jorginho: Carminha e Max têm sido amantes. Quem dá um tapa na cara da infiel é Tufão, mas aqui pessoalmente achei que a cena deixou a desejar. Ivana tinha muita mais energia e razão naquele instante para ficar cega de raiva, partir para o tapa e arrancar cada extensão de cabelo falso de Carminha, elevar bem alto as madeixas entrelaçadas nos dedos das mãos e gritar feito uma leoa, após muito a esbofetear. Isso sim, seria uma cena de mulher enganada se vingando de mulher que enganou. Tufão já desconfiava. Tinha recebido muitos toques. A reacção dele não tem um impacto tão surpreendente. 

Mas Carminha não desaponta os "fãs" e seria capaz de dar um nó naquele prego, não tivesse o autor decidido que aquele era o momento do seu declínio. Carminha jamais seria desmascarada. Ela ajoelha e jura que é uma vítima, que as fotos são montagem da Nina, que está junta com Max. Implora para que acreditem nela, chama Muricy de «mãezinha». Mesmo desmascarada o seu calibre como vigarista é requintado e da mais alta qualidade. Carminha faz o género de aldrabona que deixa muitos divididos. Uns acreditariam nela, outros não acreditariam mais. Desmascarada, alguns ainda a defenderiam de tudo e contra todos, jurando acreditar no seu bom carácter. Assim acontece na vida real com as maiores vigaristas da humanidade. No seu próprio tempo têm uma legião de fãs - muitos até são também as principais vítimas. Por vezes só décadas depois é que a sociedade vê a figura com outros olhos, já não tão hipnotizados com o fascínio da "cobra". 

Que "Carminha" não tenha sido "salva" do improvisado cativeiro de Max mais cedo foi outra cena conveniente demais para o desenrolar da trama. Numa mansão com segurança, guarda e motorista que está sempre pelo jardim, ninguém ver a patroa a ser arrastada e amarrada, ou escutar os seus gritos ou gemidos é mesmo providencial para o fim pretendido. Nisto tudo, Nina e Jorginho perderam força na trama - mal aparecem e a sua intervenção no momento em que Carminha é desmascarada é praticamente nula. Aliás, carminha só não foi desmascarada antes com as provas de Nina porque, convenhamos, a miúda era muito burra para captar provas! Usava o celular para tirar foto ao invés de fazer um bom filme. Vai que deixava escapar todo o beijo e amasso. Coitada da Nina. Tão inteligente mas tão pouco versátil com as tecnologias. Demorou MESES a apanhar os amantes. Porém escutou todas as conversas atrás das portas. 


Outro casal que perdeu a força assim que se juntou foi Tessália e Darckson. E o que foi aquilo entre a filha mais velha de Candinho e o filho da cabeleireira? Aquela declaração longa e chata no carro pareceu precipitada, pois faltou mostrar a corte mais cerrada, o entrosamento dos dois a ficar mais íntimos, cedendo... Subitamente vão casar! E todas as dúvidas de Débora sobre Ivan dissipam-se com a oferenda de uns pasteizinhos. 

O final de "Avenida Brasil" está a se aproximar. Não sei ainda o desfecho de toda a trama mas muita coisa já transpareceu. O que mais me chocou foi o apontado "Final Feliz" com redenção e perdão para tudo o que é lado. Quando ouvi falar nisto a avaliação que fiz da novela caiu a pique. Mas confiando nos textos, vou esperar para ver se a coisa vai ser apresentada com veracidade ou se, ao contrário de Vale Tudo, esta trama não vai inovar em nada os finais e vai fazer com que todos vivam felizes para sempre, casados e à espera de filho. Quantos casamentos e quantos filhos vêm por aí?


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sábado, 13 de julho de 2013

Amigas OPORTUNISTAS

No episódio que vai para o ar SEGUNDA-FEIRA na novela Avenida Brasil, Verónica convida MonaLisa para ir almoçar a um restaurante fino. No final da refeição a cabeleireira ao ver a amiga pegar na bolsa manda ela guardar a dita e diz que quem vai pagar a conta é ela. Está feliz e contente quando Verónica tira da bolsa uma nota cobrando 600 reais pelos "seus serviços". E explica que a levou até ao restaurante para lhe ensinar as tendências, lhe mostrar os vinhos, etc e que isso é um serviço de Personal Friend muito bem pago na Europa e nos EUA, onde é moda e lhe está a cobrar uma pechincha de 300 reais à hora. 

