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Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
Para TODOS os fãs de telenovelas Brasileiras e Portuguesas espalhados pelo mundo.
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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Estreia novela Amor à Vida

O que se passa com Susana Vieira e suas mãe-megeras que repetem frases iguaizinhas às da minha??


A personagem promete!
*Novela Amor à Vida

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O próximo REMAKE devia ser...

Recentemente o Globo decidiu gravar uma nova versão da novela "Guerra dos Sexos" (GS) e foi o que se viu: um desastre! De todas as novelas que podiam ser feitas e adaptadas aos dias de hoje, GS foi talvez a escolha menos adequada. Não só porque 20 anos se passaram, mas principalmente porque o fio condutor da história está completamente ultrapassado. 


TOP MODEL, novela que estou a rever graças a tecnologias que em 1989 não existiam, está a mostrar-me que ESTA É uma novela que podia muito bem ser refeita. Nem os sinais da passagem do tempo iriam prejudicar um remake da trama. A existência de um telemóvel e outras tecnologias não fariam diferença. O remake desta novela é totalmente viável e com grandes possibilidades de atingir igual ou mais sucesso, se ao menos conseguissem reunir um elenco tão especial quanto foi o de então. 

Nuno Leal Maia (Gaspar), Malu Mader (Duda), Cécil Thiré (Alex) e Rodrigo Penna (Jr)


1) A NATURALIDADE
EM Top Model, algumas personagens - principalmente as infantis, parecem-se essencialmente com eles mesmos. Todos têm um aspecto real, clean, verdadeiro. Mesmo um cabelo pintado não tem aquele aspecto de cabelo demasiado produzido e sempre no lugar que há anos invade a teledramaturgia brasileira. Todo o pessoal da praia anda despenteado pelo vento como é natural acontecer. Combinando com o cenário: as ondas do mar. Ninguém tem extensões ou acrescentos de coisa alguma. Tudo é real: os peitos das garotas não são duas bolas de silicone implantadas no meio do tronco, "Duda" (Malu Mader), a TOP MODEL da história faz o género "tábua" e é isso que lhe dá charme e torna possível ela usar roupas decotadas até o umbigo e ser modelo. Outra com as costumeiras bóias ao peito não iam conseguir usar aqueles decotes quadrados que descem até os quadris. Não se notam PLÁSTICAS e retoques notórios nos rostos dos protagonistas. Ter protagonistas com ar natural faz os olhos acreditarem naquilo que estão a ver. As pessoas aparentam ser tão naturais quanto a paisagem do mar. Ali não estou a pensar: "olha o olhar estranho deste". "O que se passa com o rosto desta?". "Que peito horrível!" - coisas que indubitavelmente me passam pela mente hoje, ainda que não queira, e que atrapalham a história, porque se misturam com a visualização. São uma "distração". Se hoje fosse possível reunir um elenco natura, em que as alterações estéticas não atingem camadas tão jovens quanto as idades que vemos retratadas nos filhos de Gaspar (15 anos para baixo), só isso aumentaria o potencial do remake da novela como um novo êxito.

 2) A MODA
Convenhamos que aqui a mudança teria de ser radical. O que seria um desafio delicioso para os criativos da Globo. Nos finais da década de 80 moda era usar roupas King Size - três números acima, tudo cheio de pano. Quanto mais pano de xadrez, listas ou de uma cor sólida desde com um exagero de acessórios iguais pelo cabelo, pulsos, pescoço, etc, melhor. Está vendo essas cortinas ou essa toalha de mesa em sua casa? Pois mal bastariam para fazer um outfit na década de 80. Na novela todos os personagens abrem a boca de espanto e satisfação ao ver uma roupa virar o que hoje apelidamos de horrorosa. "Lucas" (Taumaturgo Ferreira) desmancha um modelo bonito, pega num retalho de tecido, enfia-o entre as pernas da sua modelo, dá um nó naquilo e pronto: o vestido vira sensação que todos gostariam de vestir. Vira "alta costura". Hoje é tirar tudo o que é pano em excesso! E aqui reside o outro aspecto aliciante de um remake: ajudar a mostrar uma moda, a criar uma "brand".

