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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Dancin Days diverte mas não convence

Sinto-me defraudada com a trama principal de "Dancin Days".

A relação daquelas irmãs não está a ser bem apresentada.
Não vi a novela original, mas gostava que esta viesse a passar na SIC já a seguir a esta. Mesmo não vendo o original, sinto que nesta adaptação a relação das duas irmãs ficou muito, mas muito longe do desejado.


Na actual trama existem referências que entram em conflito com o que já vimos ou estamos a ver. O famoso amor unido das irmãs, a paixão avassaladora e libertadora das duas pela dança, elementos essenciais para unir a trama e colmatar no batismo da discoteca "Dancin Days"  -  tudo isto, deitado no lixo porque não dá para acreditar no que não se viu: a cumplicidade destas irmãs. Logo, não dá para LAMENTAR a deterioração nem torcer pelo entendimento entre as duas. Nesta versão uma coisa tão simplesmente complexa como esta ficou reduzida ao paradigma "vilã" versus "heroína". E não devia ser só assim. Primeiro, "Raquel" não é tão vilã assim. O seu lado, com egoísmo é verdade, devia ter ficado melhor explicado para que a reconciliação não fosse de todo impossível. Júlia, que entendo bem devido ao gesto que teve, também não está muito bem conseguida.

Fica esta sensação de insatisfação, que julgo só poder saciar se conseguir ver aquilo que quero ver. E que deve estar na original Dancin Days.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tenho cá para mim... (duelo de audiências)

... que é desta que a SIC leva o horário nobre.

"Casa dos Segredos 3" a fazer concorrência às novelas Dancin'Days e Gabriela é um erro, não tem força suficiente.  E a  novela "Louco Amor" a ir para o ar depois do reality show, começando na TVI quando na SIC Gabriela já está no ar, é uma estratégia que vai falhar porque o público da novela cansa-se de esperar e distraí-se pela SIC, por onde pode acabar por se deixar ficar. 

"Casa dos Segredos 3" (CS3) é maçudo e repetitivo. O cenário é sempre o mesmo, as histórias também não são muito diferentes. Enjoa. Os sons estridentes, as apresentações «histéricas» a fórmula satura. Não é com isso que vão combater a curiosidade e o prazer em ir ver uma boa história que está a dar no outro canal. E é já neste Domingo que o programa vai ter de «concorrer» com um outro reality show da SIC. Se inicialmente achei que só o humor teria força para combater um programa com os parâmetros da CS3 e nenhum de dança, perda de peso ou qualquer patetice de jogos-sem-fronteiras podia fazer-lhe sombra, achei o formato aborrecido e fragilizado ao ponto de isso acontecer. A ver vamos.


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Teresa Sousa Prado uma assassina?

A primeira página de uma revista dá a conhecer novos desenvolvimentos na novela "Dancin'Days".
Um deles é a morte de Francisco (Júlio César), assassinato pela esposa (Teresa Sousa Prado), que sabendo da sua infidelidade empurra-o de uma montanha nos Alpes.

Quando li isto não gostei. Não acho que o acto tenha a ver com a personagem. "Teresa" é uma das minhas personagens favoritas e transformá-la numa assassina parece exagero. A personagem é rica em muitas outras vertentes. Fazia mais sentido ser "Francisco" a matar "Teresa", já que dela está cansado e não suporta a sua presença por muito tempo. O mesmo artigo revela que esse foi o desfecho original de Dancin Days e ao ler isto fez mais sentido na história. A morte de "Teresa" iria também fazer os filhos reflectir sobre a sua relação com a mãe e as suspeitas que pudessem recair sobre o pai iriam alertá-los para o carácter do pai.


"Teresa" é uma  mulher que recebeu uma educação de família de posses, ela tem valores familiares. Está certo que existem socialites que já foram capazes de «eliminar» os companheiros sem pestanejar, mas neste caso creio que o amor aos filhos e os valores jamais transformaria Teresa numa assassina calculista e fria. Num momento passional ainda poderia ser mas parece-me exagero o planeamento. Até porque "Francisco" jamais partiria de férias com a mulher, tal como jamais o fez durante todos estes anos, a menos que isso lhe trouxesse a vantagem de usar a viagem como pretexto para ocorrer um "acidente" que vitimasse a esposa.


