Amigas OPORTUNISTAS
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| João Emanuel Carneiro Autor principal de Avenida Brasil |
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| João Emanuel Carneiro Autor principal de Avenida Brasil |
Faz tempo que queria relatar um acontecimento que ilustra bem o tema que vou introduzir: o improviso.
Numa ocasião em que diversas pessoas de fundo profissionais diferentes se juntaram num curso específico, foi necessário cada qual revelar um pouco de si num exercício de comunicação com o público. Uma rapariga que o frequentou decidiu REPRESENTAR. Declamar uns versos, portanto. O grupo mais ou menos que vaticinou, antecipadamente, que ela o ia fazer muito bem, pois era atriz premiada. Pelo menos ela gostava de se apresentar assim. Não só era atriz, como já havia sido primeira dama do teatro!
Ela começou a declamar e a interpretar. Surpreendeu-me quase de imediato. Mas continuei a ver, aguardando o final da sua interpretação. Heis que num determinado momento ela pára de aclamar para perder alguns bons segundos a procurar algo e agarra num objecto que eu tinha na mesa para ilustrar uma ideia básica. Ao que respondo com um pequeno comentário bem mais apropriado ao texto que aclamava e ao gesto que teve. Pois ela volta-se para mim atrapalhada e diz:
-"Hã? O quê? O que é que disseste?"
Repeti a chalaça. Ela permanece confusa e desorientada. Perante isso eu peço-lhe para esquecer e retomar a sua interpretação. Foi uma questão de segundos apenas, não mais que isso. Mas aquela rapariga que ficou logo desorientada não soube aproveitar um momento rico para o improviso. Um que o seu próprio gesto criou e que a minha observação abriu portas para ironias. Eu teria feito melhor, teria sido espontânea. Sem treino, sem experiência sem "carimbo" de primeira dama de teatro. E foi aqui que percebi que nem tudo o que diz ser peixe é realmente peixe... No final da sua verborreia poética, o grupo aplaudiu, reforçando à atriz que ela esteve muito bem. Esta por sua vez, com uma falsa humildade e modéstia bebeu os aplausos como se deles necessitasse para viver. Aplaudi o seu esforço, como respeitosamente se faz a qualquer pessoa que exponha o seu trabalho desta forma mas não fui capaz de reproduzir os exagerados elogios, que afirmavam que ela era uma grande atriz. Fez o seu melhor, que estava longe de ser bom. E não soube apanhar um improviso lançado de graça para personificar melhor a sua interpretação. Estava presa a uma forma de interpretar tão obsoleta, que consistia apenas em memorizar palavras e clamá-las ao vento sem errar (ela errou).
E é com este exemplo que introduzo o tema do IMPROVISO.
Gosto do improviso em cena. Conseguia perceber ao assistir uma novela ou filme quando uma parte não estava prevista mas acabou incluída na trama. A forma como os atores se "soltam" e dão de si às personagens (suas e dos outros) e dão à história e à interpretação fica muito mais enriquecida. É um deleite assistir. E se existe hoje uma novela onde esse improviso pode ser observado, essa novela é AVENIDA BRASIL. Todos os núcleos têm alguma liberdade para interpretar suas personagens mas o núcleo da família de Tufão é particularmente FÉRTIL nos diálogos improvisados. Não são só os diálogos, é toda uma postura corporal também. "ADALTO" é o meu favorito nesse aspecto, pois acho que não é tão fácil quanto o ator dá a entender fazer aquela personagem no timming que ele consegue e da forma como ele consegue. Todos aqueles actores, onde se inclui uma inexperiente criança, conseguem fazer longas cenas sem aparentemente existirem cortes de edição pelo meio, simplesmente por conseguirem entregar os diálogos todos entroncados noutros e improvisando "encaixes" até alguém mais dar continuidade ao guião e introduzir o excerto de texto seguinte. É uma delícia e gente, ator que é ator TEM de saber acolher o improviso. Aliás, acho que este é uma mais-valia para qualquer ator!
Estou curiosa para ver o resultado final do filme "Getúlio Vargas", que terá Tony Ramos como protagonista. Curiosidade para ver, afinal, como vai ser retratada a figura. Existirá controversa? Bom senso?
A curiosidade provém de uma pequena investigação que fiz para entender, afinal, quem foi a figura e o que andou a fazer na história do Brasil. Muita dessa curiosidade está a ser gerada pela re-exibição da novela "Eramos Seis", que está a atravessar o periodo de gestão de Getúlio na presidência do Brasil. As referências que as personagens fazem à sua política não são positivas. A história passa-se em S. Paulo e sei que vem aí uma guerra - a revolução constitucionalista de 1932, que começa com uma revolta estudantil onde quatro estudantes são mortos a tiro (autor do disparo e seu lado político desconhecido).
Ora, quis entender melhor essa parte da história. E fiquei a saber que foi uma revolução local, iniciada e mantida pela população de S. Paulo e simpatizantes da causa. São Paulo quis virar um Estado Independente. Por detrás de tudo, ao que parece, existiram os interesses económicos da venda do café - pois Getúlio mandou queimar as produções de forma a equilibrar o preço do café numa economia muito instável desde o crash da bolsa de Nova Iorque em 1929. São Paulo tinha uma elite rica de famílias de fanzendeiros que viviam do café e estavam acomodados ao seu estilo de vida agora ameaçado. Alianças políticas entre estados não estavam a ser convenientes para os senhores do café e pronto, a posse pelo poder fala alto. Se Getúlio foi mau governante e tirano, ou afinal fez bem ao país, ainda estou por descobrir.
Foram tempos difíceis, esses da década de 30. Tanto lá como cá e presumo que, no mundo inteiro, cada década teve o seu quê de dificuldades. Mas logo após o crash económico da bolsa de valores, certamente que a vida não era muito fácil para quase ninguém. Só mesmo para os ricos e até estes viram tudo ruir. Décadas passam e nestas sociedades assentes no modelo de sustentação económico, avança-se de crise em crise. Pelo que não existirá uma geração que não passe por dificuldades. Estamos agora a atravessar outra, que chegou antes mesmo do novo milénio e cujo pico ainda dizem que está para vir. Mas tal como lá na distante década de 30, o progresso também avançava a passos largos. Alguns sectores, quase sempre o da Construção Civil, acabam por florescer entre crises e, principalmente, guerras - não tivesse sido esse sempre o caso em todas que o mundo viveu.
Quem conhece melhor a história de Getúlio, como retrata a figura? E como foi afinal, a sua gestão do país? Tiveram razão, os são Paulinenses, em fazer essa revolução em que faleceu tantas pessoas?
Ser director de novela implica contactar com muitos artistas. Talvez por isso seja natural que os romances entre actores e directores proliferem. Alguns desses romances viram casamentos ou uniões sérias. Porém, nem todos parecem seguir a máxima: "felizes para sempre". Vamos relembrar o "curriculo" amoroso de alguns diretores e atrizes de novela brasileira.
DENNIS CARVALHO
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| Beth Mendes |
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| Bete Mendes, Christiane Torloni, Monique Alves e Déborah Evelyn |
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