3) MERCHANDISING
Estive a ver os primeiros 20 e poucos episódios da novela e não existe merchandising. O que é fantástico numa novela cheia de potencial para o mesmo. Pranchas de surf, equipamento para surf, barraquinha de sumos, o universo de moda - tudo isto é um iman para merchandising. Pessoalmente DETESTO merchandising nas novelas - quase sempre exagerado ou notório. Em Top Model não existe. Por exemplo: Lucas e Duda estão no jipe bebendo guaraná pela garrafa. Quase nem se percebe que se trata de guaraná. Eles até fazem brinde mas a cena serve a história e não o contrário. Hoje teriam feito planos e planos dos guaranás, a casa de Gaspar seria um iman publicitário a marcas de cereais de pequeno-almoço e comida de cão - pois existe o Maradona e a pobre "Jane" (Carol Machado) não poderia ter a sua primeira menstruação sem fazer publicidade a uma marca qualquer de absorvente. 

Sinceramente, não encontro um conhecido rosto para protagonizar nenhum destas personagens. O certo, a meu ver, seria abrir castings a novos talentos - pelo menos para encontrar jovens actores para o núcleo infantil e assim poder usufruir do mesmo encanto que estes jovens nos trouxeram: eles mesmos para as personagens. Rapazes e raparigas dadas ao surf, seria um plus, já que neste elenco só Marcelo Faria (Elvis) parece saber ficar de pé numa prancha. Muitos rostos tiveram aqui a sua primeira aparição: Adriana Esteves que arrebenta ainda na TV Portuguesa como "Carminha", fez aqui o papel de "Tininha", moça que engravida do namorado logo nas primeiras transas. Drica Moraes (Violante em Xica da Silva) e suas sobrancelhas grossas também estrearam aqui, assim como as de Carol Machado, Flávia Alessandra, Gabriela Duarte etc. 

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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Porquê não vejo a novela A VIDA DA GENTE


A trama até parece ter algum interesse - pelo capítulo que apanhei hoje. Então porque razão não estou a ver a novela "A Vida da Gente", que estreou há umas 3 semanas na TVGlobo Portugal?



1)- Pelo título. "Vida" faz lembrar as "Páginas", que também está em exibição na SIC. Faz lembrar todos os títulos pirosos e lamechas com "vida" que possam existir. "Gente" como que reforça a ideia.
Digam lá se não é enjoativo só de olhar?

2)- Pela apresentação/trailler. Lamechas até dar dó, mostrou um resumo amoroso idêntico a tantos outros que logo aí foi um balde de água fria gigante que provocou desinteresse. O casal protagonista é jovem e bonitinho, ambos em plano muito aproximado do rosto dizem bem as falas românticas mas não convencem que existe química e que estão perdidamente apaixonados um pelo outro. São dois bonecos, uma Barbie e um Ken.





3)- Pela presença destas actrizes: Fernanda Vasconcelos, Nicete Bruno, Ana Beatriz Nogueira e também, vou acrescentar, Marjorie Estiano. O que elas têm de errado? Nada, como atrizes. Mas simplesmente gastaram seus filmes comigo. E porquê? Por interpretaram praticamente sempre a mesma personagem. Pelo reel/trailler, Fernanda Vasconcelos estava a representar uma menina em quase tudo igual à "Fernanda", que a celebrizou. No mesmo tom, com o mesmo ar, com o mesmo cabelo, com o mesmo rosto. Não pegou. Nicete Bruno no trailler fez o que sempre a vi fazer noutras personagens: deu muita lição de vida, mostrou ser uma avó moderna, enfim. Já a vi nesse papel antes e não estou para ver de novo. E como também não muda nem sequer o figurino, não atrai mesmo. Ana Beatriz Nogueira.... mais uma megera. E daí? Sabemos que ela é capaz de gritar, de fazer imposições, de ser intransigente. Depois não consigo olhar para o rosto dela com aqueles olhos fundos todos circulados por uma mancha cinzenta e um rosto tão peculiar que não consigo deixar de olhar com estranheza e alguma aversão - lamento querida, porque és boa atriz mas não estou a falar do talento. Teria de me habituar e tentar remeter esta impressão para o inconsciente para conseguir apreciar a novela, só que seria difícil e não estava para fazer o esforço. Marjorie Estiano, uma heroína, doce, compreensiva, sofredooora, a chorar baba e ranho - já vi! E não estava para voltar a ver. Novamente, nem o figurino ou o cabelo parece ter sido alterado para não coincidir com papéis semelhantes no passado. Os registos são os mesmos. E por isso não atraiu.