MonaLisa responde à altura: «pode ser moda na Europa mas não é aqui no Divino. Aqui no divino mulher que cobra por serviços à hora tem outro nome" e nisto sai do restaurante. A cena com os detalhes do diálogo vai para o ar amanhã, no capítulo de hoje só saiu o cheirinho. Mas esta cena que parece saída de uma história absurda de alguém muito descarado não é tão incomum assim. Me fez lembrar uma pessoa que conheci. E ela fazia assim:


Ela surgia muito simpática parecendo querer fazer amizade. Oferecia boleia até o café, outras vezes convidava a pessoa para ir com ela de automóvel até um supermercado ou restaurante. Previamente pelo caminho falava de dinheiro. Falava no quanto a vida estava difícil e o quanto não estava nada fácil pagar as contas no final do mês. Enumerava cada despesa que tinha: a da renda de casa, a conta da água, do gás, da luz, de telemóvel, como se despesas não fossem comum a toda a gente.  Relatava também «histórias» pessoais de como as pessoas são egoístas e interesseiras e já não são amigas desinteressadas, capazes de gestos desinteressados, como dar algo a alguém sem esperar receber algo em troca. 

E dava especial ênfase às despesas com a gasolina. Essas relacionadas com o automóvel ela mencionava sempre. Por vezes era a primeira coisa que se lembrava de dizer assim que entrava no carro. "Hoje estou mais pobre. Já gastei 10 €uros em gasolina para o carro. Sem gasolina ele não anda, o que fazer? E já sei que vou ter de gastar mais porque não enchi o depósito. Não tinha dinheiro para mais. A semana passada também gastei 10€ de gasolina. É só vê-lo sair. Ter carro é como ter filho. Por isso é que eu não tenho filhos. É muita despesa. O que me valeu foi minha santa mãezinha que me emprestou 25€, porque eu não tinha dinheiro para comprar gasolina"*. 

Uma pessoa escuta isto e por vezes se compadece. Ao mesmo tempo, é tão comum em Portugal as pessoas iniciaram uma conversa informal com este tipo de lamurias que isto faz com que não se perceba quando alguém está a preparar terreno para nos dar um "chorinho". Pensamos apenas que a pessoa precisa de desabafar ou fez conversa circunstancial. Afinal, dinheiro não abunda para muita gente e despesas toda a gente tem! Mas isto aliado às confidências sobre os dramas com a família, com uma mãe doente, um pai incapaz para o trabalho, irmãos espalhados por toda a parte, pobreza e miséria de alguns e riqueza de outros. Tudo previamente pensado foi então "embalado" com cantilenas deste tipo.

Depois com o tempo é que damos conta que existe um padrão comportamental repetitivo. Cada vez que ela oferecia carona (boleia) a alguém, a seguir não tinha dinheiro para pagar o bolo e café. Nas compras, cobiçava algo mas dizia que achava caro demais, esperando que a outra pessoa se oferecesse para pagar a meias ou dizendo para a outra comprar para si. Se feita a compra pela outra pessoa, depois dava-lhe vontade de provar ou arrependia-se de não ter comprado e não ia ter como voltar tão cedo ao local. Nos restaurantes, elogiava o aspecto da comida nos pratos dos outros até lhe oferecerem um pouco a provar. Provava, dizia que estava delicioso, pedia para tirar mais um bocado, elogiava e por vezes acabava por consumir a maior parte da refeição. Com as sobremesas fazia a mesma coisa. Era sempre a mesma coisa. Inicialmente uma pessoa «engole» o engodo acreditando estar diante de alguém com legítimas preocupações sobre os caminhos erróneos da sociedade. Mas depois a repetição destes actos interesseiros e oportunistas, aos poucos, vão fazendo com que a máscara caia. Ela "Brincava" com a situação de provar a comida nos pratos dos outros, dizendo que era gulosa e que já estava cheia de comida, mas na realidade isso servia para mascarar a realidade: ela era uma oportunista que tentava sugar dos outros tudo e mais alguma coisa, mas com um sorriso, uma falsa simpatia, um falso desinteresse e uma falsa humildade, que a si própria atribuía.

João Emanuel Carneiro
Autor principal de Avenida Brasil

Se ela fizesse um favor a alguém, de alguma forma acabava por o cobrar. Cobrava até o impensável. E achava-se no legítimo direito de o fazer. Indignadíssima ficava quando as coisas não corriam como pretendido. Dizia que era ingratidão. Daí esta pequena cena na novela Avenida Brasil ser mais que um acréscimo cómico à trama. Os autores de novelas são de facto exímios a perscrutar a alma humana e extrair com autenticidade tantas variantes de personalidade e carácter. Pessoas como Verónica EXISTEM. E podem não ser tão fáceis de detectar quanto ela. Nem todas usam roupas de grife e se rodeiam do mais fino luxo, mas em comum têm o apurado sentido de oportunismo. E no fundo são imensamente barraqueiras, adoram baixar o nível e ser ácidas no trato com os outros, ainda que se esforcem para tentar se fazer passar por ladies. A IMAGEM que pessoas de "nível social elevado" possam fazer delas é-lhes importantíssimo. Mudam de imediato de postura quando diante de uma. Parece que os seus cérebros auto-programam-se para a bajulação e para a prestatividade que não é nem um pouco desinteresseira. Parecem máquinas que entram logo em "modo on". É até surpreendentemente como conseguem só de olhar identificar de imediato quem interessa mais dos que não interessam de todo. Quem tem "dinheiro, posição e influência" do "falido com ar de dinheiro mas que não interessa a ninguém". 

