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Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Terra Nostra Incompleta

Finalmente!
Está a acabar a novela Terra Nostra.
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Esta é a novela Incomplecta por eleição. A trama, como já disse, tem os seus encantos, mas perde-se em chatices atrás de chatices. Não suporto mais escutar qualquer das personagens a dizer: "Mai porquê você tá mi dizendo esso"?. Diálogos que se repetem em "porquês", indo o Oscar da longevidade e repetição para as conversas chatérrimas das manas "Angélica e Rosana".
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Julgo até, que estes diálogos chatos, repetitivos, irritantes, são uma forma do autor se virar contra o espectador. Só pode! Não devia estar numa boa altura...
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Até o farmaceutico fala italiano, na perfeição. Outro emigrante? O que se passa com o Brasil e a sua obcessão televisiva pela italianada? Não é por nada mas nos últimos dias, quando sintonizo uma novela brasileira, falam todos italiano. Mal, parecem brasileiros a tentar ser italianos mas... salva-se disto Jussara Freire, em Os Ossos do Barão, que até convence. Os restantes, brr... até em Ciranda de Pedra, hoje, tive de ouvir a personagem de Osmar Prado (emigrante italiano) a soltar o diálogo em italiano. Valei-nos! Depois da exposição à dose de «porquês» de Terra Nostra, não há mais paciência para isso.
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Mas não é por isto que digo que Terra Nostra é uma novela incompleta.

A novela é incompleta porque deixa muitas pontas soltas. A trama está preparada para ter continuidade. Para passar para uma terceira fase (ou quarta, sei lá), em que os bebés viram adolescentes, e as crianças adultas, e suas vidas se cruzam. Sendo que a personagem mais intrigante fica por conta de Franchesco Mariano Neto - o bebé adoptado e ostracizado pelos "bondosos" Marianos, pai e filho.
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Se Terra Nostra, ao invés de andar a pastar a trama por meses, tivesse feito logo o salto temporal, seria uma boa história. Com princípio, meio e fim. Teria sido uma novela com possibilidades de ter legitimidade para ser apelidade de "marco" da história das novelas. Acaba que é, mas pelas piores das razões.
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Esta é a novela que destronou Sinhá Moça no ranking de exportações da Globo. Por ter maior qualidade? Não, na minha opinião. É para que sirva de exemplo, que nem todos os "títulos" conquistados significam um bom produto.
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Terra Nostra 2 - nunca chegou a acontecer. Ainda bem. Esperanza também se calhar não devia ter acontecido. Agora tive a prova de que estive incrivelmente em sincronizmo com o tipo de produto. Na altura da primeira exibição, coloquei de parte a propaganda da novela, que todos diziam ser "muito boa" (ao ponto de nem ficar bem discordar) e decidi não ver.
Tem encantos, tem. Mas de facto, esta "odisseia" tediosa, de charretes a passear nas ruas cenográficas, de personagens a atravessar caminhos, passeios, portões e estradas (somente tendo vontade no momento em que a charrete vai a passar, claro) não devia ter sido novela. Era para ser mini-série.

English Version:

I´m so glad I´ll never again will have to lissen a Terra Nostra´s character saying: "But, why hare you teling me this" - in a bad italian accent.

Terra Nostra is finishing. Finally! The tedious plot, with characters walking around in the fake scenery, spending too much of episode time going on a charriot drive, walking trought gates, sidewalks, etc. Enought!

The Oscar for the worst dialog ever, goes to the boring sisters Angélica and Rosana. The amount of "Whys" they pronunce in a single peace of dialogue is absolutelly mind blowing!

This is the Incomplete tv soap for excelence. An why? (Why, why, why, rrrrrr....!)

Because it has no end. The all plot gives you ints about what will happend in the future, when the boys and babys grow and they lives cross. Specially Franciesco Mariano Neto. The child the good Marianos (father and son) adopted just to keep Giuliana in the house and in the marriage. They care nothing for the boy when the child fail it´s porpose. It´s a repulsive atittude. Everything indicates that a confrontation will take place and, has defenders of the Mariano´s character, we would see Tiziu and José Alceu, the black boys that came to have education skills thanks to the Mariano´s come to their defence.

It´s an incomplete story. With boring, boring dialog. It should be over a long time ago. I´m glad I had the opportunity to realise I´ve missed nothing when I decided not tho wath it the first time. This should have never became a tv soap. This should have stayed a mini-series.