Mas vejamos o que os autores vão fazer para tornar esta história cada vez mais emocionante.

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Valentes Gargalhadas com Dancin Days


No episódio de hoje de Dancin'Days foi impossível não dar umas sentidas gargalhadas. As cenas nem são feitas só para rir, mas conseguem. Com aquele humor bonito, bem feito, ligeiro e circunstancial. Assim foi com algumas personagens: Cristóvão (Pedro Diogo), Ivo (Miguel Costa), Alberto (Igor Sampaio), Amélia (Catarina Avelar) e Áurea (Custódia Galego). 

Pedro Diogo (Cristóvão) já nos tinha divertido bastante com a sua personagem anterior em "Laços de Sangue", onde interpretava César, um empregado de café muito, mas muito chato e trapalhão, mulherengo, com opinião sobre todos os assuntos e ambições de ser um treinador de futebol melhor que Mourinho. Agora na novela Dancin'Days, ele interpreta "Cristóvão", um rapaz contido, que se diz virgem, é tímido e vive numa paixão platónica. Logo na primeira cena em que surge deu para perceber que não existia ali nenhum vestígio da personagem anterior. O que por vezes é difícil, dado que o actor que "empresta" o corpo à personagem é o mesmo. Mesmo quando as personagens encontram-se em extremos opostos, muitos actores carregam consigo alguns tiques, formas de comunicação gestual, maneirismos ou entoações que em certos momentos fazem lembrar outras personagens. Na minha opinião alguns actores nunca se livram deles, tornando as suas interpretações menores, quando deles já são "prisioneiros". Mas isso não aconteceu com Pedro Diogo. A sua transformação de uma personagem para a outra foi a que mais me impressionou, foi muito evidente logo na primeira aparição, e é delicioso.


No capítulo de hoje Cristóvão diz a Ivo que teve sexo com Sónia. Os dois sempre acharam Sónia uma rapariga sem interesse e muito oferecida pelo que Ivo, que é hipocondríaco, faz uma careta de nojo e   começa a falar das doenças que devem "habitar" Sónia e o «"Ahh"» de medo que Cristóvão faz é  suficiente para se soltar de mim uma longa gargalhada. 

A cena continuou mas cativou logo ali. Logo de seguida temos um pequeno detalhe numa cena mais dramática, em que Áurea (Custódia Galego) recusa-se a ir ao psiquiatra e o pai, farto da sua doença, grita-lhe e responde-lhe que já lhe tinha ocorrido interná-la como doida. Depois arrepende-se e diz que não devia ter dito aquilo, ao que a empregada o sossega respondendo-lhe que ele disse o que precisava ser dito. Mas como os dois, empregada e patrão andam sempre a discordar, Alberto (Igor Sampaio) diz algo deste género:
-"Mau. Se nós os dois estamos de acordo, então eu devo ter errado"  -  a expressividade e o timming são tudo e achei que isto teve um piadão.

Depois foi a vez de Aúrea (Custódia Galego) ir para a pista de dança esfregar-se em todo o rapaz bonito que lhe aparecer à frente. Estes dão meia volta e desaparecem, mas ela não desanima e o próximo que os seus olhos vêm é aquele que ataca. Chega-se e sem problemas começa a atirar-se a mais um. Este também foge e ela dirige-se a outro. Sem cerimónias ou embaraço, desvia-lhe a namorada do caminho e tenta forçá-lo a dançar com ela. A forma como todos estiveram em cena fez-me rir.


Gosto de humor assim. Gosto de todo o tipo de piada mas esta é a que mais aprecio. É um tipo de humor que faz-me lembrar o melhor das sitcoms dos anos 80, humor que não tem de vir revestido de sketch ou anuncia-se. 


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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Remakes a MAIS!

Como se já não bastassem "O Astro" e "Dancin Days", a SIC vai emitir o remake de "Gabriela", outra novela da Globo que fez sucesso nos anos 70.


