Novidade

Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
Para TODOS os fãs de telenovelas Brasileiras e Portuguesas espalhados pelo mundo.
Portuguese blog about Brasilian/Portuguese tv soaps for fans all over the world.

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domingo, 16 de novembro de 2008

O sucesso infeliz

Já repararam que, na ficção, temos o núcleo pobre e o núcleo rico. Os ricos são infelizes e aos pobres, ou mesmo miseráveis, como a família de Céu, em a Favorita, e tantas outras das novelas, resta-lhes a alegria e o amor dos familiares. Que tanga!!
Na novela "Baila Comigo", por exemplo, temos os gémeos Quim e João Victor (Tony Ramos). O que ficou com o pai foi criado na riqueza. É taciturno, sério, fechado, dá-se mal com as mulheres. Parece triste e infeliz. O irmão criado com a mãe, pobre, é super divertido, tem muitos amigos, é alegre, bem disposto etc. Queixa-se da falta de dinheiro mas tem sorte, porque tem saúde e é feliz. Que tanga!!
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Estes conceitos são repetidamente introduzidos no nosso subconsciente, de tal modo que acreditamos nesta permissa. O dinheiro não traz felicidade. Isso é tão verdade, que nem o desejamos ter em grande quantidade. E assim se cresce... só que a ilusão vai desvanecendo e um dia, dissipa-se o nevoeiro e percebe-se que não é bem assim. A felicidade nada tem a ver com muita coisa, mas dinheiro também não amaldiçoa ninguém. Ao contrário: proporciona um certo bem estar, que se traduz em melhor condição de vida. Em suma: a infelicidade não é exclusiva dos ricos. A felicidade também não é exclusiva dos pobres.
O perigo das novelas são estes conceitos taxativos, que se infiltram no subconsciente assim, aos poucos...
É por essa razão que gostamos tanto de saber das misérias das celebridades.
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Esta semana vi alguém definir o "ser fã", como um misto de admiração e inveja. Se calhar, acertou na muche. E é por essa razão, que muitos gostam de saber que as celebridades sofrem. Vai mais de acordo com a mensagem implementada no subconsciente pelas novelas. É por essa razão que, segundo consta, Júlia Pinheiro (apresentadora de Tv) terá comentado sobre o divórcio de Maddona: "É rica, bonita, sabe dançar, alguma coisa de mal também tinha de lhe acontecer, não pode ser só coisas boas" .
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E sabemos lá nós se a sua vida é tão boa assim? Tenho as minhas dúvidas sobre o facto do divórcio ser a única coisa que lhe veio perturbar uma sucessão de acontecimentos todos agradáveis. O comentário, feito por quem, deste ponto de vista, também não tem o que se queixar da vida, não deixa de revelar o tal "tanto" de inveja, que a maioria tem pela vida em grande.
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Volto à sessão de autógrafos de Maitê Proença. A sua presença em Portugal não foi divulgada com antecedência mas, após a sua passagem, a maioria das revistas cor-de-rosa acaba sempre por dedicar uma nota, ou uma página, à questão. Em todas as que vi, não deixam de mencionar o mesmo. Aquilo que já se sabe desde o início da década de 90, mas que continua a ser útil para falar sobre a vida da actriz: o assassinato na família, o aborto etc.. Temas sempre sensíveis, que, por mais divulgados que já tenham sido, continuam a ser aqueles que preferem mencionar.
É a tal história de querermos que as celebridades sofram. Para que não tenham tudo, será isso? Para que não tenham fama, dinheiro e felicidade. Sabe-nos bem, achamos que o universo equilibra as coisas dessa maneira. Coitada de Maitê... o povo até é simpático, porque lhe agrada, de certa maneira, que a tragédia faça parte da vida das grandes celebridades.
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Tragédias, temos nós todos, cada um vive as suas. Uns mais que outros. A diferença, para o público, é a celebridade. Que interessa se o vizinho de cima teve várias tragédias pessoais na família? O marido matou-se, o filho também, a filha contraiu uma doença grave e ficou imobilizada para o resto da vida, a pensão não chega para as despesas, falta o que comer, a mulher que leva tudo ás costas ficou desempregada e vive de biscates... aposto que quem estiver a ler estas linhas conhece ao menos um caso assim. E então? Porque nos enternece mais a tragédia de uma celebridade, quando temos as anónimas, todos os dias, há nossa volta?
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Porque o pobre não é célebre... e, segundo as novelas, é rico em tudo, menos dinheiro.
Que tanga...