4) - A música do genérico/abertura. "Tempo, tempo, tempo, tempo" repetido não sei quantas vezes dá vontade de quebrar a TV. É das piores coisas que podem estar sempre a repetir. Em todo o capítulo escutar isto, é dose. Faz querer mudar de canal e nem sequer a novela começou!

5) - O próprio genérico. Quando identifico um plagiozinho ainda que meio disfarçado sinto que tudo o que vier a seguir é plágio também. A abertura é por demais semelhante a "Por Amor", que usou fotografias de Regina e Gabriela Duarte ao longo do "tempo, tempo, tempo, tempo" (irra, que é irritante até quando se escreve) para criar uma das aberturas mais celebradas e memoráveis da história das aberturas de novelas brasileiras da Globo. Esta foi buscar o mesmo estilo e deu o mesmo tom.

6) - A trama. A história como foi apresentada. Parecia uma manta de retalhos de histórias anteriores, muitas delas inspiradas no estilo do autor Manoel Carlos. Não só a abertura fazia lembrar a novela de Manoel Carlos, como a protagonista acidentada fazia lembrar a "Fernanda" de Manoel Carlos, a história do romance-catástrofe fez lembrar Manoel Carlos seguido de uma gravidez e um bebé para criar que fez lembrar Manoel Carlos.

E estas são as razões - a meu ver válidas para quem, ao menos, nasceu no século passado e começou a ver novela bem cedo. Nestas circunstâncias, como podia o trailler desta trama despertar grande interesse? E tem outro factor importante: a quantidade de novelas exibidas ao dispor do espectador faz com que se tenha de optar. Se o timming for mau, se o pacote de "embrulho" (trailler) não for apelativo, dificilmente vai cativar. E com uma "Avenida Brasil" no ar, mais outras tantas ao longo de todo o dia, existe uma certa exaustão e também uma necessidade de abrandar. Porque o cérebro ainda está a tentar ver chegar o final de duas ou três, para conseguir começar a acompanhar o início de outras duas ou três.

E por estes motivos creio que a novela devia ter apostado na escalagem de outros actores, para que não sejam sempre os mesmos a fazer o mesmo tipo de papel. Isso é um grande turn-off, é como fazer sexo sempre na mesma posição. Ao fim de umas tantas já não se sente emoção alguma. Com novela passa-se o mesmo. Não é que as novelas não sejam boas, não é que os actores não sejam bons. O problema é mesmo esse de tudo ser feito pelos mesmos, da mesma maneira, mostrando o mesmo, da mesma forma, plagiando. Ah, e para completar, para ser a cereja em cima do bolo, tem lá a filha do autor Manoel Carlos, fazendo um papel. Sério! Mal a reconheci e fiquei siderada no rosto dela, estranho, puxado, lábio e pele presa, ui! Fiquei tão fixada na estranheza do rosto que só passados uns 10 minutos é que notei que existia uma cicatriz "emprestada" no peito da personagem. A sério! Uma cicatriz que se quer feia e visível mas eu só consegui olhar foi para o rosto estranho, tentando perceber o que se passava...

Gente, a sério que não é do Manoel Carlos esta novela? Olha, eu acho que é! Ou ele arranjou um heterónimo novo, ou um acordo, ou está pela surdina. Não só a história tem um embalo parecido como a filha dele tem lá um papel. E toda a gente sabe: novela que é dele tem de ter a filha dentro. Olha a dica, gente!

Abraço!