Falo por mim mas não sinto grande apelo por esta "Gabriela" nem por remakes no geral. Não que não goste da ideia, porque gosto sempre desde que me mostrem um produto bem feito, convincente e cuja história me agarre, porque não basta "acenar" com um nome sonante de um sucesso passado para servir de atractivo. E a meu ver, o recurso aos "engarrafados" já começa a cansar. Três de uma vez?? O que mais prezo nisto de fazer novelas é a criatividade e quando se cruzam os braços e aceita-se copiar, bem ou mal, algo que já está estruturado num guião, tratam-se de facilistismos que podem prejudicar o resultado. Bem sei que tudo é "copiado", ou melhor, re-inventado vezes sem conta, mas existe uma diferença entre fazer a 199ª versão de "Romeu e Julieta" e fazer um "remake de..." e essa pode ser  o comprometer da componente artística, criativa, a visão. 

A busca pelas audiências junto com a suposta poupança devido à crise que não surgiu hoje, convém frisar, conduzem a produção noveleira por estes caminhos regressivos, tentando lhes dar um ar "fresco", mas, até agora, ainda não vi um remake de novela que conseguisse superar os encantos do original ou não falhar gravemente em certos temas. Não por lhes faltar conteúdo, história ou outros atractivos, mas porque os "encantos" não são fáceis de copiar. Aliás, nunca se copiam ou se reproduzem. E por isso tantas vezes um remake fica "aquém".  


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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Louco Amor X Dancin' Days - os rostos invisíveis por detrás das audiências

Muito a imprensa tem falado sobre a suposta "guerra" de audiências entre as principais novelas das estações privadas de televisão e quando Dancin' Days (SIC) supera as audiências da novela da TVI Louco Amor, vira notícia como se fosse algo inesperado.

Vamos lá ver:  São ambas boas novelas, com boas histórias, bons actores e autores. Mas se formos a espreitar profundamente pelo buraco da fechadura, quem está por detrás de cada uma? 


Os principais rostos por detrás de Dancin Days são estes: António Parente, Jorge Marecos Duarte, Guilherme Bokel. Todos GIGANTES no meio, profissionais experientes e responsáveis ao longo dos anos pela criação de grandes sucessos em televisão. António Parente é um empresário que ficou fortemente ligado à produtora  NBP, Jorge Marecos Duarte será para sempre recordado como o produtor que trouxe a standing sitcom para os ecrans de televisão e o programa de humor Os Malucos do Riso e Guilherme Bokel basta dizer que é o director internacional de produção da TV Globo, o gigante brasileiro que há mais de 40 anos domina o mercado das novelas.  

Por enquanto este trio está empenhado em trabalhar junto na criação de sucessos, podendo contar com os recursos uns dos outros para produzir em Portugal novelas para passar na SIC. De quem foi a ideia, não se sabe, mas a verdade é que a TV Globo está a tentar internacionalizar-se como produtora de conteúdos e estes são os primeiros passos. A SP Televisão apesar do sucesso mantém-se uma produtora independente, à semelhança de outras que trabalham no mercado português, como a Endemol ou a Fremantle, com a pequena-grande diferença que a SP é nacional e as mencionadas últimas produtoras são mega-estruturas internacionais, à semelhança da TV Globo. Outras produtoras nacionais que apostam nos produtos de ficção de longa duração foram adquiridas por estações de televisão, não produzindo mais de forma independente, como é o caso da NBP, agora propriedade da TVI mas mais conhecida pelo nome do aglomerado que acabou por gerar: PLURAL entertainment, se bem entendi o processo. 

Resta dizer que a SIC pertence ao grupo SGPS de Pinto Balsemão (Portugal) e a TVI é detida pelo grupo Media Capital (Espanha). 
Heis os "rostos" e os "donos" de cada qual, se se pode falar assim. São os rostos e mãos "invisíveis" por detrás dos sucessos televisivos e são quem detém o poder de decisão.

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quinta-feira, 2 de agosto de 2012

A importância de algumas personagens secundárias

"Hurbano" e "Alexandre", duas personagens secundárias na trama de "Dancin Days" são daquelas que merecem uma atenção particular. 

"Hurbano", nutricionista numa clínica, é um homem de meia-idade que fala pouco, não se sabe nada sobre a sua vida pessoal, seus gostos ou preferências e é tão introvertido que mal consegue saudar as pessoas com quem se cruza. E por isso os outros imaginam tudo e mais qualquer coisa sobre o seu temperamento e carácter, tendo até sido considerado suspeito de um crime. Até ao momento em que se declara perdido de amores, ninguém o suspeitava como um ser humano normal, tão emotivo que acaba por se conter para proteger as suas emoções. É sincero e não mente, mas mantêm uma inocência que o torna algo ingénuo para com o interesse do mulherio na sua pessoa.