Uma vez esta pessoa em quem baseio este relato muito simpaticamente insistiu em pagar o pequeno-almoço (café da manhã) a uma colaboradora descendente de uma "família tradicional de alto prestígio e influência e com uma quinta no norte, onde está o dinheiro gordo", a qual, sempre que sabia por perto, tratava imediato de agradar e passar as melhores das impressões. Ao entrar na empresa vinha aborrecida e a primeira coisa que diz é: "hoje alguém tem de me pagar o almoço porque eu levei a XXX a tomar o pequeno-almoço fora e tive de ser eu a pagar a conta pois ela já pagou outras vezes e ficava mal. Não é justo". LOL. 

AGRADAR esta elite é um must e são capazes de investir um pouco na esperança de ter um retorno substancial, mas nem por isso gostam de praticar o ato de gastar. 

Numa ocasião ajudei esta «amiga» a preparar um evento que ela dizia aberto a todos mas que me contou que ia convidar pessoas de "outro estatuto social e com poder económico" porque estas é que faziam a diferença na festa, embora preferisse lá ter amigos de verdade e não pessoas interesseiras que só pensam em dinheiro. Convidou-me a aparecer, assim como todos os outros colegas. Apareci eu. Ela mostrou-se grata nas palavras, mas incomodada na postura. Ainda lhe dei o benefício da dúvida mas uma segunda ocasião se repetiu e nessa ficou ainda mais claro que a boca agradecia a presença como se fosse uma mera formalidade circunstancial, mas a postura era de irritabilidade. Claramente não lhe agradava a presença de alguém como eu diante de um grupo de pessoas "selecionadas". Há terceira e quarta ocasião já não tive como constatar nada: ela não me convidou ou sequer mencionou em conversas que estava a preparar mais eventos. Outras pessoas que não compareceram aos primeiros, surgiram para os últimos e assim se confirma que o oportunismo atrai o oportunismo. Eu, que lhe prestei muito apoio e incentivo, fui jogada para escanteio sem sequer existir uma pontinha de remorso. Bastou para tal que as coisas começassem a lhe correr para o melhor.  Com o tempo outras situações de "conflito mascarado" surgiram e chamei-a à parte expondo as minhas preocupações e pedindo-lhe para que fosse sincera e me contasse o que a perturbava comigo. Foi incapaz de admitir alguma coisa. Jurou que estava tudo bem e que era impressão minha. Mas continuou a manter-me afastada e a ter comportamentos provocatórios e suspeitos. 
Nesse aspecto a vida real não costuma ser como nas novelas, pois raramente quando chega a altura da "mocinha" dar uma prensa na "vilã" esta aproveita para mostrar a sua verdadeira face e confessar todas as armações ao mesmo tempo que revela todo o veneno. Normalmente o mais comum é o veneno continuar a ser destilado por vias mais cobardes, pelas costas, o mais dissimulado possível. 



Todos estes comportamentos oportunistas que pessoas assim adoptam, são executados ao mesmo tempo que lhes tecem duras críticas. Esta pessoa fazia conversas que mais pareciam palestras, autênticos discursos de filosofia de vida sobre a falta de desprendimento das pessoas hoje em dia, da falta de generosidade, do quanto a sociedade só pensa em dinheiro e o quanto ela não ligava a isso. Faz lembrar "Carminha" defendendo os valores cristãos e a família, e fazendo o que todos sabemos que realmente faz. Com estas pessoas passa-se o mesmo. Criticam severamente os actos de que são exímios praticantes. 

Existem pessoas nas quais só se encontra a verdade se tudo o que disserem for interpretado ao contrário. 


*Senti-me indignada quando percebi que ela também se aproveitava da mãe. Contava-me que esta era muito pobre e corria o risco de ser despejada e de repente diz-me que foi com o dinheiro dela que meteu gasolina? "Ah, fui fazer-lhe uma visita e ela é que me ofereceu dinheiro" -disse. Conseguia imaginar bem o quanto de "trivial e desinteresseira" foi aquela visita e a consequente conversa circunstancial. Não podia concordar com o facto dela ser tão oportunista e sovina. O seu salário era o maior de todos na empresa. Para se ter uma ideia, a nova "presa" de quem se aproximou lá dentro lá conseguia se governar com menos de metade desse ordenado. Era indesculpável ter manipulado e tirado proveito da mãe daquela forma, quando a descrevia muito pobre e extremamente doente. Percebi que ela achava que a mãe lhe era devedora. Todos lhe eram, na verdade.