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sábado, 14 de junho de 2008

Beleza Ciranda Pura de Pedra

Já vi com mais atenção estas duas novelas que se estrearam. São ambas agradáveis de acompanhar. Como um ursinho de peluche: estão ali, são engraçadas, fofas. Um grande ponto a favor de ambas, é que nenhuma nos presenteia com dejá-vus atrás de dejá-vus e coisas mais que ditas e feitas, como é o caso de toda a trama de 7 Pecados. Têm algo de fresco e suave.
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Outro aspecto favorável, para Beleza Pura é que, ao contrário de Ciranda de Pedra, a história é pioneira e nunca foi transformada em roteiro de televisão. Nesse aspecto, a outra será mais "fácil" de fazer, pois já se conhece a história e os defechos das personagens. Beleza Pura retrata as mesmas histórias comuns, de amor, triângulos amorosos, sabotagem, intrigas... mas consegue fazê-lo sem recorrer ao "mais que visto". É engraçada. Assim como "Ciranda", dá para acompanhar com gosto, que distrái e diverte.
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CIRANDA::
Coitado de Marcelo Antony. No que respeita a viver uma história de amor com Ana Paula Arósio, não tem sorte. Nem em Terra Nostra, onde não era correspondido, nem em Ciranda de Pedra, onde é. Laura ama Daniel, mas nem com uma filha em comum, o casal consegue a união! Não desistam. Dizem que há terceira é de vez.
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Ponto negativo vai para Cléo Pires. Deve ter puxado mais ao pai. Acho bem que se dêm muitas oportunidades e um variado leque de personagens para um actor se expressar neste veículo. Mas Cléo parece-me apagadinha na expressividade, além da dicção que por vezes não entendo ou oiço. O mesmo problema sempre teve Daniel Dantas. É mais difícil acreditar num vilão cujas ameaças por vezes desaparecem por entre sílabas que parecem pronunciadas para dentro.
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A ganhar pontos, outra filha de actores: Leandra Leal. Não se pode dizer que surpreenda, pois a actriz já provou antes saber domar tais personagens. Ainda assim, há que dizer que é uma interpretação gostosa de ver. Assim como a de Osmar Prado. Também não surpreende, pois o seu talento para tais figuras já é conhecido. O actor nunca deixou de interpretar muito bem uma personagem , fosse qual fosse, grande ou pequena, na Globo ou fora dela. Sem dúvida, um talento a mercer maior reconhecimento.
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Não sei porquê criticaram o facto de Arósio estar a interpretar uma mulher numa faixa etária ligeiramente superior à sua. Além de estar bem (desde que não dê em histérica) e não ser iverosímel, estou cansada de ver homens mais velhos a interpretarem moços novos e a namorar meninas que podiam ser suas filhas. Só incomoda quando muda o género?
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Compreendo um dos problemas: existem actrizes na faixa etária adequada, igualmente talentosas. Para mulheres, é sempre muito mais difícil obter um papel. Ás vezes não se lembram delas. E mais depressa uma mulher interpreta um papel de outra mais velha, que o contrário. Parece por isso, que a carreira de actriz e a disponibilidade de papéis é muito mais reduzida.

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segunda-feira, 19 de maio de 2008

FINAL TERRA NOSTRA

Que novela gostava de ver na SIC em substituição a Terra Nostra?Aqui lanço a pergunta e espero que dispensem uns segundos para deixar a vossa sugestão.


Em troca, o “Novelas para Recordar” fornece o desfecho de algumas personagens.


Josué e Madame Janete:
O cocheiro que queria vingar-se por o pai ter falido numa mesa de jogo com o pai de Janete, não foge com a fortuna da amante. Os dois ficam juntos mas Josué a trai constantemente. Acho que quem assiste à novela gostava de ver um castigo mais contundente para a Madame. Ela fez mal à Juliana, mas não estava errada em ser contra o casamento desta com o filho. Podia era encontrar uma forma menos maldosa de o expressar. Janete também azucrinou o marido, que lhe era fiel, porém também subtilmente cruel, ao lhe estar sempre a dizer que a comprou do pai. Fidelidade mas nada de respeito ou intimidade, transformou-a numa mulher amarga. Com Josué obtém a relação íntima que não obteve do marido e Janete renasce para a vida. A mesma sorte teve o marido meses antes. Madame Janete não é castigada, é recompensada! Acho que merece.

