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segunda-feira, 3 de junho de 2013

A mensagem de Avenida Brasil

Se existe uma lição importante a tirar da história da novela "Avenida Brasil" é apenas esta: tudo o que uma pessoa faz para a família tem repercussões.

Podem passar gerações mas algo feito lá atrás acaba sempre por influenciar um pouco as gerações seguintes. Existe algo que é transmitido nos hábitos, no trato, na postura e esse algo passa para os que os rodeiam, influenciando-os, marcando-os. E é reproduzido, como um ciclo vicioso. Mudam as circunstâncias, o ambiente, a exposição aos elementos mas se a essência não mudar, "Carminhas" vão ser mães com preferências por filhos e que vão criar filhas obesas com problemas de auto-estima e filhos complicados com problemas de tudo. Por sua vez, quando estes forem pais, provavelmente também passarão alguma dessa ansiedade aos filhos. Uma ansiedade que começou lá atrás, não na mãe, não na avó, nem na bisavó... Uma reação em cadeia.


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terça-feira, 13 de novembro de 2012

A importância dos BONS atores e as pessoas CERTAS no papel certo.... (AVENIDA BRASIL)


O rapto de "Carminha" na novela "Avenida Brasil" ocupou grande parte da novela a semana passada e proporcionou os momentos mais hilariantes de sempre. Quando ela manda vir com os bandidos e após perceber que o condutor do carro de fuga podia enfartar a qualquer instante e o outro não sabia conduzir, dispara: "Mas que bandidos de merda!" , fiquei para morrer de rir! É que há que saber fazer... e ali sabem. O bandido "Moreira", actor cujo  nome por enquanto desconheço, também esteve brilhante no seu papel. E quando isto acontece... 

Voltei a refletir na importância de uma actriz/actor no seu respectivo papel. Ver Adriana Esteves a desempenhar a sua Carminha e pensar:
"Que bem que ela fez esta expressão! Que bem que ela muda de expressão! Que bem que ela sabe passar duas emoções opostas em simultâneo!" É que não é para todos. Requer prática e mesmo alguns com ela, não chegam lá tão bem. E Max (Marcelo Novaes) ao contracenar com Adriana, parece «morrer» um pouco ali, não desfazendo o talento mais que comprovado do actor, dei por mim a pensar: "ele podia ter roubado a cena deste jeito. Podia ter aproveitado este plano para inserir esta emoção..." Coisas até técnicas e chatas, mas que somando todas depois sai dali algo melhor, mais requintado. 

Ao mesmo tempo que constatava estas coisas, ia pensando na carreira e no quanto a profissão pode ser ingrata. Adriana Esteves entrou na novela "Meu Bem Meu Mal" mas depois recebeu fortes comentários negativos ao seu talento na representação na altura em que fez o papel principal da novela "Renascer". Diz-se que chegou a pensar em desistir e entrou em depressão. Depois voltou como protagonista em "A Indomada", num papel duplo, e  conquistou o público com uma postura mais madura. E claro, depois veio "O Cravo e a Rosa", e consagrou-se na comédia... Mas ainda teve "Sandrinha", em "Torre de Babel", uma miúda que era uma víbora mas desempenhava o papel de santa, só queria dar o golpe do baú. Que bom que foi deixarem-na amadurecer, porque o esforço valeu a pena: está ali uma boa actriz, pequenina em estatura mas GRANDE em talento. Ainda me lembro da sua estreia na novela "Top Model", no papel da adolescente "Tininha", que acaba grávida do namorado e tem de contar à avó que a criou o que lhe está acontecendo. Começou crua e cresceu para se firmar uma excelente actriz. Que bom para o público, não é mesmo? 

O resultado final de uma cena que consideramos perfeita, depende de muito mais que o talento de uma só pessoa. Na verdade depende da equipa toda, dos colegas, do realizador, dos câmaras, dos sonoplastas, do editor de imagem, dos figurinistas, do timming até... Mas cada vez que aparece essa "cereja em cima do bolo", é como deixar um rebuçado derreter lentamente na boca... de tão bom que é de ver.