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

O que eu tenho em COMUM com... ADAUTO

O que tenho em comum com a PERSONAGEM de Adauto na novela AVENIDA BRASIL 
é que ambos gostamos de uma moela!


E você? 
O que acha que tem em comum com ESTA personagem?

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quinta-feira, 4 de julho de 2013

O improviso


Faz tempo que queria relatar um acontecimento que ilustra bem o tema que vou introduzir: o improviso.
Numa ocasião em que diversas pessoas de fundo profissionais diferentes se juntaram num curso específico, foi necessário cada qual revelar um pouco de si  num exercício de comunicação com o público. Uma rapariga que o frequentou decidiu REPRESENTAR. Declamar uns versos, portanto. O grupo mais ou menos que vaticinou, antecipadamente, que ela o ia fazer muito bem, pois era atriz premiada. Pelo menos ela gostava de se apresentar assim. Não só era atriz, como já havia sido primeira dama do teatro!

Ela começou a declamar e a interpretar. Surpreendeu-me quase de imediato. Mas continuei a ver, aguardando o final da sua interpretação. Heis que num determinado momento ela pára de aclamar para perder alguns bons segundos a procurar algo e agarra num objecto que eu tinha na mesa para ilustrar uma ideia básica. Ao que respondo com um pequeno comentário bem mais apropriado ao texto que aclamava e ao gesto que teve. Pois ela volta-se para mim atrapalhada e diz:
-"Hã? O quê? O que é que disseste?"

Repeti a chalaça. Ela permanece confusa e desorientada. Perante isso eu peço-lhe para esquecer e retomar a sua interpretação. Foi uma questão de segundos apenas, não mais que isso. Mas aquela rapariga que ficou logo desorientada não soube aproveitar um momento rico para o improviso. Um que o seu próprio gesto criou e que a minha observação abriu portas para ironias. Eu teria feito melhor, teria sido espontânea. Sem treino, sem experiência sem "carimbo" de primeira dama de teatro. E foi aqui que percebi que nem tudo o que diz ser peixe é realmente peixe... No final da sua verborreia poética, o grupo aplaudiu, reforçando à atriz que ela esteve muito bem. Esta por sua vez, com uma falsa humildade e modéstia bebeu os aplausos como se deles necessitasse para viver. Aplaudi o seu esforço, como respeitosamente se faz a qualquer pessoa que exponha o seu trabalho desta forma mas não fui capaz de reproduzir os exagerados elogios, que afirmavam que ela era uma grande atriz. Fez o seu melhor, que estava longe de ser bom. E não soube apanhar um improviso lançado de graça para personificar melhor a sua interpretação. Estava presa a uma forma de interpretar tão obsoleta, que consistia apenas em memorizar palavras e clamá-las ao vento sem errar (ela errou).

E é com este exemplo que introduzo o tema do IMPROVISO.
Gosto do improviso em cena. Conseguia perceber ao assistir uma novela ou filme quando uma parte não estava prevista mas acabou incluída na trama. A forma como os atores se "soltam" e dão de si às personagens (suas e dos outros) e dão à história e à interpretação fica muito mais enriquecida. É um deleite assistir. E se existe hoje uma novela onde esse improviso pode ser observado, essa novela é AVENIDA BRASIL. Todos os núcleos têm alguma liberdade para interpretar suas personagens mas o núcleo da família de Tufão é particularmente FÉRTIL nos diálogos improvisados. Não são só os diálogos, é toda uma postura corporal também. "ADALTO" é o meu favorito nesse aspecto, pois acho que não é tão fácil quanto o ator dá a entender fazer aquela personagem no timming que ele consegue e da forma como ele consegue. Todos aqueles actores, onde se inclui uma inexperiente criança, conseguem fazer longas cenas sem aparentemente existirem cortes de edição pelo meio, simplesmente por conseguirem entregar os diálogos todos entroncados noutros e improvisando "encaixes" até alguém mais dar continuidade ao guião e introduzir o excerto de texto seguinte. É uma delícia e gente, ator que é ator TEM de saber acolher o improviso. Aliás,  acho que este é uma mais-valia para qualquer ator!



Amora Mautner, que entrou como atriz na novela VAMP (1991),

tem crescido profissionalmente como directora de novela.

Com créditos firmados, teve a seu cargo a responsabilidade de Directora Geral 

na novela Avenida Brasil função que transfere para a novela Jóia-Rara

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segunda-feira, 3 de junho de 2013

A mensagem de Avenida Brasil

Se existe uma lição importante a tirar da história da novela "Avenida Brasil" é apenas esta: tudo o que uma pessoa faz para a família tem repercussões.

