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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apagão Analógico - RIP a 12 de Janeiro

Está a aproximar-se o dia em que as EMISSÕES de televisão no formato analógico vão MORRER.
A 12 de Janeiro de 2012, em todo o Portugal Continental, a forma tradicional de assistir televisão DESAPARECE, para sempre. Assim o dita uma norma europeia. E será substituída pela televisão Digital Terrestre (TDT). A mesma coisa, só que mais lucrativa para quem a controla!


Esta substituição do analógico para o digital é inevitável, mas causa alguma estranheza. É como ter de dizer «adeus» ao conforto da «velha lareira», que vai ser substituída por um qualquer aparelho aquecedor eléctrico. E será que gera uma onda de calor equiparável ao de uma lareira?



O apagão analógico dita o fim da televisão que crescemos a ver. As próximas gerações, e mesmo estas, não imaginam a simplicidade de ver televisão com uma antena no telhado para receber o sinal de ondas hertezianas do emissor e um televisor para as exibir. Falta-lhes a "parnafenalha" toda que entretanto se associou ao hábito. E a evolução para o digital está a eliminar o equipamento analógico. Mesmo não existindo playstations, X-box ou Wiis nos anos 80, surgiram os Atari, os Timex, os Spectrum e outros computadores de ligar à televisão, cujos jogos eram carregados via analógica através de uma cassete normal (agora extintas). Estava-se já a evoluir da «lareira» para o «aquecedor eléctrico».

E o «aquecedor eléctrico» implica outros cuidados, requer o consumo de mais energia, dura menos, necessita de ser substituído com maior regularidade, precisa de upgrades e manutenção, é um investimento contínuo e mais dispendioso que a «lareira», que para funcionar só precisa de uns troncos de madeira.

Bom, brincadeiras à parte, a televisão analógica serviu muito bem os lares Portugueses e o seu desaparecimento merece uma referência. Tem de se aceitar o progresso e as coisas «boas» que o digital pode proporcionar, mas como suporte de registo é algo em que não confio. Não parece que seja tão vantajoso quanto a película magnética, essa invenção «analógica» fantástica, que nos permite 120 anos volvidos, ainda ver os primeiros filmes dos irmãos Lumière (1895), ou as primeiras animações (ler link). A película magnética é recuperável, se danificada numa secção, salvam-se as outras e é um processo mais envolvente, mais emotivo. E rápido! O digital... ?? Um erro apaga tudo, um azar, apaga tudo, um risco, apaga tudo, um abanão, destrói tudo...
Mas vamos a ver! Há que ter fé e acreditar que se evolui também para coisas boas, que superam eventuais perdas. Uma CERTEZA porém o DIGITAL nos traz: é excelente para «extorquir» milhares de euros extra aos cidadãos, que têm de pagar um equipamento descodificador, uma box, canais de televisão em sinal fechado e sei lá mais o quê... Um crescendo de zumbidos electricos pela casa lol!

Este AUMENTO de aparelhos e caixinhas electrónicas além de produzir mais ruído, também produz mais lixo, o que é mau para o ambiente. Produzem-se milhares de aparelhos de plástico que vão ser constantemente substituídos por outros mais avançados, mais novos, com um design diferente ou características mais específicas às necessidades do utilizador. E, claro, todos estes extras, geram dinheiro, porque custam dinheiro e tudo se paga!

Mas não vou alongar-me nesta «homenagem» de despedida às EMISSÕES ANALÓGICAS.

RIP (rest in peaceTV analógica. Foste a melhor e lamento que vás partir!

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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A Qualidade em Televisão


A cassete antiga estava no vídeo à espera que carregasse no play. Mas por 10 minutos, continuei a ver na Sic a novela Duas Caras. Finalmente, pressiono a tecla. Surge a novela Dona Beija. O primeiro gesto que tenho de fazer é alcançar o telecomando da televisão e baixar o som 2 níveis. Esta novela, gravada há 20 anos num vídeo mono, tem o volume de som mais alto que a novela em exibição na Sic. Acaba rapidamente e dá lugar a outra novela: Pantanal, gravada na 2ª exibição. Aqui tenho de baixar novamente o som 2 níveis. Mais á frente encontro a novela Vale Tudo. Todas estas novelas apresentam uma imagem perfeita, nítida, sem sombras ou chuviscos.