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PS: Acho até que já sei como a novela vai acabar. Que cena e que plano vou ver. É que o registo é tão plagiado que aposto que vou ver para o final uma cena idêntica à do final da novela "Por Amor", em que os casais Atílio e Helena, Marcelo e Maria Eduarda mais as crianças, de mãos dadas, lado a lado, caminham reconciliados e felizes se afastando da câmara, num lugar paradisíaco como um belo jardim. E aí vai aparecer na TV a palavra "FIM"! Entendem? Dá para começar a ver uma história que só pela apresentação já se conhece a novela toda do início, meio até ao fim???

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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Carminha é DESMASCARADA - avenida Brasil

Carminha, personagem da novela Avenida Brasil (2012) é capaz de dar um nó a um prego.
O que ele inventa para conseguir não ser desmascarada está ao nível dos maiores burlões que o mundo já ouviu falar.

Vou confessar uma coisa: não acredito que na vida real uma "Carminha" fosse desmascarada da forma como a personagem na novela é. Acredito muito mais que ela ia aceitar a pensão choruda do marido e partir para a conquista de outro milionário, com bolsos ainda mais fundos que Tufão. E continuar com o seu amante. Mas na novela em alguma altura a sua máscara tinha de cair e isso foi para o ar no episódio de hoje.

Maxwell, inspirado em César (Vale Tudo), decide dar umas tantas "bananas" para a família Tufão e feito o gesto vai-se embora, deixando na casa um presentinho: várias fotos dele e Carminha na maior intimidade. A primeira a ver as imagens é Ivana, a insuportável Ivana e sua voz de nénem.

 Ela dá um grito que chama a atenção dos restantes que então também vêm as fotos e confirmam as acusações de Jorginho: Carminha e Max têm sido amantes. Quem dá um tapa na cara da infiel é Tufão, mas aqui pessoalmente achei que a cena deixou a desejar. Ivana tinha muita mais energia e razão naquele instante para ficar cega de raiva, partir para o tapa e arrancar cada extensão de cabelo falso de Carminha, elevar bem alto as madeixas entrelaçadas nos dedos das mãos e gritar feito uma leoa, após muito a esbofetear. Isso sim, seria uma cena de mulher enganada se vingando de mulher que enganou. Tufão já desconfiava. Tinha recebido muitos toques. A reacção dele não tem um impacto tão surpreendente. 

Mas Carminha não desaponta os "fãs" e seria capaz de dar um nó naquele prego, não tivesse o autor decidido que aquele era o momento do seu declínio. Carminha jamais seria desmascarada. Ela ajoelha e jura que é uma vítima, que as fotos são montagem da Nina, que está junta com Max. Implora para que acreditem nela, chama Muricy de «mãezinha». Mesmo desmascarada o seu calibre como vigarista é requintado e da mais alta qualidade. Carminha faz o género de aldrabona que deixa muitos divididos. Uns acreditariam nela, outros não acreditariam mais. Desmascarada, alguns ainda a defenderiam de tudo e contra todos, jurando acreditar no seu bom carácter. Assim acontece na vida real com as maiores vigaristas da humanidade. No seu próprio tempo têm uma legião de fãs - muitos até são também as principais vítimas. Por vezes só décadas depois é que a sociedade vê a figura com outros olhos, já não tão hipnotizados com o fascínio da "cobra". 

Que "Carminha" não tenha sido "salva" do improvisado cativeiro de Max mais cedo foi outra cena conveniente demais para o desenrolar da trama. Numa mansão com segurança, guarda e motorista que está sempre pelo jardim, ninguém ver a patroa a ser arrastada e amarrada, ou escutar os seus gritos ou gemidos é mesmo providencial para o fim pretendido. Nisto tudo, Nina e Jorginho perderam força na trama - mal aparecem e a sua intervenção no momento em que Carminha é desmascarada é praticamente nula. Aliás, carminha só não foi desmascarada antes com as provas de Nina porque, convenhamos, a miúda era muito burra para captar provas! Usava o celular para tirar foto ao invés de fazer um bom filme. Vai que deixava escapar todo o beijo e amasso. Coitada da Nina. Tão inteligente mas tão pouco versátil com as tecnologias. Demorou MESES a apanhar os amantes. Porém escutou todas as conversas atrás das portas. 


