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quarta-feira, 25 de junho de 2008

Mais impressões

Ciranda de Pedra

Está a conquistar-me. Ainda vai no início mas estou a achá-la simpática. Ao contrário do que se pensa, esta novela não é um remake. Ela é uma nova visão da mesma história, ambientada nos anos 50, com base no livro mas também, na outra novela.

Apenas duas personagens, até agora, não me convencem: Frau Heta e a Prof. Margarida. Em relação a esta última, já disse que acho Cléo pouco expressiva. Ou melhor: algo no seu desempenho corporal contrasta com o pretendido, e soa a falso. Falta-me ver a actriz no papel de vilã. No de mocinha não convence ou alguma vez convenceu.

A Frau Heta de Ana Beatriz Nogueira não tem uma ponta de sotaque alemão. Nem sotaque, nem hábitos ou trajectos. Talvez a solução seja descobrir que nem alemã ela é. Nada nela nos faz saber a sua origem. Não fossem os outros chamá-la pelo nome que tem. Verifiquei que a actriz, que tanto quanto sei estava a trabalhar na rede Record, até pronunciou uma mesma frase comum ás personagens de Ciranda de Pedra e Essas Mulheres, com o mesmo timbre, trejeitos, postura e linguagem corporal. Não esperava uma Frau Heta nem sequer semelhante à de Norma Brum. Cada actor tem a sua maneira de ser e mostrar um personagem. Mas sinto falta de autenticidade. De algo que denuncie a sua origem alemã. Uma maldade mais marcada, uma ameaça que fique no ar com o peso de temor, algo assim. Esta Frau Heta de 1950 apenas me parece uma pessoa que quer ser má, mas não é. A sua interpretação não mete medo ou intimida.

Mas a trama ainda vai no início. Tem de se ver que direcção as personagens vão tomar no resto da história. Sabe-se que é suposto Laura morrer e aí a trama muda de rumo. Ana Paula Arósio é uma actriz que estou ansiosa por ver de vilã. Desde Terra Nostra, nas cenas em que Madame Janete conta a sua versão da história do parto colocando Giuliana de vilã e também nas cenas em que esta foi verbalmente agressiva com Paola e Mateu, que o olhar intenso da actriz promete uma vilã de meter medo. Talvez desse uma Frau Heta muito mais temida! Quem sabe por altura da 3ª versão da obra? :) Afinal, não são as mais bonitinhas aquelas que conquistam de loucura os homens.

Beleza Pura:
Norma é a vilã que não conseguimos odiar (ainda). Ela faz as suas traquinices com charme, inteligência e até simpatia. O que praticamente eclipsa o facto de ter sido ela a responsável pela sabotagem do helicóptero Carcará. Aliás, que nome curioso! Porquê Carcará? Sempre achei que era um nome pejorativo, pois acrescido de sanguinolento, era assim que Major Bentes e Demóstenes, da novela Fera Ferida, se referiam a Flamel (Edson Celulari) para o ofender. Porquê baptizar com tal cognome tal projecto?

Nesta novela, as interpretações que menos gosto de ver, são, sem dúvida, a do casal Eduardo e Débora. Não me convencem. Talvez não ajude que toda a situação que os dois vão viver seja previsível e até já vista antes. Mas são as fracas interpretações que, a meu ver (e até agora) não dão mais interesse às suas histórias. Afinal, quase tudo pelo menos uma vez já foi feito antes. A história entre os dois tem muito interesse em termos de desenvolvimento. Os dois a apaixonarem-se e a descobrirem as suas semelhanças pelas diferenças dos ex-conjugues, a afinidade que promete ser mais sólida que as relações anteriores que, afinal, estavam cheias de defeitos… só que, para mim, não sinto essa projecção nas interpretações. São banais. Perdoem-me os actores, com quem simpatizo, mas é a impressão que me dá.

Gosto de ver os “coadjuvantes” das personagens principais, a Suzy e o Raul. Ela então, é uma delícia. Com aquela voz tranquila, diz as maiores das barbaridades a nível de vaidades e preconceitos, com um jeito natural que quem a escuta, quase não percebe a conotação crítica e exigente que tem. É por este tipo que os homens caiem! As espertinhas.