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sábado, 8 de novembro de 2008

Sessão de Autógrafos

SESSÃO DE AUTÓGRAFOS


Foi por acaso que tropecei numa sessão de autógrafos de Maitê Proença. Andava nas compras, em busca de certos livros para oferecer no Natal, quando oiço o anuncio ao microfone. Aí pensei: porque não? Conheço quem goste de ler livros escritos na primeira pessoa. Porque não oferecer um, autografado?
Não vou contar nada para além do óbvio. Nem o teria mencionado aqui, não fosse de repente lembrar que tenho este blog. É claro que, tal acontecimento merece referência neste espaço. Mas confesso que fiquei em dúvida... vou escrever sobre o assunto ou não? Devo manter a fotografia privada ou uso para ilustrar?
Muitas questões ainda assolam esta mente que, não sendo fanática, pondera muito sobre o correcto ou errado nestas questões de «celebridade», exposição, o público e os artistas.
Talvez por isso, a sessão foi o que se sabe que uma sessão de autógrafos deve ser. Cumpriu-se a função e pronto. Eu teria preferido fazer perguntas, conversar, ouvir falar, sei lá... poder interagir com a pessoa normalmente, como se faz com qualquer outra. Mas isso já seria uma conferência de imprensa, uma entrevista, uma conversa. Não é uma mera sessão de autógrafos...
Tenho um rabicho num livro.
Também é bom.
Pois então, relato o acontecimento:
«Maitê Proênça andou em sessões de autógrafos».
Mais nada a acrescentar.
O que percebi para além disso, guardo para mim.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Diga... 33! (01)

Diga... 33.

Não, não é uma consulta médica. Ninguém o vai escultar. 33 são os segundos que tem para adivinhar que novela está no ar. Não só a novela, mas os artistas, o ano de exibição ou de realização, o director, e os boatos da altura. Então diga lá, se conseguir, 33 coisas sobre este vídeo.


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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

I HATE "Carolina" - Clube CB


Lembram-se da famosa série "Beverly Hills 90210"?

Pois os que sim, decerto recordam que nos EUA, uma grande fatia do público detestava tanto a personagem de Shannen Doherty que lançaram um clube de ódio. O "I HATE BRENDA" - com direito a T-shirts estampadas e tudo.

Pois o mesmo se passa comigo quando se trata da personagem Carolina, interpretada por Carla Regina na novela Cidadão Brasileiro. Mais alguém detesta esta mulher tanto quanto eu?




Dissimulada, fria, malévola, calculista, intriguista e manipuladora!!


Vamos ás explicações:
Carolina é uma mulher do campo, bem consciente da atracção que exerce nos homens por ser bonita. Ela sisma com um recém-chegado à cidade e a primeira coisa que faz é flirtar com ele. Segue-o num comício, mas este ignora-a, nem repara nela. Não acostumada com isso, e algo ultrajada, ela segue-o até a cidade, onde sabe que o pode encontrar na rádio com Homero.


Já está na praça dentro do carro a aguardá-los quando os vê chegar. Inventa um pretexto musical para entrar e atira-se descaradamente a António. Depois começa a alimentar histórias da possível venda da fazenda do pai, só para manter o interesse de António e tê-lo por perto, quando sabe que o pai jamais venderia a fazenda. Com mais este pretexto, introduz António dentro da sua casa. Ao perceber que António sente atracção por Luísa e é correspondido, fica possessa e desata a maldizer a rival. E acusa-a de não prestar por ter dinheiro! Por a conhecer bem e saber que esta não se entrega aos homens sem mais nem menos, diz que Luísa é uma jogadora, uma sedutora, que gosta de brincar com os homens, seduzi-los para depois pular fora sem «entregar o jogo». Exactamente o que ela, CAROLINA, fez a vida toda com os homens que se interessaram por ela, mas que não a interessaram a ela.