Podem passar gerações mas algo feito lá atrás acaba sempre por influenciar um pouco as gerações seguintes. Existe algo que é transmitido nos hábitos, no trato, na postura e esse algo passa para os que os rodeiam, influenciando-os, marcando-os. E é reproduzido, como um ciclo vicioso. Mudam as circunstâncias, o ambiente, a exposição aos elementos mas se a essência não mudar, "Carminhas" vão ser mães com preferências por filhos e que vão criar filhas obesas com problemas de auto-estima e filhos complicados com problemas de tudo. Por sua vez, quando estes forem pais, provavelmente também passarão alguma dessa ansiedade aos filhos. Uma ansiedade que começou lá atrás, não na mãe, não na avó, nem na bisavó... Uma reação em cadeia.


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domingo, 21 de abril de 2013

Momentos forçados *2 - Avenida Brasil

No seguimento dos "momentos forçados" nas novelas - todos aqueles que não batem muito bem, quem reparou que naquele quartinho de empregada da Nina só não é possível escutar o que se diz e faz lá dentro quando CONVÉM?

Exemplo1: 
Nina e Jorginho entregam-se em paixão ou então discutem alto, gritam. Nunca ninguém os ouve! Aliás, em todo este tempo, ninguém alguma vez deu conta do rapaz andar por aquela bandas. 

Exemplo2:
Quando MAX manda assaltar a mansão e Nina activa o alarme, depois esconde Lúcio no seu quarto. A sempre desconfiada e atenta Zézé nem aparece. Terá tido uma noite de folga ou foi mesmo falta de credibilidade na história? Nina já havia dito que o quarto dela era mesmo ao lado e ela tinha sono leve...

Exemplo3:
Quando Nina está a conversar com Max no quarto, falando alto, escuta a voz de Janaína gritando para que se apresentasse à patroa. Nina responde através da porta. Mas para escutarem os sons de Max lá dentro é que nada...

Exemplo4:
Carminha manda Zézé escutar atrás da porta a conversa de Nina com a irmã. Esta não tem muita dificuldade em as ouvir, tim tim por tim tim o que as duas conversavam no quarto, quase a sussurrar. Haja ouvidos!

Uns MOUCOS para não escutarem os sons da paixão e os gritos da discussão. Outros bem apuradinhos, para escutar uma agulha a cozer um tecido. Novelas...

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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Momentos forçados *1 - Avenida Brasil

Este post já está para sair faz tempo. A novela Avenida Brasil é das melhores que tem sido feita nos últimos tempos no registo contemporâneo mas, ainda assim, tem vários momentos em que a trama se desenrola com base em situações forçadas. Vejamos algumas sobre as quais tenho vindo a querer falar.

1- JORGINHO
E a sua memória prodigiosa.
Com que idade é que ele foi para o lixão? Eu digo: três anos. Mas ainda assim ele consegue-se lembrar da existência da mãe, do homem que seria o pai e também da casa, da arquitectura da casa, como das escadas, depois do cachorro... Como se não bastasse tudo isto, tem uma sorte para caraças: não é que descobre uma madrinha, depois o nome de baptismo e para cúmulo, no lixão está a sua roupa de bebé e o peluche, do qual se lembra. É aí que ele lembra que teve cachorro e como este era. Mas olhem só a sorte deste perturbado com o passado, que não acaba aqui. Ele logo de seguida entra em casa e está ali na sua frente um porta-retrato de Carminha, segurando o cachorro que ele acabou de lembrar. Associa logo uma coisa à outra. Isto é um momento forçado. Carminha rica ia guardar uma foto dos tempos em que era jovem e pobre a segurar um cachorro e ainda por cima mandar emoldurar no meio da sala. Tudo o que levou à descoberta de Jorginho foi forçado demais.

2- NINA
E a sua incapacidade de reunir provas incriminatórias mais cedo
Nossa! Com acesso a dinheiro, esperta, capaz até de se meter no meio de um sequestro sem ser detectada e ainda sair com metade do dinheiro que ia servir de resgate, é um feito! No entanto, a esperteza não lhe serviu para comprar um telemóvel com câmara de filmar... Tentou fotografar Carminha a beijar Max mas enquanto pressionava o obliterador, o momento passou! Tadinha... Teve de ralar mais 80 capítulos para conseguir alguma coisa. É que nem se lembrou de colocar minúsculas câmaras de vigilância nos locais de rendezvous dos dois namorados. Não tem cabimento.    


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domingo, 10 de fevereiro de 2013

O contributo da EQUIPE



Tenho vindo a reforçar que o sucesso de uma obra televisiva passa pela equipa inteira. Nenhum actor, por mais talentoso que seja, não beneficia a sua prestação com o trabalho de outro profissional. Desde os textos do autor, ao guarda-roupa, cabeleireiro e maquilhagem. Tudo é simbiótico, é parceria. 

