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sábado, 4 de maio de 2013

O Octávio de Tony Ramos


Eu disse que ele merecia e cá vai: um post dedicado a Tony Ramos.
Ou melhor, a ele enquanto actor que encarna a personagem "Octávio" na novela "Guerra dos Sexos". Se fosse falar de todo o percurso do actor nunca mais ia sair daqui e este post ia demorar dias a ser escrito!


Ele merece um longo post por toda a carreira que tem, pelas personagens que já chegaram até nós desde os anos 70 até os dias de hoje... Mas por enquanto fico por Octávio,  um deleite para os sentidos! Quem não viu, "corra" já para a Globo Portugal e fique a ver Guerra dos Sexos até a personagem de Tony Ramos aparecer. E depois é relaxar e absorver com deleite todo aquele imenso talento para a comédia que Tony tem.

Octávio não abandona o corpo do actor em cena, nem por um milésimo de segundo. Ele está lá sempre, com uma expressão no olhar, um maneirismo ou uma postura que comunica imenso as características da personagem. Adorei especialmente uma cena simples que foi para o ar há umas semanas, quando durante a entrega dos presentes do "amigo secreto", na festa de Natal, Octávio maldiz a iniciativa da prima, considerando aquilo uma palhaçada mas assim que escuta o seu nome como receptor do presente dela, parece uma criança invejosa que ficou radiante! Só que a prima recusa-se a dar-lhe o presente uma vez que ele acabara de criticar a iniciativa. Ele fica de "trombas" como um rapazito contrariado. Mas assim que a prima se distrai e coloca o embrulhozinho no chão, ele que estava a rondar surge de rapina e surrupia o embrulho, fugindo com deleite. Achei a cena por demais maravilhosa!

Claro que, infelizmente, foi um momento para merchadising*: todos estavam a oferecer uns aos outros perfumes de uma determinada marca, bem visível na caixinha. E tiveram de dizer umas tantas linhas a elogiar o perfume. Tony Ramos, na personagem, teve de dizer que adorava aquele perfume. Pena foi que uns episódios mais à frente as coisas se contradigam quando, no seu quarto, o sobrinho para não ser apanhado em flagrante com Vânia, explica que não se sente nenhum cheiro de perfume ali porque o tio é extremamente alérgico a perfumes. Isso e Charlot, episódios antes, ter tentado seduzir Octávio espalhando perfumadas fragrâncias no quarto. E também pelo facto de, em mais uma cena de merchadising, a mesma Charlot mandar Olívia, a empregada, espalhar por todos os cantos da casa (menos o quarto do irritante primo Octávio) vários dispersores de aroma, para delícia olfactiva de todos os convidados da festa de natal. Mas são discrepâncias que se desculpam...

Fico contente com uma notícia que saiu repetidamente na imprensa portuguesa, dando conta que dois actores portugueses vão ao Brasil participar no filme "Os últimos dias de Getúlio" onde também participa Tony Ramos, na personagem do ex-presidente brasileiro. E porquê fiquei contente? Porque é muito talento em três pessoas só! Os actores portugueses apontados são mesmos excelentes. Nestas coisas artísticas nunca se sabe, projectos estão sempre a sofrer alterações e é esperar para ver. Contudo, é, sem dúvida, uma oportunidade única, especial, pela quantidade absurda de talento artístico e pelo tema do filme.


Ainda não viu Tony Ramos neste papel cómico? Corra para ver! É uma delícia. Tem também muita parte física nesta comédia. Ele sobe e desce escadas, dança, corre... Concluí que o actor além de dar show na personagem, também está à altura na liberdade dos movimentos. E ainda nem chegou à parte portuguesa (Octávio, às tantas na trama, tem um primo português igual a si), em que o actor terá de se dividir em duas personagens. Quando chegar, imagino que não irá desapontar. Teremos assim "DOIS EM UM" de Tony Ramos em comédia, ehehe.



*merchadising: momento de venda dissimulada de um produto numa obra de ficção, fazendo com que as personagens o publicitem e o elogiem, mostrando suas embalagens e nome de forma bem visível.