Quando António não vai a um encontro, Carolina logo adivinha que este não a ama, não a quer e está com outra. O que faz? Veste-se bem, perfuma-se e sai da fazenda enquanto todos dormem para o hotel da cidade onde António está hospedado para o seduzir. Fala de amor e utiliza a carta da «virgindade», mas o que realmente quer é outra coisa. Ela SABE que Luísa não dormiu com ele e quer ter o trunfo de ser a primeira. Aliado ao da virgindade, a faz sair bem vista. Mas não é o único trunfo que procura obter nessa noite. Carolina fez as contas e sabe que está no período fértil. Se deitar com António pode engravidar dele. E assim, ele ficaria ligado a ela para sempre, acabando por casar com ela. É claro que, para o apanhar, Carolina diz-lhe que jamais lhe vai cobrar alguma coisa e que jamais vai contar a alguém sobre os dois. Ela podia ter ido embora do hotel quando percebeu que António aguardava por Faustina. Mas não. Fez uma birra mas deixou-se ficar. Nunca iria embora. Estava decidida e determinada a cumprir os seus objectivos. E eles eram um só: ganhar António para ela. As suas armas são a feminidade, a beleza e a juventude. Usou o corpo tendo em mente que precisava de ter sexo essa noite com António para ganhar vantagem de Luísa e tentar engravidar dele.

Num recente episódio, Carolina descobre que António e Luísa vão encontrar-se e, com mais um pretexto, barra a estrada com o seu camião, como se fosse casual. Luísa aparece no seu carro, pede a Carolina para o desviar, esta diz que sim mas puxa a conversa para António. E não perde tempo a utilizar a vantagem que tem: diz-lhe que ela é que é MULHER dele, que ele se deitou COM ELA e é DELA que ele gosta, só que ainda não sabe. Uma autêntica cobra! Aí Luísa é chamada ao casarão, porque o pai sofreu um acidente (tentou o suicídio). A moça sai disparada sem pensar duas vezes. Carolina também não pensa duas vezes. Aproveita e vai ter com António. Volta a atirar-se a ele, fingindo inocência e omitindo não saber que ele espera por Luísa e a razão porque ela não aparece. Faz-se de amiga, de compreensiva e PIMBA! Tenta levá-lo para a cama novamente. Ela simplesmente, quer aumentar as possibilidades de amarrar António pela barriga.


I HATE CAROLINA!!


Mas o mais intrigante nesta história é que todas estas características da personagem passam despercebidos à maioria. PORQUÊ? Aqui temos o pior tipo de mulher que existe à face da terra. Mas como é interpretado por uma actriz que recebe do público alguma simpatia, e porque o autor não vinca de vez este seu carácter possessivo e doentio, até parece que Carolina é apenas uma «cabloca» bonita, doce, inocente. Nã! Nada disso. De inocente não tem nada, de doce não tem nada. Mas porque será que isto não ressalta mais à vista do público?

Carolina acaba por conseguir separar o casal e casa-se com António. Ela sente-se triunfante e vencedora. Mas claro, a vida não vai correr como ela quer. Para ela, António tem de fazer o que ela manda. E isso é ficar em casa com ela e nada mais. Não gosta que ele tenha amigos, não gosta que ele tenha ambição nem que esteja num ambiente que lhe proporcione crescer. Em suma, Carolina quer António castrado. Os dois acabam por se separar, claro. Mas Carolina usa sempre todas as armas que tem para reconquistar ou magoar António. A primeira é o filho dos dois - o tal que obteve com aquela única noite de sexo. Proíbe o filho e o pai de se encontrarem e arma situações. Também sabe e continua a usar a sua arma mais poderosa: o corpo. Continua a cultivar a atracção que os homens sentem por ela, sempre fingindo que não percebe. HOMERO sempre foi apaixonado por ela e declara-se. Ela acaba por lhe dar corda, e corda, e corda, o homem separa-se de Laís, por quem teve verdadeiro afecto e é correspondido, e depois Carolina, que só alimentou as esperanças dele por saber que este é o melhor amigo de António, diz que é mulher de um homem só. E vai destruíndo a vida das pessoas que a cercam... sempre altiva, dona e senhora do mundo. Sempre a pousar de digna, de senhora, de pura e honrada.


E continua a fazer de tudo para separar António de Luisa e reconquistá-lo. Vai até Brasília e deita-se na cama com ele, sabendo que é por Luísa que ele aguarda. I ABSOLUTELY HATE CAROLINA!