Como antagonista desta vilã temos outra personagem bem escrita: Rita/Nina. Quando soube quem a ia interpretar o entusiasmo não foi grande, não por ter algo contra o talento da actriz, mas simplesmente porque espero sempre para ver, o mesmo acontecendo com Adriana. Por vezes são coisas insignificantes que contribuem para uma cumplicidade menor entre personagens que se querem antagonistas. Coisas pequenas, que não se identificam bem... mas gostava de ver menos maneirismos do passado, mais garra e ódio em "Rita", ainda mais porque optou por esse sentimento como rumo de vida. Daí a se transformar numa "Carminha" deve existir uma ténue linha... Quando se revolta, "Rita" só age quase sempre da mesma forma e só desabafa com uma pessoa. Algo não fica bem, vê-la o tempo todo educada e instruída, a ensinar todos na família de Carminha como vestir, o que é bom comer, o que é bom ler... é até enervante. Deviam existir ali momentos explosivos que ninguém entendesse... um misto de emoções. Afinal, ela escolheu a VINGANÇA como rumo de vida...

Porque o resultado de uma dupla em novela, seja de antagonistas ou de namorados, nunca pode ser 100% garantida... depende de muitos factores. Algumas duplas têm surpreendido e ficaram na memória televisiva dos que as viram, como "Raquel (Regina Duarte) e Maria de Fátima (Glória Pires)" em "Vale Tudo", Fernanda Montenegro e Paulo Autran em "Guerra dos Sexos", Fefé (Cristina Pereira) e Leozinho (Diogo Vilela) em Sassaricando....  Mas na verdade nunca se sabe. O resultado depende não só da cumplicidade entre actores, até porque muitas das vezes os melhores pares são protagonizados por pessoas que não se suportam,  depende também do mesmo conjunto que remete à equipa toda: desde os cérebros que escrevem as tramas, aos que as vão interpretar. Tudo conta. É ou não é isto fascinante?  

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Maria de Fátima em "Avenida Brasil"


"Avenida Brasil" vai ainda nos primeiros capítulos mas já tem uma dinâmica muito cativante. Ver Adriana Esteves (Carminha) enrolada com Max se transformar numa cândida viúva triste com a aproximação de "Tufão", faz lembrar "Maria de Fátima" em Vale Tudo.

Toda a dinâmica do golpe, a cumplicidade e o planeamento com o cúmplice, a forma como se "descartam" dos que se metem pelo caminho, traz de volta "Maria de Fátima". Suspeito que Carminha não vai ser uma vilã que só é odiada, ela vai também fascinar. Vai partilhar com "Maria de Fátima" alguma compaixão e compreensão, porque adivinha-se que a vilã deve ter passado o "pão que o diabo amassou" na sua meninice. Mas isso não desculpa as escolhas de vida...   

A história é tão boa que se desculpam todas as partes menos credíveis. A forma como "MonaLisa" , uma autêntica Raquel Acioli, adopta de imediato aquela criança sem se perguntar se além de mãe ela tinha pai, tios, tias ou avós, por exemplo*. Desculpa-se que se mostre uma realidade com que muitos embirram, por não desejarem que se evidencie em novelas, que é os meninos que catam lixo no Brasil. A história é bem feita, é doce, cativa. Cativa como poucas conseguem nos dias que correm. 

E isto é um bom sinal. Espelha também as mudanças sociais e económicas que progressivamente ocorrem no Brasil. Há não tão pouco tempo boas novelas como esta teriam sido um tanto ou quanto preteridas em favor de tramas mais fáceis e menos complexas. (ver abordagem aqui). Boas novelas não espelhavam boa audiência, perdendo para boletim básicos. Isso está a mudar. E pelo todo, é um excelente sinal!  

* MonaLisa depois de se apegar ao miúdo, lá lhe pergunta sobre os familiares. Esta nova "Raquel Aciolli" não teve de tirar meninos da rua para vender sandes na praia, mas haverá decerto na trama alguém que tente ajudar os meninos da lixeira. Muito bom, muito parecido, bela história. 

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