"Alexandre" aparece pouco em cena, ele faz de arquitecto e é o patrão para o qual Inês farta-se de trabalhar. Ela é de dia, é horas extras, é em casa, é de noite, ela deixa de sair com o namorado e ter fins-de-semana livres para terminar um projecto a tempo e para o ver aprovado pelo cliente. Um dia o namorado surpreende-a com um pedido de casamento no local de trabalho e ela pede-lhe para se ir embora, constrangida com o conflito da situação. O patrão retoma o trabalho como se nada fosse e só então demonstra algum contentamento pela forma como Inês se livra do namorado de anos. Claro está, o noivado é rompido e o patrão começa a perguntar à estagiária se ela quer ir beber um copo com ele. Quando Inês diz claramente que não está à procura de nenhum relacionamento e só quer se dedicar à carreira, o patrão adopta uma postura fria e indiferente. Ela apresenta-lhe um projecto ao qual muito se dedicou, ele nem lhe põe os olhos em cima e diz-lhe que outro empregado o vai finalizar, já que o promoveu ao invés dela. 

Duas PEQUENAS personagens, muito que se lhes diga... 

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Dancin ' Days portuguesa - melhores personagens (so far...)

Após um longo período em que se deu mais importância a histórias rurais e a realidades mais afastadas daquelas que correspondem à maioria da vida das pessoas actualmente, heis que surgem 2 novelas nacionais com trama contemporâneaDancin'Days (SIC) e Louco Amor (TVI) podem ter títulos de anteriores telenovelas brasileiras de sucesso feitas nos anos 80, mas nada têm de desactuais. 

Em Dancin'Days o que mais me impressiona em toda a trama é a forma ampla de abordar as diferentes realidades dos relacionamentos entre homem e mulher, desde os casados aos divorciados até os casais que se namoram, ou aqueles que andam no mercado em busca de namorar.   

Teresa Sousa Prado
Temos Teresa Sousa Prado (Cristina Homem de Melo), talvez a minha personagem feminina favorita  até ao momento, esposa de Francisco (Júlio César). Teresa tem a postura típica das mulheres bem criadas sob um conjunto de valores tradicionais dentro do seio de uma família de posses. Ela não tem profissão nem ocupação que não seja cuidar da casa e da família e talvez por ter tanto tempo livre, acaba por meter-se demasiado nas decisões de vida dos dois filhos adultos, Duarte, o diplomata que quer ser artista e Guilherme, que faz faculdade de Direito mas não sabe se é isso que quer. Teresa sente-se só e acaba por não ser valorizada, nem pelos filhos nem pelo marido, o qual quase nunca vê, pois este está sempre ocupado profissionalmente ou sempre de saída para o trabalho. Francisco trabalha no ministério Público, como juiz, parece-me. Ao final do dia Teresa também não vê muito o marido, sendo frequente este passar noites sem ir dormir a casa, por se encontrar "a trabalhar no escritório". De manhã, sozinha ou brevemente acompanhada à mesa do pequeno almoço, Teresa toma o seu comprimido para a tensão, enquanto vê os filhos irem às suas vidas sem terem também muito tempo para lhe dispensar mais atenção e sem demonstrarem muita paciência para as perguntas invasivas da mãe. E como nem tudo o que parece é, aquilo que Teresa dá como certo, está em risco de perder: a sua casa. Sem sequer sonhar, o marido deve muito dinheiro ao fisco e corre o risco de ter os seus bens apreendidos. A falta de dinheiro e a grave situação financeira é algo que Teresa desconhece. A sua maior felicidade é a casa onde habita com a família, o seu porto seguro, casa que herdou do pai e que tem estado há gerações na família.
Francisco Sousa Prado
Francisco não é um esposo fiel, como já deu para perceber e acaba por embeiçar-se por uma jovem, acabando por lhe dar presentes caros e por lhe prometer ajudar a realizar os seus sonhos para obter os seus favores sexuais. Na cobardia que caracteriza este comportamento típico do género masculino, ele mente constantemente e oculta a vida dupla e a situação de emergência económica em que colocou a família. Francisco também parece pouco habilitado de capacidades para dar a volta à situação. A catástrofe está eminente... Porém, como pai, Francisco não fracassa como acontece como chefe de família e esposo. Ele escuta os filhos e tenta perceber se estes estão felizes com as escolhas de rumo de vida que fazem, disponibilizando-se para os ajudar, mas não desonestamente, como se verificou quando o filho mais novo pede-lhe para meter uma palavrinha a um professor da faculdade por causa de um fraco desempenho seu num exame.  