Outro casal que perdeu a força assim que se juntou foi Tessália e Darckson. E o que foi aquilo entre a filha mais velha de Candinho e o filho da cabeleireira? Aquela declaração longa e chata no carro pareceu precipitada, pois faltou mostrar a corte mais cerrada, o entrosamento dos dois a ficar mais íntimos, cedendo... Subitamente vão casar! E todas as dúvidas de Débora sobre Ivan dissipam-se com a oferenda de uns pasteizinhos. 

O final de "Avenida Brasil" está a se aproximar. Não sei ainda o desfecho de toda a trama mas muita coisa já transpareceu. O que mais me chocou foi o apontado "Final Feliz" com redenção e perdão para tudo o que é lado. Quando ouvi falar nisto a avaliação que fiz da novela caiu a pique. Mas confiando nos textos, vou esperar para ver se a coisa vai ser apresentada com veracidade ou se, ao contrário de Vale Tudo, esta trama não vai inovar em nada os finais e vai fazer com que todos vivam felizes para sempre, casados e à espera de filho. Quantos casamentos e quantos filhos vêm por aí?


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sábado, 13 de julho de 2013

Amigas OPORTUNISTAS

No episódio que vai para o ar SEGUNDA-FEIRA na novela Avenida Brasil, Verónica convida MonaLisa para ir almoçar a um restaurante fino. No final da refeição a cabeleireira ao ver a amiga pegar na bolsa manda ela guardar a dita e diz que quem vai pagar a conta é ela. Está feliz e contente quando Verónica tira da bolsa uma nota cobrando 600 reais pelos "seus serviços". E explica que a levou até ao restaurante para lhe ensinar as tendências, lhe mostrar os vinhos, etc e que isso é um serviço de Personal Friend muito bem pago na Europa e nos EUA, onde é moda e lhe está a cobrar uma pechincha de 300 reais à hora. 

MonaLisa responde à altura: «pode ser moda na Europa mas não é aqui no Divino. Aqui no divino mulher que cobra por serviços à hora tem outro nome" e nisto sai do restaurante. A cena com os detalhes do diálogo vai para o ar amanhã, no capítulo de hoje só saiu o cheirinho. Mas esta cena que parece saída de uma história absurda de alguém muito descarado não é tão incomum assim. Me fez lembrar uma pessoa que conheci. E ela fazia assim:


Ela surgia muito simpática parecendo querer fazer amizade. Oferecia boleia até o café, outras vezes convidava a pessoa para ir com ela de automóvel até um supermercado ou restaurante. Previamente pelo caminho falava de dinheiro. Falava no quanto a vida estava difícil e o quanto não estava nada fácil pagar as contas no final do mês. Enumerava cada despesa que tinha: a da renda de casa, a conta da água, do gás, da luz, de telemóvel, como se despesas não fossem comum a toda a gente.  Relatava também «histórias» pessoais de como as pessoas são egoístas e interesseiras e já não são amigas desinteressadas, capazes de gestos desinteressados, como dar algo a alguém sem esperar receber algo em troca. 

E dava especial ênfase às despesas com a gasolina. Essas relacionadas com o automóvel ela mencionava sempre. Por vezes era a primeira coisa que se lembrava de dizer assim que entrava no carro. "Hoje estou mais pobre. Já gastei 10 €uros em gasolina para o carro. Sem gasolina ele não anda, o que fazer? E já sei que vou ter de gastar mais porque não enchi o depósito. Não tinha dinheiro para mais. A semana passada também gastei 10€ de gasolina. É só vê-lo sair. Ter carro é como ter filho. Por isso é que eu não tenho filhos. É muita despesa. O que me valeu foi minha santa mãezinha que me emprestou 25€, porque eu não tinha dinheiro para comprar gasolina"*. 