Hortencia e Amadeu não terminam separados e ela acaba por engravidar novamente.

Mateu e Juliana ficam juntos, com os filhos que tiveram mais um que ela espera. Juanito não está morto e Juliana vai reencontrá-lo no convento.

Marco António vai fazer uma longa viagem de negócios e quando regressa parece ter incorporado Mateu. Com a barba por fazer, as roupas desalinhas, um jeito de falar mais rude e directo ao ponto, ele vai atrás de Rosana e lhe rouba um beijo. Esta sua faceta agrada a moça e os dois juntam-se novamente.

Outros casais, como seria de esperar, mantêm-se juntos: são eles Paola e Francesco, Augusto e Angélica, Bartolo e Leonora que, infelizmente, só no último episódio é que vão produzir o tão falado vinho.

Conforme previsto, Gumercino fica a saber da existência do seu filho negro e tudo termina bem, com todas as crianças destes casais a estudar num bom internato.

Mas todos estes desfechos ainda vão esperar que a trama sofra as mesmas voltas de "puxa-estica", o que deve durar dois ou três meses até que termine no ecrán da Sic. Se a política de programação do canal se mantiver e outra novela ocupar o horário de exibição de Terra Nostra, qual a que você quer ver?

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quinta-feira, 27 de março de 2008

EM Exibição 04

Há muito se soube do falecimento do actor que fazia o Nezinho na novela "Desejo Proibído" mas em Portugal os fãs poderam continuar a vê-lo até o episódio de ontem. Subitamente D. Purezinha acompanhada do filho Argemiro vai até à paróquia onde o Padre Inácio pergunta pelo paradeiro do seu sacristão e, banhados em lágrimas verdadeiras, dizem que este sonhou com a mãe, ficou com saudades e por isso abandonou a cidade. E esta foi a desculpa que o argumentista achou por bem dar para o necessário desaparecimento da personagem.

A cena foi vivida a lágrimas verdadeiras, com os actores que fazem de Purezinha e Argemiro fora de personagem, a chorar de verdade pelo falecimento súbito do actor. Marcos Caruso porém, manteve-se diante da câmera como padre Inácio, sabe-se lá com que força para encorporar com profissionalismo a personagem e não a dor do momento. Talvez seja a maturidade de quem já viu muitos partir, por muitos já chorou e acredita verdadeiramente que quem partiu está num bom lugar. O tabu que é este tema da morte, passa a ser motivo de maior reflexão para aqueles que têm a maior parte do tempo para trás e menos para a frente.
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Nezinho partiu, como se para ir em viagem atrás da mãe não necessitasse de dinheiro para as despesas e assim, o colchão onde em segredo mantinha o seu dinheiro, é dado por sua indicação ao Padre Inácio, para ajudar os pobres. Sim de facto, para onde Nezinho foi, o dinheiro não faz falta. A cena termina com imagens anteriores do actor montado na sua mula.
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Se no início me interroguei porquê Murilo Rosa foi escalado para interpretar um jovem inexperiente no amor que é padre, agora compreendo melhor. De facto, pela idade, o actor não corresponde mais ao perfil de "Miguel" mas esse é somente o único pormenor. Porque de resto, nele vejo maior impetosidade e jovialidade que nos jovens que com ele compõem o trio: "Laura" e "Henrique". A isso se deve a "tarimba", a experiência que de resto se nota faltar aos outros dois. E por isso é que Murilo é uma boa escolha. Sem ele, aquele trio ficava mais insonso. Se por um lado a intérprete de "Laura" não me conquistou completamente, o intérprete de "Henrique" também não. Sei que a sua personagem se presta a ser interpretada com teatralismo e exagero, mas ainda assim não gosto de o ver. Falta ao actor a tal "tarimba", algo semelhante à demonstrada por José de Abreu que, ao interpretar um carácter semelhante, não deixa de ser em simultâneo convincente como obececado doente ou compreensivo e sensível.
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A linguagem corporal diante de uma câmera não ajuda os jovens intérpretes. "Henrique" devia ganhar um óscar especial, pelo exagero do movimento das sobrancelhas e do dedo em riste. Mas se o último gesto se adapta melhor à personagem, o primeiro podia diminuir em frequência. É que não consigo olhar para outro lado, sem ser para as sobrancelhas dançantes. Parece-me até que lhe encontrei uma característica invulgar: o actor consegue erguê-as de fora tão bem quanto de dentro. Já "Laurinha" sai prejudicada com o excesso de branco daqueles dentes. Outra característica para a qual não devia estar a centrar a minha atenção quando vejo a novela mas lá está: parece incadescente, fluorescente, uma coisa tão dominante que rouba a cena. Depois a actriz está ainda crua em muitas coisas e ultimamente o que me tem enervado é ouvir a sua respiração. A cada palavra pronunciada ou que vai pronunciar, até mesmo durante os silêncios, lá se escuta a respiração pela boca. Além disso, "Miguel" parece muito apaixonado por ela mas ela limita-se a olhar para ele como se estivesse apaixonada. É a tarimba.
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A elogiar tem-me faltado mencionar a cumplicidade que os actores de "Miguel" e "Escobar", muitas vezes regada com a participação do "Padre Inácio". É uma parte bonita de se ver. Parecem uns meninos traquinas!
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TERRA NOSTRA:
Não tenho estado em cima dos episódios diários mas pelo que vi, as personagens continuam a repetir as mesmas histórias vezes e vezes sem conta, diálogos desnecessários continuam a embalar a trama, os passeios por entre coches e portões de casas, corredores e páteos continuam, o comboio continua a ser uma cena para encher, assim como as de trasições da noite para o dia, com os emigrantes a acordar para a lavoura. Além disso, quando o armazém ficou sem dono, não houve nenhum italiano que se apresentasse com a ambição de ficar à frente da venda. Será que a ambição italiana é exclusiva para as duas personagens centrais, Mateu e o amigo, e mais ninguém que trabalha duro naquele cafezal ambiciona largar a enxada? Essa parte não convenceu.