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terça-feira, 5 de março de 2013

Guerra dos Sexos - o remake

Ainda vai no 3º episódio mas já dá para tirar umas conclusões. O remake de "Guerra dos Sexos" é uma novela que se vê. Por nostalgia, por o povo gostar de se divertir. Mas em comparação à primeira versão não parece que vá conseguir divertir tanto.

O ENREDO em 2013
Primeiro, está um tanto desactualizado o próprio tema da novela. Isso de Homens de um lado, mulheres para o outro já não faz sentido nos dias que correm. A novela ainda assim podia explorar isso, mas restringindo esse preconceito ao universo laboral nas lojas Charlot. Julgo que "Roberta", de início uma «dondoca» dona de casa algo alienada do grosso dos negócios do marido, ao invés de entrar "a matar" nesse preconceito de género, assim como outras personagens femininas podia revelar uma atitude mais actual, apenas se vendo forçadas a «manter» uma mentalidade separatista em casos particulares. E as restantes personagens deviam manter essa postura no ambiente laboral, por receio e imposição do dono das lojas. 

Que o MACHISMO caracterize Otávio e seu sobrinho, ainda vá lá. Mas os restantes homens deviam ser mais liberais. Engraçado é que, na trama, as mulheres são mais de lados do que os restantes homens. Tirando estes dois, os restantes têm um pouco mais com que se preocupar, mas também, os restantes são quase todos núcleo pobre.

O AMBIENTE E ENVOLVÊNCIA
Após um excesso de planos de uma idosa polícia de trânsito (ainda se usa disso?) sempre a assoprar o apito frente às lojas Charlot, em termos de estética a novela segue um pouco a primeira, não fosse o director Jorge Fernando o mesmo e não fosse, se não erro, filho na vida real da "polícia de trânsito" eheh!

Em termos musicais pouco impacto se fez sentir nestes primeiros episódios. Algumas melodias mantém-se, como a da abertura e o tema romântico de "Juliana", embora já não na voz dos "Roupa Nova". Mas... e quem é que canta aquela melodia «pavorosa» quando aparece a personagem de "Nené"? Julgo que a voz é do próprio actor (Daniel Boaventura) mas ele que me desculpe se for e desculpe quem for, mas não gosto não...

E até agora, acho que ainda não vi (tirando a cena de Victorio) nenhuma personagem com um telemóvel. E que falta fez ele a "Nando", quando descobriu que tinha sido raptado pela «noiva em fuga»... A menos que tenha passado despercebido o instante em que a moça atirou o aparelho para longe da viatura, julgo mesmo que o motorista não transportava um "celular" consigo.

ACTUAÇÕES

Soberbo! Soberbo é como caracterizo a prestação de Tony Ramos como "Octávio". Cada vez que ele fala, acredito em cada palavra que diz. Tal é a autenticidade que passa, acredito mesmo que estou a ver uma pessoa que está convicta das ideias que transmite. Quando ele critica as mulheres, ele é autêntico em cada expressão e entoação. A actuação no conjunto é brilhante. Este é um actor de comédia. Tony Ramos já não me fazia gostar dele desta forma desde o tempo do hipocondríaco de "Bebé a Bordo" (que devia ter reprise, gente! Ele e muitos outros foram show nessa novela). Ele está tão bem neste papel, que "eclipsou" totalmente a lembrança do saudoso Paulo Autran na mesma personagem. Eu quero ver este. Este "Octávio". E nem lembro do outro... Acho que mais nenhuma outra personagem entra assim na trama, com uma força por si só. Aliás, logo na primeira fala quando "Octávio" reage ao ouvir o seu apelido mencionado no testamento do tio, Tony Ramos arrancou de mim a primeira risadinha. Logo ali e continuou cena adentro... Por isto tudo merecia um post só para ele.

Edson Celulari também tem bom momentos no registo de comédia. A primeira cena com "Roberta Leoni" (Glória Pires) teve química e prometeu algo interessante daí para a frente. Ele e Tony fazendo comédia sabem dar espaço um ao outro, dando e recebendo. Mas perfeito não está, acho que devia vincar mais o lado mulherengo do lado de pai. Lembro do "lado de pai" da personagem ser muito mais vincado na versão "Tarcísio Meira". 

