Maria de Fátima em "Avenida Brasil"
"Avenida Brasil" vai ainda nos primeiros capítulos mas já tem uma dinâmica muito cativante. Ver Adriana Esteves (Carminha) enrolada com Max se transformar numa cândida viúva triste com a aproximação de "Tufão", faz lembrar "Maria de Fátima" em Vale Tudo.
Toda a dinâmica do golpe, a cumplicidade e o planeamento com o cúmplice, a forma como se "descartam" dos que se metem pelo caminho, traz de volta "Maria de Fátima". Suspeito que Carminha não vai ser uma vilã que só é odiada, ela vai também fascinar. Vai partilhar com "Maria de Fátima" alguma compaixão e compreensão, porque adivinha-se que a vilã deve ter passado o "pão que o diabo amassou" na sua meninice. Mas isso não desculpa as escolhas de vida...
A história é tão boa que se desculpam todas as partes menos credíveis. A forma como "MonaLisa" , uma autêntica Raquel Acioli, adopta de imediato aquela criança sem se perguntar se além de mãe ela tinha pai, tios, tias ou avós, por exemplo*. Desculpa-se que se mostre uma realidade com que muitos embirram, por não desejarem que se evidencie em novelas, que é os meninos que catam lixo no Brasil. A história é bem feita, é doce, cativa. Cativa como poucas conseguem nos dias que correm.
E isto é um bom sinal. Espelha também as mudanças sociais e económicas que progressivamente ocorrem no Brasil. Há não tão pouco tempo boas novelas como esta teriam sido um tanto ou quanto preteridas em favor de tramas mais fáceis e menos complexas. (ver abordagem aqui). Boas novelas não espelhavam boa audiência, perdendo para boletim básicos. Isso está a mudar. E pelo todo, é um excelente sinal!
* MonaLisa depois de se apegar ao miúdo, lá lhe pergunta sobre os familiares. Esta nova "Raquel Aciolli" não teve de tirar meninos da rua para vender sandes na praia, mas haverá decerto na trama alguém que tente ajudar os meninos da lixeira. Muito bom, muito parecido, bela história.
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