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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A importância dos BONS atores e as pessoas CERTAS no papel certo.... (AVENIDA BRASIL)


O rapto de "Carminha" na novela "Avenida Brasil" ocupou grande parte da novela a semana passada e proporcionou os momentos mais hilariantes de sempre. Quando ela manda vir com os bandidos e após perceber que o condutor do carro de fuga podia enfartar a qualquer instante e o outro não sabia conduzir, dispara: "Mas que bandidos de merda!" , fiquei para morrer de rir! É que há que saber fazer... e ali sabem. O bandido "Moreira", actor cujo  nome por enquanto desconheço, também esteve brilhante no seu papel. E quando isto acontece... 

Voltei a refletir na importância de uma actriz/actor no seu respectivo papel. Ver Adriana Esteves a desempenhar a sua Carminha e pensar:
"Que bem que ela fez esta expressão! Que bem que ela muda de expressão! Que bem que ela sabe passar duas emoções opostas em simultâneo!" É que não é para todos. Requer prática e mesmo alguns com ela, não chegam lá tão bem. E Max (Marcelo Novaes) ao contracenar com Adriana, parece «morrer» um pouco ali, não desfazendo o talento mais que comprovado do actor, dei por mim a pensar: "ele podia ter roubado a cena deste jeito. Podia ter aproveitado este plano para inserir esta emoção..." Coisas até técnicas e chatas, mas que somando todas depois sai dali algo melhor, mais requintado. 

Ao mesmo tempo que constatava estas coisas, ia pensando na carreira e no quanto a profissão pode ser ingrata. Adriana Esteves entrou na novela "Meu Bem Meu Mal" mas depois recebeu fortes comentários negativos ao seu talento na representação na altura em que fez o papel principal da novela "Renascer". Diz-se que chegou a pensar em desistir e entrou em depressão. Depois voltou como protagonista em "A Indomada", num papel duplo, e  conquistou o público com uma postura mais madura. E claro, depois veio "O Cravo e a Rosa", e consagrou-se na comédia... Mas ainda teve "Sandrinha", em "Torre de Babel", uma miúda que era uma víbora mas desempenhava o papel de santa, só queria dar o golpe do baú. Que bom que foi deixarem-na amadurecer, porque o esforço valeu a pena: está ali uma boa actriz, pequenina em estatura mas GRANDE em talento. Ainda me lembro da sua estreia na novela "Top Model", no papel da adolescente "Tininha", que acaba grávida do namorado e tem de contar à avó que a criou o que lhe está acontecendo. Começou crua e cresceu para se firmar uma excelente actriz. Que bom para o público, não é mesmo? 

O resultado final de uma cena que consideramos perfeita, depende de muito mais que o talento de uma só pessoa. Na verdade depende da equipa toda, dos colegas, do realizador, dos câmaras, dos sonoplastas, do editor de imagem, dos figurinistas, do timming até... Mas cada vez que aparece essa "cereja em cima do bolo", é como deixar um rebuçado derreter lentamente na boca... de tão bom que é de ver.


Como antagonista desta vilã temos outra personagem bem escrita: Rita/Nina. Quando soube quem a ia interpretar o entusiasmo não foi grande, não por ter algo contra o talento da actriz, mas simplesmente porque espero sempre para ver, o mesmo acontecendo com Adriana. Por vezes são coisas insignificantes que contribuem para uma cumplicidade menor entre personagens que se querem antagonistas. Coisas pequenas, que não se identificam bem... mas gostava de ver menos maneirismos do passado, mais garra e ódio em "Rita", ainda mais porque optou por esse sentimento como rumo de vida. Daí a se transformar numa "Carminha" deve existir uma ténue linha... Quando se revolta, "Rita" só age quase sempre da mesma forma e só desabafa com uma pessoa. Algo não fica bem, vê-la o tempo todo educada e instruída, a ensinar todos na família de Carminha como vestir, o que é bom comer, o que é bom ler... é até enervante. Deviam existir ali momentos explosivos que ninguém entendesse... um misto de emoções. Afinal, ela escolheu a VINGANÇA como rumo de vida...

Porque o resultado de uma dupla em novela, seja de antagonistas ou de namorados, nunca pode ser 100% garantida... depende de muitos factores. Algumas duplas têm surpreendido e ficaram na memória televisiva dos que as viram, como "Raquel (Regina Duarte) e Maria de Fátima (Glória Pires)" em "Vale Tudo", Fernanda Montenegro e Paulo Autran em "Guerra dos Sexos", Fefé (Cristina Pereira) e Leozinho (Diogo Vilela) em Sassaricando....  Mas na verdade nunca se sabe. O resultado depende não só da cumplicidade entre actores, até porque muitas das vezes os melhores pares são protagonizados por pessoas que não se suportam,  depende também do mesmo conjunto que remete à equipa toda: desde os cérebros que escrevem as tramas, aos que as vão interpretar. Tudo conta. É ou não é isto fascinante?  

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Um rapto na Novela

Era bom que assim fosse!

Na novela Remédio Santo, Sara rapta a filha à porta da escola, usando clorofórmio para a entorpecer e foge rumo à fronteira no carro roubado à patroa Violante.

Horas ou minutos mais tarde, a patroa dá conta do roubo e telefona à polícia para o participar.
Depois Celso, pai da menina, recebe um telefonema da ESCOLA a perguntar pelo PARADEIRO da filha, que tinha sido vista à porta da escola a falar com a mãe, junto a um carro.

CELSO telefona para a polícia e faz de imediato uma participação de rapto. Ninguém viu que a menina partiu com a mãe, muito menos percebeu a forma como isso aconteceu.

Não faço  ideia como se participa um rapto ou como é a acção da POLÍCIA, mas DUVIDO MUITO, ainda mais neste país burocrático e tecnologicamente atrasado, que a coisa possa passar-se COMO NA NOVELA. Aqui se seguem as dúvidas:

A polícia aceita POR TELEFONE sem documentos ou testemunhas uma participação de rapto?
A polícia faz bloqueios na estrada antecipando-se em distância à fugitiva?
A polícia apenas com uma participação por telefone (vamos supor que entretanto Celso passou por uma esquadra) manda imprimir as fotografias das pessoas desaparecidas?
A  polícia avista um carro que fica parado à distância na estrada e não acha suspeito ao ponto de averiguar?
A polícia algema Sara depois de a apanhar a tentar atravessar a fronteira e quando chega outro veículo, continua a algemar sem alertar a pessoa para se afastar? (Podia ser um agressor)
A polícia deixa que Celso, que é quem chega de carro, corra em  direcção à filha e a agarre sem provar a sua      identidade?

Ou seja: a história é toda muito bonita e nós gostamos de ver coisas que funcionam tão bem, mas é pouco autêntica. Tomara que não fosse! Tomara que qualquer criança raptada pudesse ser socorrida com esta eficácia. Tomara... que a polícia se antecipasse na fronteira, que a participação fosse rápida, que chegar à fronteira não fosse fácil de acontecer antes mesmo de se dar conta de um desaparecimento.

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