O ELENCO
De resto, heis algumas «caras» que gostei de rever: Fernando Eiras (Dinorah), que acho que não via na globo faz um tempão, Marilu Bueno, que vai aparecer na mesma personagem a que deu vida na versão de 1983 - a governanta do "castelo" Charlot, a actriz andava pela TV Record fazendo personagens fantásticas e agora regressou a convite do director para fazer novamente a governanta, sendo a única actriz, que eu saiba, a participar nas DUAS versões. Depois surgem «rostos» novos ou menos conhecidos, que ainda pouco posso avaliar mas gostei do pequeníssimo momento que teve em cena Ronnie Marruda (Baltazar), que foi quase actor silencioso numa cena no escritório de Octávio, mas cuja presença física foi tão forte que se destacou aos meus olhos. Uma espécie de postura cómica sem abrir a boca...

Porém acho que ia gostar se outros actores que participaram na primeira novela pudessem, de alguma forma, participar nesta também, em género de «homenagem». Sei que «polítiquices» entre outras coisas influenciam quem é escalado numa novela mas a verdade é que o publico é saudosista e por vezes essa coisa de levar actores da «primeira safra» a fazer «perninhas especiais» na segunda é coisa que agrada. Como não faço ideia do que é feito de Mário Gomes, nem sei se tem compromissos com outra emissora, esse é um dos actores que gostava de ver aparecer por ali. Faz tempo que não se vê e foi memorável como "Nando". As pernas de Maria Zilda bem que também podiam voltar a aparecer por ali, e voltar a fazer humor com essa referencia recorrendo a planos bem generosos desse «dote» que tenho a certeza que a actriz conserva «nos trinques». E Lucélia Santos? Existirá outra actriz que consiga dar a uma jovem personagem um ar tão angelical e de menina quanto ela? Toca a meter ela aí também gente... São actores que gostaria de rever no ambiente desta novela.













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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Novela Brasileira na RTP?


E é assim que se descobre o quanto a RTP é uma estação de televisão invisível...
No ar há algumass semanas está, depois do telejornal da RTP1, a telenovela "Éramos 6" (1994), um clássico muito elogiado, que acompanha a história de uma família por duas ou três gerações, assim como as mudanças sociais e políticas do país.

Uma novela destas, considerada por muitos uma boa novela para se rever, devia ser publicitada. Afinal, GRANDES nomes fazem parte do seu enredo. Irene Ravache, Othon de Bastos, Caio Blat, etc... É uma mega-novela, de top mesmo... Que aparece ali no meio da programação da RTP1 vinda do nada, e só dei por ela noutro dia, por puro acaso ao olhar para um televisor aceso num local público...

E é quando se abrem revistas de televisão como a TV7Dias (nº1354), que na página 40 inicia a abertura do texto sobre o actor Marcus Caruso desta forma: "Está em Páginas da Vida como Alex e em Avenida Brasil, onde faz de Leleco" - que uma pessoa tem a confirmação que a RTP1 não serve mesmo para nada. É invisível, a sua programação passa despercebida e já nem tem interesse as novelas que possa ou não passar. Pois Marcus Caruso, um muito mais jovem Caruso, também entra em "Éramos 6". O actor está, desta forma, no «ar» em TRÊS novelas em exibição nos canais Nacionais. Mas só dão conta de duas... na SIC.


Uma mente minimamente iluminada e mais preocupada com o o tema da programação e o género investido, saberia que "Éramos 6" tem potencial para conquistar público, pois uma novela familiar cativa tanto os mais idosos, que se revêm retratados naquele quotidiano, quanto os jovens saudosistas e apreciadores de uma boa história. Saberia principalmente, divulgar a novela usando o nome das suas estrelas, recurso que durante anos funcionou bem para trazer audiências a um canal. Nesta novela, deviam destacar o trabalho de actores como Irene Ravache, que está "em alta" por estrelar o remake de "Guerra dos Sexos", novela que vai estrear na Globo este Domingo e que o canal tem anunciado e aproveitado as próprias estrelas para divulgarem a novela, apelando especificamente ao público português. Devia aproveitar para lembrar a participação de Marcus Caruso, actor que está a abrilhantar com sucesso as noites da SIC, estação rival e lider de audiências, com o seu "Leleco". Era assim que se fazia antigamente... E para uma estação que tem tudo a perder, porque está a perder tudo mesmo, este conhecimento básico devia ser exigido...