E nesse tecla gostava de falar do contributo dos FIGURINISTAS e CABELEIREIROS na novela "Avenida Brasil": Vou falar nesta novela, mas podia falar de qualquer uma. Porém esta presta-se a exemplos perfeitos. Uma novela cheia de jovens e já não tão jovens protagonistas, com espaço para todos brilharem. "Gatões", "gatonas", os actores entram pela casa a dentro no seu melhor. Mas e quando tiram o figurino e se despedem das personagens, desmanchando os cabelos, o que fica é muito ou pouco parecido? 

Não é nada! São duas pessoas diferentes: a personagem e o actor que lhe dá vida. Semelhanças fisícas existem muitas mas são os detalhes, que fazem das novelas um mundo de fantasia à parte. Muito desse contributo MÁGICO é mérito dos FIGURINISTAS, maquilhadores e CABELEIREIROS. São esses os profissionais que vim homenagear com um post. Sem eles, os «gatos e gatas» não seriam tão belos! :D Obrigado pessoal.

ROSTOS na novela AVENIDA BRASIL

Daniel Rocha, intérprete de "Roni"
O actor beneficia dos cabelos ondulados e "picados" à frente para compor o visual e personalidade da personagem. Vejam a foto "dentro" e "fora" da caracterização.




As fartas cabeleiras das personagens femininas... Nada fáceis de conseguir no dia a dia! Haja Globo...

Fabíula Nascimento: na vida real a intérprete de Olenca não tem nada a ver
com o figurino transado e o cabelo certinho da personagem

Cachos de Camila Morgado, intérprete de Noêmia


E para desenjoar da roupa sem graça e do uniforme de empregada
que "nina" usa, aqui ficam as imagens da Nina armada
em "Carminha" eeheheh.

BRINCADEIRA!! Mas é para onde a personagem caminha, não é?














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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Afinal é bicho SIM!!

ARIRANHA

É este o nome pelo qual MonaLisa (Avenida Brasil) se refere a Sueli.
E não é que é bicho? Ariranha é uma espécie de lontra que se pode achar à beira dos rios no Pantanal, América do Sul.


E como familiar de lontra que é, a ariranha gosta, de facto, de água! Não admira que MonaLisa, perante o desalojamento de Sueli durante uma tempestade, simplesmente diga:  
"E ariranha lá tem medo da chuva?".

Não. Não tem. E é um bicho bem engraçadito, quer conhecer?

Ariranha se bronzeando ao sol pantanense

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sábado, 12 de janeiro de 2013

Piriguete - que BICHO é esse?

Já não é a primeira vez que as novelas brasileiras trazem uma nova expressão ao conhecimento do léxico português. Em "Avenida Brasil", a personagem de Sueli (Isis Valverde) é constantemente referida como sendo uma Piriguete. Numa ocasião em que Sueli fica sem ter onde morar e vai para as ruas no meio de uma tempestade, a mãe de Iran (Bruno Gissoni) comenta que «piringuete gosta de chuva». Mas que animal é esse?

Piriguete é uma expressão brasileira totalmente inventada. Não se refere a nenhuma espécie de animal, não tem significado duplo. Existe apenas para identificar um tipo de mulher. "Adeus" alpinista social, olá piriguete!  Eis algumas definições extraidas da net:

«Piriguete é uma gíria brasileira que designa uma mulher jovem com múltiplos parceiros sexuais e que procura  homens comprometidos e com alto poder aquisitivo para relações em que eles bancam todas as despesas. Geralmente anda em grupos com outras moças que compartilhem os mesmos valores. Hoje é um dos termos mais usados pelos Brasileiros quando se quer chingar uma mulher, uma garota que fica de safadeza e querendo se exibir para os homens...O termo teve origem em Salvador, capital baiana».


Esclarecidos?
Bom, é muito bonito saber isto. Mas deixa no ar a interrogação: e que termo inventaram os Brasileiros para os homens jovens com múltiplos parceiros sexuais que procuram mulheres maduras e com alto poder económico para os sustentar? Porque também tem, né?


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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Último dia do ano 2012

E vai ser neste blogue que vou fazer referência ao ano que se abandona. Mas pelas novelas. No ar estão muitas que vão transitar para 2013. E tem sido um bom ano noveleiro. "Avenida Brasil", no topo, "Gabriela" a divertir muitos, isto só para mencionar as Brasileiras.