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

EM EXIBIÇÃO 02

Actualizações esporádicas das novelas em exibição em Portugal

Terra Nostra, apesar de manter alguma redundância na história, é no momento a novela em exibição na SIC a ter maior desenvolvimento e interesse. Desejo Proibido não lhe fica atrás mas, surpreendentemente a fuga de Laura da Igreja e respectivas consequências não resultou num interesse maior. Mas vamos por partes:

.............................. ....... ..........Lição de Culinária

Terra Nostra teve hoje um capítulo que foi uma autêntica lição de culinária. Falou-se de pão com linguiça, bananas, fábricas de macarrão e alcachofras. É uma informação factual histórica de valor que gosto de ver nas novelas, mas que neste capítulo foi em demasia. Estas iguarias passam quase todas pelas mãos de D. Leonora e a família de Gumercino tem de se submeter a novos paladares à mesa. A história em si, continua com vários momentos de redundância porém, a mentira arranjada que leva Giulianna achar que tem o seu filho nos braços é tão revoltante, que mantém a curiosidade por novas situações.

Sete Pecados bem podia aprender esta lição com Terra Nostra. A de dar umas voltas interessantes de vez em vez, ao invés de prometê-las apenas para o último capítulo. Sobre os capítulos desta semana pouco posso dizer, pois fui perdendo o interesse com a palhaçada mais que vista do objecto perdido e cobiçado (a estátua) que passa pelas mãos do elenco inteiro e desaparece assim que seus perseguidores a localizam novamente.

Desejo Proibido continua a proporcionar-me aquela risada de satisfação, a cada trecho de diálogo de humor inteligente e subtil que o autor escreve numa tirada. Aqui a forma como os actores percebem e incorporam estas mensagens tem muito a ver com a nossa percepção delas. No episódio de ontem, Nezinho sai-se com esta: “então se o afilhado de padre afinal é padre, a sobrinha de padre é o quê, madre?” – como se vê, assim só no papel, a graça pode perder-se. Mas não na linguagem que a novela tem e consegue transmitir.

Observações menos positivas costumam recair sobre as personagens principais e aqui não é excepção. A história toda consiste no amor de Laura por Miguel, que é padre e por consequência, esta paixão não pode se consumar de uma vez. Tem de passar por provações e mal-entendidos. A questão é que Laura comete tantos mal-entendidos, a rapariga é tão precipitada a tirar conclusões, que a coisa começa a ganhar contornos forçados. E é por isto que convém que o papel seja bem dominado pelo actor. Só um bom actor sabe dar credibilidade a estes momentos de puxa-estica. Miguel está muito bem, como o outro lado deste enredo. Mas se fosse ele, as últimas atitudes de Laura me fariam abraçar o sacerdócio com total convicção. Isto de ter paixão por um padre deve ter sido mais usual do que se imagina, no seu tempo.