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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

GUERRA DOS SEXOS/War of the Sexes

Esta foi uma novela que me marcou, a bem e a mal. Mas águas passadas, voltei a “encontrar” Guerra dos Sexos por acaso, ao encontrar numa velhinha cassete Beta umas cenas finais da novela. Foi então que as lembranças vieram à memória.

Acho que preciso realçar o quanto esta novela foi inovadora. Trouxe uma dinâmica na direcção, com as personagens a interagir com a audiência e a expressar os seus pensamentos olhando directamente para a câmera. Fizeram-se brincadeiras com a imagem gravada e recorreu-se à inserção de melodias famosas para contextualizar determinados momentos. (ex: E Tudo o Vento Levou). O humor físico e o romance cómico foram largamente explorados numa novela que se assumiu uma comédia escancarada. Mas ao rever estas imagens, o que me saltou aos olhos e o que realmente apreciei foi: Guerra dos Sexos não seguiu as regras padrão dos finais felizes.

O mocinho jovem não fica com a mocinha linda que era a Juliana de Maitê Proença. Não. O “macaco barbudo”, alcunha que Nando (Mário Gomes) recebe do seu rival Filipe (Tarcísio Meira), descobre estar apaixonado por outra mulher. Menos jovem, mais madura e experiente. No entanto, a bela Maitê não fica a chorar lágrimas amarguradas nem tão pouco surge do nada um príncipe encantado só para a mocinha deixar de sofrer por falta de amor.
Guerra dos Sexos inovou porque emancipou a heroína. Juliana junta-se a Vânia (Maria Zilda), uma mulher independente e partem num cruzeiro, onde se adivinham imensas aventuras e nenhum compromisso.

Esta mudança no habitual desfecho guardado para as heroínas de novelas está mais próxima da realidade e menos da fantasia a que nos acostumámos. E como facilmente nos deixamos levar por elas, só faz é bem que a ficção nos mostre outros desfechos. É claro que pelo meio desta lufada de ar fresco, continuam as peripécias que todos gostam de ver. A guerra de comida e as tortas arremessadas ao rosto, a troca de alfinetadas sagazes entre os sexos que tanto se atraem como se repelem. Mas o que realmente foi inovador para a época, foi deixar a mocinha bonita da novela livre de amores!
PS: Quando esta novela foi re-exibida pela Sic em 1997, alguém a gravou na íntegra e disponibilizou inumeras imagens no you tube. Encontrei também um site que permite o download da novela, do primeiro ao último capítudo!

English Version:
This was a turning epiphany tv soap to me. I found “War of the Sexes” again, trough some final scenes I’ve found in an old beta tape. Re seen those brought memories back to surface.

I need to enhance how innovated this tv soap was back in its days. It brought a new direction aesthetic, with characters looking directly to the camera, sharing their thoughts with the audience, lots of movement, romantic comedy and physical acting. It was a breath of fresh air but, its main contribution, in my view was not to follow the standard “happy end” rules.

This is the example: the young and beautiful Juliana (Maitê Proença) doesn’t stay with the also young and beautiful Nando (Mário Gomes). Instead, she, who is hopping for him to go to her, stays alone. But she doesn’t cry out of hurt not even a good looking young and rich prince arrives from no were and falls in love with her. No! Juliana and her friend Vânia (Maria Zilda) go in a cruise with a hint of adventures and no compromises. Just fun living!

Having watched this again it became clear to me that what I enjoy more about this tv soap now, is this different approach to romantic endings. A little more of truth to it, although the fantasy remains, in the physical comedy, the playing with the recording images, the use of famous sound tracks to over emphasise the meaning of a message (for example: Gone with the Wind), the face pie throwing, food fights etc.
When this soap was re-exibid in Portugal, someone tape it all. It´s now possible to find inumerous scenes on you tube. I´ve also find a site that alows the complete download of every episode, chapter by chapter!
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The complete sound track here: Faça o download complecto da banda sonora aqui:

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