Quando digo que Beleza Pura foge a certos clichés, falo, por exemplo, do facto de Norma ter denunciado a presença não autorizada de Guilherme nas ex-instalações de trabalho e este, ao invés de desconfiar dela apenas por um instante para logo de seguida se redimir em desculpas e arrependimento ou depositar uma cega na amizade dos dois, fica desconfiado e não muda de ideias. Outro exemplo é Joana descobrir na presença de Guilherme a sua culpa no acidente com o helicóptero e sair a correr, sendo seguida por este. Ao invés dela conseguir entrar no táxi e ele ficar a lamentar não a ter conseguido alcançar, como é cliché acontecer, Guilherme alcança-a e os dois, voltam a fugir ao cliché ao não se separarem após a troca de mais umas palavras intepestivas. Ao invés, ele a leva no carro e os dois conversam de seguida, no apartamento. São situações que, muito facilmente podiam cair nestes clichés, mas Beleza Pura parece se esquivar deles. Ainda bem.

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sábado, 14 de junho de 2008

Beleza Ciranda Pura de Pedra

Já vi com mais atenção estas duas novelas que se estrearam. São ambas agradáveis de acompanhar. Como um ursinho de peluche: estão ali, são engraçadas, fofas. Um grande ponto a favor de ambas, é que nenhuma nos presenteia com dejá-vus atrás de dejá-vus e coisas mais que ditas e feitas, como é o caso de toda a trama de 7 Pecados. Têm algo de fresco e suave.
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Outro aspecto favorável, para Beleza Pura é que, ao contrário de Ciranda de Pedra, a história é pioneira e nunca foi transformada em roteiro de televisão. Nesse aspecto, a outra será mais "fácil" de fazer, pois já se conhece a história e os defechos das personagens. Beleza Pura retrata as mesmas histórias comuns, de amor, triângulos amorosos, sabotagem, intrigas... mas consegue fazê-lo sem recorrer ao "mais que visto". É engraçada. Assim como "Ciranda", dá para acompanhar com gosto, que distrái e diverte.
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CIRANDA::
Coitado de Marcelo Antony. No que respeita a viver uma história de amor com Ana Paula Arósio, não tem sorte. Nem em Terra Nostra, onde não era correspondido, nem em Ciranda de Pedra, onde é. Laura ama Daniel, mas nem com uma filha em comum, o casal consegue a união! Não desistam. Dizem que há terceira é de vez.
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Ponto negativo vai para Cléo Pires. Deve ter puxado mais ao pai. Acho bem que se dêm muitas oportunidades e um variado leque de personagens para um actor se expressar neste veículo. Mas Cléo parece-me apagadinha na expressividade, além da dicção que por vezes não entendo ou oiço. O mesmo problema sempre teve Daniel Dantas. É mais difícil acreditar num vilão cujas ameaças por vezes desaparecem por entre sílabas que parecem pronunciadas para dentro.
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A ganhar pontos, outra filha de actores: Leandra Leal. Não se pode dizer que surpreenda, pois a actriz já provou antes saber domar tais personagens. Ainda assim, há que dizer que é uma interpretação gostosa de ver. Assim como a de Osmar Prado. Também não surpreende, pois o seu talento para tais figuras já é conhecido. O actor nunca deixou de interpretar muito bem uma personagem , fosse qual fosse, grande ou pequena, na Globo ou fora dela. Sem dúvida, um talento a mercer maior reconhecimento.
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Não sei porquê criticaram o facto de Arósio estar a interpretar uma mulher numa faixa etária ligeiramente superior à sua. Além de estar bem (desde que não dê em histérica) e não ser iverosímel, estou cansada de ver homens mais velhos a interpretarem moços novos e a namorar meninas que podiam ser suas filhas. Só incomoda quando muda o género?
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Compreendo um dos problemas: existem actrizes na faixa etária adequada, igualmente talentosas. Para mulheres, é sempre muito mais difícil obter um papel. Ás vezes não se lembram delas. E mais depressa uma mulher interpreta um papel de outra mais velha, que o contrário. Parece por isso, que a carreira de actriz e a disponibilidade de papéis é muito mais reduzida.

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