Falando das portuguesas, finalmente conseguimos assistir ao final da saga "Remédio Santo", que nos trouxe um final diferente, três para ser precisa, com a opção sendo do espectador. A substituí-la veio "Louco Amor", uma trama igualmente boa mas que depressa revelou imensas fragilidades, valendo apenas por uma ou duas histórias centrais e sendo fraca e às vezes medíocre e previsível nas restantes histórias e personagens. Naturalmente, a concorrência ganhou com isso, e aos poucos sobressai "Dancin'Days", adaptação portuguesa da história brasileira que "La Braga" protagonizou na década de 70, com Joana Santos no seu papel, numa prestação plástica e sem sabor, mas que de resto é fascinante, com excelentes interpretações, destacando a revelação que tem sido a cada episódio o talento de  Joana Santos (Mariana) e a constatação reforçada de outros, como de Pedro Diogo (Cristóvão), João Ricardo (Hernani), Cristina Homem de Melo (Teresa), Igor Sampaio (Alberto Galvão), Guilherme Filipe (Urbano), Miguel Costa (Ivo), Custódia Galego (Áurea), entre muitos outros. 

Sem grandes hipóteses deste ano levar pela 3ª vez consecutiva um Emmy, as novelas portuguesas concorreram ao certame e perderam, pasme-se, para o remake da novela brasileira "O Astro". A meu ver, os juízes não estiveram para ver horas infindáveis de novela, (deviam levar isto em consideração quando submetem obras muito esticadas ao prémio) e preferiram a curta "O Astro". São um total de 64 capítulos contra, a exemplo, os 368 episódios de Remédio Santo! Mas como também se comprovou ao ser exibida na SIC este ano, este remake teve excelentes interpretações de alguns actores veteranos, como é o caso de Regina Duarte, mas de pouco valeu em termos de qualidade na história.

E fiquemos por aqui em termos de novelas.
Algumas vão continuar connosco em 2013, outras deixam-nos em 2012.
Não importa realmente, porque são obras intemporais, que continuarão a ser vistas pelas gerações futuras.

Ah! Já me esquecia... e tenham um ano de merda, gente!


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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A importância dos BONS atores e as pessoas CERTAS no papel certo.... (AVENIDA BRASIL)


O rapto de "Carminha" na novela "Avenida Brasil" ocupou grande parte da novela a semana passada e proporcionou os momentos mais hilariantes de sempre. Quando ela manda vir com os bandidos e após perceber que o condutor do carro de fuga podia enfartar a qualquer instante e o outro não sabia conduzir, dispara: "Mas que bandidos de merda!" , fiquei para morrer de rir! É que há que saber fazer... e ali sabem. O bandido "Moreira", actor cujo  nome por enquanto desconheço, também esteve brilhante no seu papel. E quando isto acontece... 

Voltei a refletir na importância de uma actriz/actor no seu respectivo papel. Ver Adriana Esteves a desempenhar a sua Carminha e pensar:
"Que bem que ela fez esta expressão! Que bem que ela muda de expressão! Que bem que ela sabe passar duas emoções opostas em simultâneo!" É que não é para todos. Requer prática e mesmo alguns com ela, não chegam lá tão bem. E Max (Marcelo Novaes) ao contracenar com Adriana, parece «morrer» um pouco ali, não desfazendo o talento mais que comprovado do actor, dei por mim a pensar: "ele podia ter roubado a cena deste jeito. Podia ter aproveitado este plano para inserir esta emoção..." Coisas até técnicas e chatas, mas que somando todas depois sai dali algo melhor, mais requintado. 

Ao mesmo tempo que constatava estas coisas, ia pensando na carreira e no quanto a profissão pode ser ingrata. Adriana Esteves entrou na novela "Meu Bem Meu Mal" mas depois recebeu fortes comentários negativos ao seu talento na representação na altura em que fez o papel principal da novela "Renascer". Diz-se que chegou a pensar em desistir e entrou em depressão. Depois voltou como protagonista em "A Indomada", num papel duplo, e  conquistou o público com uma postura mais madura. E claro, depois veio "O Cravo e a Rosa", e consagrou-se na comédia... Mas ainda teve "Sandrinha", em "Torre de Babel", uma miúda que era uma víbora mas desempenhava o papel de santa, só queria dar o golpe do baú. Que bom que foi deixarem-na amadurecer, porque o esforço valeu a pena: está ali uma boa actriz, pequenina em estatura mas GRANDE em talento. Ainda me lembro da sua estreia na novela "Top Model", no papel da adolescente "Tininha", que acaba grávida do namorado e tem de contar à avó que a criou o que lhe está acontecendo. Começou crua e cresceu para se firmar uma excelente actriz. Que bom para o público, não é mesmo? 

O resultado final de uma cena que consideramos perfeita, depende de muito mais que o talento de uma só pessoa. Na verdade depende da equipa toda, dos colegas, do realizador, dos câmaras, dos sonoplastas, do editor de imagem, dos figurinistas, do timming até... Mas cada vez que aparece essa "cereja em cima do bolo", é como deixar um rebuçado derreter lentamente na boca... de tão bom que é de ver.