Uma pessoa escuta isto e por vezes se compadece. Ao mesmo tempo, é tão comum em Portugal as pessoas iniciaram uma conversa informal com este tipo de lamurias que isto faz com que não se perceba quando alguém está a preparar terreno para nos dar um "chorinho". Pensamos apenas que a pessoa precisa de desabafar ou fez conversa circunstancial. Afinal, dinheiro não abunda para muita gente e despesas toda a gente tem! Mas isto aliado às confidências sobre os dramas com a família, com uma mãe doente, um pai incapaz para o trabalho, irmãos espalhados por toda a parte, pobreza e miséria de alguns e riqueza de outros. Tudo previamente pensado foi então "embalado" com cantilenas deste tipo.

Depois com o tempo é que damos conta que existe um padrão comportamental repetitivo. Cada vez que ela oferecia carona (boleia) a alguém, a seguir não tinha dinheiro para pagar o bolo e café. Nas compras, cobiçava algo mas dizia que achava caro demais, esperando que a outra pessoa se oferecesse para pagar a meias ou dizendo para a outra comprar para si. Se feita a compra pela outra pessoa, depois dava-lhe vontade de provar ou arrependia-se de não ter comprado e não ia ter como voltar tão cedo ao local. Nos restaurantes, elogiava o aspecto da comida nos pratos dos outros até lhe oferecerem um pouco a provar. Provava, dizia que estava delicioso, pedia para tirar mais um bocado, elogiava e por vezes acabava por consumir a maior parte da refeição. Com as sobremesas fazia a mesma coisa. Era sempre a mesma coisa. Inicialmente uma pessoa «engole» o engodo acreditando estar diante de alguém com legítimas preocupações sobre os caminhos erróneos da sociedade. Mas depois a repetição destes actos interesseiros e oportunistas, aos poucos, vão fazendo com que a máscara caia. Ela "Brincava" com a situação de provar a comida nos pratos dos outros, dizendo que era gulosa e que já estava cheia de comida, mas na realidade isso servia para mascarar a realidade: ela era uma oportunista que tentava sugar dos outros tudo e mais alguma coisa, mas com um sorriso, uma falsa simpatia, um falso desinteresse e uma falsa humildade, que a si própria atribuía.

João Emanuel Carneiro
Autor principal de Avenida Brasil

Se ela fizesse um favor a alguém, de alguma forma acabava por o cobrar. Cobrava até o impensável. E achava-se no legítimo direito de o fazer. Indignadíssima ficava quando as coisas não corriam como pretendido. Dizia que era ingratidão. Daí esta pequena cena na novela Avenida Brasil ser mais que um acréscimo cómico à trama. Os autores de novelas são de facto exímios a perscrutar a alma humana e extrair com autenticidade tantas variantes de personalidade e carácter. Pessoas como Verónica EXISTEM. E podem não ser tão fáceis de detectar quanto ela. Nem todas usam roupas de grife e se rodeiam do mais fino luxo, mas em comum têm o apurado sentido de oportunismo. E no fundo são imensamente barraqueiras, adoram baixar o nível e ser ácidas no trato com os outros, ainda que se esforcem para tentar se fazer passar por ladies. A IMAGEM que pessoas de "nível social elevado" possam fazer delas é-lhes importantíssimo. Mudam de imediato de postura quando diante de uma. Parece que os seus cérebros auto-programam-se para a bajulação e para a prestatividade que não é nem um pouco desinteresseira. Parecem máquinas que entram logo em "modo on". É até surpreendentemente como conseguem só de olhar identificar de imediato quem interessa mais dos que não interessam de todo. Quem tem "dinheiro, posição e influência" do "falido com ar de dinheiro mas que não interessa a ninguém". 

Uma vez esta pessoa em quem baseio este relato muito simpaticamente insistiu em pagar o pequeno-almoço (café da manhã) a uma colaboradora descendente de uma "família tradicional de alto prestígio e influência e com uma quinta no norte, onde está o dinheiro gordo", a qual, sempre que sabia por perto, tratava imediato de agradar e passar as melhores das impressões. Ao entrar na empresa vinha aborrecida e a primeira coisa que diz é: "hoje alguém tem de me pagar o almoço porque eu levei a XXX a tomar o pequeno-almoço fora e tive de ser eu a pagar a conta pois ela já pagou outras vezes e ficava mal. Não é justo". LOL. 