Reflexão sobre a paixão por um padre:

Comecei a pensar no antigamente, quando todos frequentavam a igreja e o padre e o confessionário era um local muito concorrido pelas beatas. Temos uma noção muito fantasiosa destes tempos devido à contribuição da ficção. Os padres nos filmes ou novelas são sempre homens praticamente santos. Recebem a devoção dos fiéis mas nada que atravesse a fronteira do pecado. Penso porém que na realidade, esta fronteira deve ter sido atravessada com regularidade. Imagine-se um padre de comarca, condescendente, bondoso, atencioso e compreensivo. Ainda que não o fosse como homem, se mostraria assim como padre. E agora imagine-se toda aquela mulherada, vinda de casamentos arranjados, de submissão à figura masculina, muitas vezes maltratadas e usadas como objecto de usufruto, sem um carinho genuíno, sem preliminares. Imagine-se, pois certamente esta realidade na vida da mulher de antigamente era mais real que excepcional. Todos os dias a ir à missa onde uma figura santa, mas homem, lhes dá uma palavra amiga e compreensiva. Quiçá um simples gesto de afago na cabeça significasse mais para uma delas que qualquer outra coisa. Imagino então a quantidade de olhares de carneiro manso que um padre, lá no altar, recebia das suas fiéis mulheres. Agora depende do homem por detrás da batina, a coisa ficar por aí ou extravasar. Tenho cá para mim que a fronteira foi passada sem qualquer pudor, várias vezes. Até porque, as informações que nos chegam actualmente sobre os “desvios” de carácter do clérigo colocam num cantinho qualquer escândalo de um relacionamento entre um homem e uma mulher, ainda que ele fosse padre. Imagino também o pesadelo que não foi, para tantas crianças “ajeitadas”, que naquele tempo, não tinham quem mais se preocupasse, ir parar aos cuidados de um clérigo que usa a batina para dissimular desejos sexuais escusos. Mas estes casos envolvendo uma conduta sexual criminosa de um padre chegam poucas vezes ao ecrãs da ficção. Confesso porém, que se vivesse em Passaperto e tivesse que me apaixonar por um padre, como manda a história, seria pelo Inácio, não por Miguel. O primeiro é cheio das virtudes e os seus pecados, de cozinhar mal e ser teimoso, não causam má impressão. Ao menos o homem cozinha! E lava a louça a seguir.


PS: Não sei em que época ou local o celibato não era condição para o clérigo servir a igreja e os padres podiam ser homens casados e com filhos. Também não sei quando isso mudou para a presente condição mas padres com filhos houveram muitos. O progenitor da primeira filha de D. Beija é atribuído a um padre, embora na novela esta seja de António. A verdade, essa quem a sabe?










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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

ESTREOU!

Estrearam realmente, três novelas esta segunda-feira, aqui em Portugal, no canal SIC, estação que detém a exclusividade de tudo o que é produzido pela TV Globo.

Esperei até agora para poder fazer uma avaliação.

Terra Nostra não vi. Também já passou por cá mas do pouco que entendi, continuei a achar maçante e com falta de dinamismo.

Perdi o início de Sete Pecados, apanhei apenas os últimos 25 minutos e não me surpreendeu. A história já foi vista noutras histórias e continuo a achar a prestação de Elizabeth Savala sempre igual a tudo o que já fez. Mas aguardo por mais com optimismo. Deu para entender que a virtude está toda do lado "pobre" encabeçado por Reynaldo Gianecchini e o pecado na personagem de Priscila Fantin. Também reparei na presença da música "Anjo" dos Roupa Nova, que fez parte da banda sonora da telenovela "Guerra dos Sexos" cantada na voz que me pareceu ser de Fábio Júnior.
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A estreia para o horário das 22.00 horas de Desejo Probido, nem preciso de espreitar as audiências amanhã, para saber que ganhou pontos. A novela começa bem, tem mistério e profundidade. Cativa logo de início e deixa no ar a promessa de muitos, muitos enredos entre sogra e genro, irmãos adoptivos, médico e paciente, milagre e padre. Boa mesmo! Só depois entendi que se trata de uma novela de época, sobre as quais recaiem as minhas preferências.
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E é tudo para primeiras impressões!

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