Num outro extremo temos a família Galvão, outra com origens na tradição de um nome e no dinheiro. Encabeçada (mas só aparentemente) pelo patriarca Alberto Galvão (Igor Sampaio), esposo de Ester (Margarida Carpinteiro), Alberto é a minha personagem masculina predilecta com uma interpretação que considero perfeita.


Aqui o dinheiro já desapareceu faz muito tempo. A família vive enterrada em dívidas que o próprio Alberto contrai, a um ritmo quase diário, tanto em negócios falhados nos quais sempre se mete, como no jogo ou em compras supérfluas como um televisor plasma. Mesmo não tendo dinheiro para pagar a conta da água, a luz, o gás, mesmo sobrecarregando a filha que se mata a trabalhar e a pedir ajuda a todos para conseguir dinheiro para manter o pouco que ainda têm  - a casa onde vivem, ainda assim Alberto não é capaz de mudar de postura. Ele é um sonhador, que ainda se vê sem dificuldades financeiras e acredita mesmo que um dia vai criar algo no mercado que vai ser um tremendo sucesso e lhe vai dar prestígio e uma enorme riqueza. Mas enquanto o tenta sem contenções, vai submetendo a família a muita pressão e preocupações. 
Carminho
Carminho (Joana Seixas), a filha solteira, toma as rédeas e as responsabilidades para si e com isso o sonho de casar, ter casa e construir uma vida independente é adiada há anos. A família Galvão tem muitos problemas mas salta à vista que ninguém é individualista e ali todos dão apoio uns aos outros. Até a empregada Amélia (Catarina Avelar), que não perde uma oportunidade de dizer na cara do patrão e diante de quem estiver a escutar que este não lhe paga salário faz meses e fracassa em todos os negócios em que se mete, acaba por disponibilizar as suas economias para pagar uma das suas dívidas. Mas pelos vistos o afecto fala mais alto e isso é o denominador comum deste núcleo familiar, que é ainda composto por uma outra filha do casal, Áurea (Custódia Galego), casada com Aníbal  (Vitor Norte), mãe de dois filhos: Inês (Maya Booth), uma jovem  licenciada que vive para o trabalho num atelier de arquitectura com vista a construir uma sólida carreira e mal tem tempo para o noivo e Bruno (Diogo Carmona), de 12 anos. A juntar a todos estes vivem ainda debaixo do mesmo tecto Paulo (Henrique Gil), neto da empregada Amélia e Vera (Vitoria Dias), filha de uma prima de Alberto, que ficou órfã aos seis anos e foi acolhida pelo casal. Ao todo são 10 bocas para sustentar, ás quais se vai juntar a protagonista, Júlia Matos (Joana Santos), cujo dinheiro da renda de um quarto vai permitir à família subsistir. 

Áurea
E assim foquei detalhadamente as minhas duas personagens favoritas até ao momento, por toda a complexidade que as suas escolhas e relações como casal e a família se desenrolam em aparências, mentiras e dificuldades. Mas mais há para falar, como por exemplo Hernani Peixoto (João Ricardo), que vive a querer se aproximar da ex-mulher, que o apanhou em flagrante adultério dentro da própria casa e ainda é censurada por alguns por ter pedido o divórcio, ao invés de aguentar calada as traições. Hernani quer a esposa de volta não para deixar de ser boémio e vigarista, mas para ter uma empregada em casa e uma mulher fixa na cama. Ainda está por descobrir se lhe tem afecto genuíno. Outra coisa que está por descobrir é o que está mal na relação de Áurea e Aníbal. Os dois vivem frustrados e em constante picardia. Sabe-se que mais para a frente vai-se descobrir que Aníbal é, na verdade, um homossexual não assumido e Áurea também tem os seus problemas... Uma realidade que acontece para além das paredes de alguns lares, e que continua a fazer os seus estragos. 


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