AGRADAR esta elite é um must e são capazes de investir um pouco na esperança de ter um retorno substancial, mas nem por isso gostam de praticar o ato de gastar. 

Numa ocasião ajudei esta «amiga» a preparar um evento que ela dizia aberto a todos mas que me contou que ia convidar pessoas de "outro estatuto social e com poder económico" porque estas é que faziam a diferença na festa, embora preferisse lá ter amigos de verdade e não pessoas interesseiras que só pensam em dinheiro. Convidou-me a aparecer, assim como todos os outros colegas. Apareci eu. Ela mostrou-se grata nas palavras, mas incomodada na postura. Ainda lhe dei o benefício da dúvida mas uma segunda ocasião se repetiu e nessa ficou ainda mais claro que a boca agradecia a presença como se fosse uma mera formalidade circunstancial, mas a postura era de irritabilidade. Claramente não lhe agradava a presença de alguém como eu diante de um grupo de pessoas "selecionadas". Há terceira e quarta ocasião já não tive como constatar nada: ela não me convidou ou sequer mencionou em conversas que estava a preparar mais eventos. Outras pessoas que não compareceram aos primeiros, surgiram para os últimos e assim se confirma que o oportunismo atrai o oportunismo. Eu, que lhe prestei muito apoio e incentivo, fui jogada para escanteio sem sequer existir uma pontinha de remorso. Bastou para tal que as coisas começassem a lhe correr para o melhor.  Com o tempo outras situações de "conflito mascarado" surgiram e chamei-a à parte expondo as minhas preocupações e pedindo-lhe para que fosse sincera e me contasse o que a perturbava comigo. Foi incapaz de admitir alguma coisa. Jurou que estava tudo bem e que era impressão minha. Mas continuou a manter-me afastada e a ter comportamentos provocatórios e suspeitos. 
Nesse aspecto a vida real não costuma ser como nas novelas, pois raramente quando chega a altura da "mocinha" dar uma prensa na "vilã" esta aproveita para mostrar a sua verdadeira face e confessar todas as armações ao mesmo tempo que revela todo o veneno. Normalmente o mais comum é o veneno continuar a ser destilado por vias mais cobardes, pelas costas, o mais dissimulado possível. 



Todos estes comportamentos oportunistas que pessoas assim adoptam, são executados ao mesmo tempo que lhes tecem duras críticas. Esta pessoa fazia conversas que mais pareciam palestras, autênticos discursos de filosofia de vida sobre a falta de desprendimento das pessoas hoje em dia, da falta de generosidade, do quanto a sociedade só pensa em dinheiro e o quanto ela não ligava a isso. Faz lembrar "Carminha" defendendo os valores cristãos e a família, e fazendo o que todos sabemos que realmente faz. Com estas pessoas passa-se o mesmo. Criticam severamente os actos de que são exímios praticantes. 

Existem pessoas nas quais só se encontra a verdade se tudo o que disserem for interpretado ao contrário. 


*Senti-me indignada quando percebi que ela também se aproveitava da mãe. Contava-me que esta era muito pobre e corria o risco de ser despejada e de repente diz-me que foi com o dinheiro dela que meteu gasolina? "Ah, fui fazer-lhe uma visita e ela é que me ofereceu dinheiro" -disse. Conseguia imaginar bem o quanto de "trivial e desinteresseira" foi aquela visita e a consequente conversa circunstancial. Não podia concordar com o facto dela ser tão oportunista e sovina. O seu salário era o maior de todos na empresa. Para se ter uma ideia, a nova "presa" de quem se aproximou lá dentro lá conseguia se governar com menos de metade desse ordenado. Era indesculpável ter manipulado e tirado proveito da mãe daquela forma, quando a descrevia muito pobre e extremamente doente. Percebi que ela achava que a mãe lhe era devedora. Todos lhe eram, na verdade.

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quinta-feira, 11 de julho de 2013

O que eu tenho em COMUM com... ADAUTO

O que tenho em comum com a PERSONAGEM de Adauto na novela AVENIDA BRASIL 
é que ambos gostamos de uma moela!


E você? 
O que acha que tem em comum com ESTA personagem?

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