Como antagonista desta vilã temos outra personagem bem escrita: Rita/Nina. Quando soube quem a ia interpretar o entusiasmo não foi grande, não por ter algo contra o talento da actriz, mas simplesmente porque espero sempre para ver, o mesmo acontecendo com Adriana. Por vezes são coisas insignificantes que contribuem para uma cumplicidade menor entre personagens que se querem antagonistas. Coisas pequenas, que não se identificam bem... mas gostava de ver menos maneirismos do passado, mais garra e ódio em "Rita", ainda mais porque optou por esse sentimento como rumo de vida. Daí a se transformar numa "Carminha" deve existir uma ténue linha... Quando se revolta, "Rita" só age quase sempre da mesma forma e só desabafa com uma pessoa. Algo não fica bem, vê-la o tempo todo educada e instruída, a ensinar todos na família de Carminha como vestir, o que é bom comer, o que é bom ler... é até enervante. Deviam existir ali momentos explosivos que ninguém entendesse... um misto de emoções. Afinal, ela escolheu a VINGANÇA como rumo de vida...

Porque o resultado de uma dupla em novela, seja de antagonistas ou de namorados, nunca pode ser 100% garantida... depende de muitos factores. Algumas duplas têm surpreendido e ficaram na memória televisiva dos que as viram, como "Raquel (Regina Duarte) e Maria de Fátima (Glória Pires)" em "Vale Tudo", Fernanda Montenegro e Paulo Autran em "Guerra dos Sexos", Fefé (Cristina Pereira) e Leozinho (Diogo Vilela) em Sassaricando....  Mas na verdade nunca se sabe. O resultado depende não só da cumplicidade entre actores, até porque muitas das vezes os melhores pares são protagonizados por pessoas que não se suportam,  depende também do mesmo conjunto que remete à equipa toda: desde os cérebros que escrevem as tramas, aos que as vão interpretar. Tudo conta. É ou não é isto fascinante?  

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Ivana e Max em Avenida Brasil


Episódio 31º da novela "Avenida Brasil" no ar.
Entra em cena "Ivana" (Letícia Isnard), que grita para o marido "Max" (Marcelo Novaes):

-"Neném! Ai Neném! Estou com saudade! Pitxuquinho!!" - tudo isto dito num tom de voz de bebé.

Ahahh! Ninguém agueeenta!

É que nem o pior dos vilões merece eheeehe! Ivana é insuportável quando fica "romântica". Em qualquer outra circunstância é uma personagem perspicaz, inteligente, mulher de negócios... Mas quando entra em "romance mode" LOL, é tortura pura. Max, que se casou por interesse, merece uma punição, é verdade, mas conviver com aquilo é um castigo constante. Beinziiiiinho!! Xuxxurriiinhoooo! Pitxuquinhoooo!! - a toda a hora. Mas porquê ele nunca lhe disse: "Amô, gosto muito de'ocê, ma mata essa vois infantiu si qué augo cumigu!"


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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Maria de Fátima em "Avenida Brasil"


"Avenida Brasil" vai ainda nos primeiros capítulos mas já tem uma dinâmica muito cativante. Ver Adriana Esteves (Carminha) enrolada com Max se transformar numa cândida viúva triste com a aproximação de "Tufão", faz lembrar "Maria de Fátima" em Vale Tudo.

Toda a dinâmica do golpe, a cumplicidade e o planeamento com o cúmplice, a forma como se "descartam" dos que se metem pelo caminho, traz de volta "Maria de Fátima". Suspeito que Carminha não vai ser uma vilã que só é odiada, ela vai também fascinar. Vai partilhar com "Maria de Fátima" alguma compaixão e compreensão, porque adivinha-se que a vilã deve ter passado o "pão que o diabo amassou" na sua meninice. Mas isso não desculpa as escolhas de vida...   

A história é tão boa que se desculpam todas as partes menos credíveis. A forma como "MonaLisa" , uma autêntica Raquel Acioli, adopta de imediato aquela criança sem se perguntar se além de mãe ela tinha pai, tios, tias ou avós, por exemplo*. Desculpa-se que se mostre uma realidade com que muitos embirram, por não desejarem que se evidencie em novelas, que é os meninos que catam lixo no Brasil. A história é bem feita, é doce, cativa. Cativa como poucas conseguem nos dias que correm. 

E isto é um bom sinal. Espelha também as mudanças sociais e económicas que progressivamente ocorrem no Brasil. Há não tão pouco tempo boas novelas como esta teriam sido um tanto ou quanto preteridas em favor de tramas mais fáceis e menos complexas. (ver abordagem aqui). Boas novelas não espelhavam boa audiência, perdendo para boletim básicos. Isso está a mudar. E pelo todo, é um excelente sinal!  

* MonaLisa depois de se apegar ao miúdo, lá lhe pergunta sobre os familiares. Esta nova "Raquel Aciolli" não teve de tirar meninos da rua para vender sandes na praia, mas haverá decerto na trama alguém que tente ajudar os meninos da lixeira. Muito bom, muito parecido, bela história

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