Desde que foram gravadas, há 10 ou 20 anos atrás, a televisão beneficiou de avanços tecnológicos. A cada mudança existe sempre a promessa de uma coisa melhor, em qualidade, em conforto, em interactividade e segurança. Mas nada disso realmente aconteceu, não é mesmo? Para quê tanto mudança se o que apreciamos é o que tivemos: qualidade?

O que nos espera a televisão no futuro? A qualidade na recepção de produtos de televisão não é somente influenciada pela poluição visual estática e dinâmica que vemos no ecrã em simultâneo com as novelas. Não são só os logótipos e as mensagens em movimento, ora em rodapé ora nos cantos a prejudicar a qualidade do produto que chega aos lares do público. É também o som, este truque utilizado para prejudicar o espectador audaz, que ouse desejar gravar o produto de lembrança para si. Som este que dispara em estrondo quando surge os intervalos para a publicidade. Som que por vezes não se percebe se chega em pior qualidade apenas por ser de baixo volume ou se também não é stereo. É também o dessincronismo entre o mesmo som e a imagem, com os movimentos dos lábios a anteciparem o que se escuta. Truques! Malditas estratégias que não existiam à 20 anos atrás.
Volto a perguntar o que reserva ao espectador a televisão no futuro. É uma questão de pouco tempo, até todos abdicarem das emissões analógicas e serem obrigados a seguir a regra do mercado: aderir à Televisão Digital. Esta faz as promessas do costume: imagens espectaculares, de não-sei-quantas linhas, interactividade que elimina os intervalos publicitários, etc, etc. O que me faz interrogar para onde vão impingir a publicidade que as pessoas vão deixar de ver.
De que vive a televisão? Não é das verbas da publicidade? Então, o mais provável é que durante as novelas e telejornais, o espectador vá ter o ecrã dividido em ¾ s, sendo que um emitirá continuamente publicidade (espero não estar a dar ideias!!). Ou seja: os logótipos estáticos e as mensagens dinâmicas serão “fichinha” (deixem-me usar um termo mais brasileiro) em comparação com a possibilidade da publicidade estar a ser injectada em simultâneo com o programa! O SONHO de qualquer negociador ávido pelo vil metal.

Há também outra ameaça a pairar sobre o sistema digital, além de ser o pior para armazenar dados. Quantos já não carregaram no botão e ups! Fez curto-circuito ou uma confusão qualquer e o aparelho apagou o que não devia? Acontece-me mais do que desejaria. Mas não é esta a ameaça maior que a tv digital coloca sobre os direitos do espectador. A ameaça vem no maior e total controle das emissões. Sem ondas hertezianas, sem o analógico, copiar sinais ou talvez até duplicá-los será mais difícil. Qualquer ideia mais criativa para aumentar a qualidade e conforto será dificultada pelo sistema. Será necessário em cada lar, instalar uma (quem sabe se não será uma por cada aparelho) box digital. Quando antes só era preciso o televisor e nada mais.

Existe ainda uma ameaça que pessoalmente considero maior. A impossibilidade do espectador efectuar gravações de programas.

Com a implantação do sistema DIGITAL, caberá provavelmente ao governo decidir se as emissões passarão a ter um BLOQUEADOR DE SINAL, que impede o programa de ser gravado em casa. Tanto pode isto acontecer com tudo que passar na televisão, como só com estes programas de grande audiência, como as novelas.

Sim, é claro que o espírito humano é naturalmente inovador e adora ultrapassar desafios impostos. Talvez uma forma de contornar o sistema seja sempre possível. Talvez não. Mas a verdade é que, para mim, me basta a simplicidade. Uma antena no telhado, aquelas imagens nítidas, vivas em cor e potentes em som, que gravei da televisão há 20 anos!

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