E você? Viu ou vê esta novela? Está a dar na tv record por volta das 17.00h. Por acaso perdi o episódio de hoje. Quem o tiver aí gravado, seria bem vindo. O endereço é novelaspararecordar.blogspot.com.
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Se calhar, conheci muitos tipos-Carolina. Você conhece também?
Normalmente nas novelas, este tipo de carácter é dado aos homens - sempre obcessivos por uma mulher, e a jogar sujo. Camilo (Taumaturgo Ferreira), mais para a frente, como já subtilmente nos é mostrado, também faz este tipo. Nas mulheres tende a passar despercebido ou ser totalmente assumido. Como foi o caso de Débora, em Felicidade. Totalmente paranóica! Mas... e quando os autores escrevem de forma ténue? Será que todos os espectadores identificam a cobra?

Carolina é cobra.



Você concorda? Faz parte do time/clube "I HATE CAROLINA" CB?
Cumprimentos.

NPR

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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Thumb up! - Favorita:


Um Polegar para cima para a novela FAVORITA.

Um autêntico jogo de xadrez, o diálogo entre Silveirinha e o pai de Flora. Ora avançava um, ora outro, todos dissimulados. Bravo! E Patrícia Pillar? Que arraso! Ali sentada a ver tv, a perguntar o que há para comer, a ouvir os gritos de aflição da filha, a «pentelha enjoada». Thumbs up!

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sábado, 11 de outubro de 2008

Portuguesa na sic

Estou a fazer por ver a novela portuguesa na sic. Afinal, se senti que tinha o que era preciso para dar certo, tinha de confirmar se a intuição está correcta. Ainda vai no início para conclusões definitivas mas, estas são as impressões que me ficam. Já me surpreendeu em inúmeras coisas. Enumero-as ao acaso. Em termos de interpretação, começo por Rui Unas. Péssimo actor, tem feito coisas tão horríveis que, com base nelas, deduzi que nunca conseguiria chegar lá. Surpreendeu-me. Como é possível? Tão canastrão que ele era, olha-o agora… Aulinhas? Onde as andaste a ter?


Diogo Morgado, o que dizer? O gajo é bom! Ele é possante. A sua co-intérprete não está tão convincente. Neste aspecto, as «meninas» estão fraquinhas. São elas a grávida disputada por três homens (vá-se lá saber que encanto tem para não haver homem na localidade que não lute por ela!), a jovem rebelde proveniente de uma família rica mas desestruturada e as advogadas. Alguns dos «meninos» também não vão bem. Como o advogado criminalista, que está ali entre o bom e o ruim. Mas retiro o Gonçalo Diniz da equação. O pobre ficou a perder bastante com a «promo» lançado pela sic. Incluíram imagens da sua personagem em momentos clichés de comédia com uma pitada homossexual que, descontextualizados, ridicularizaram a interpretação. Até agora está bem conseguida, com requintes de malvadez. Outros precisam, tal como as «meninas» de tempo, tarimba, experiência. Todos merecem mais oportunidades para poderem chegar mais longe. Olhem, perguntem ao Unas onde ele andou a aprender a deixar de ser o mega-canastrão que sempre foi. Pode dar geitinho….


Depois temos outras características, que já entram na parte da história, que fazem certas personagens sobressair. Não posso neste aspecto deixar de fora Paulo Azevedo, o rapaz sem mãos. A sua personagem está inserida perfeitamente na história, não é explorada pela condição mas ao mesmo tempo, não deixa de ser uma mensagem que está a ser transmitida. Ali está, uma pessoa normal, que faz o que os outros fazem, com a diferença de não ter mãos e ter de adaptar-se a isso. A primeira cena em me lembro de vê-lo aparecer é quando vem a conduzir uma «moto quatro». Depois, banalmente, vai a um café e juntamente com a sua mãe, maníaca por pastéis-de-nata (não há nada mais português também, em termos de confeitaria!) e põe-se a comer um. E assim, acaba o mistério para quem não imagina como uma pessoa sem mãos consegue levar um bolo à boca para o trincar.

Ainda temos a parte Castelhana. Que estou a adorar ver. É para onde se inclina o meu maior elogio: para a história. Tão portuguesa! Com forcados, pastéis-de-nata, Alentejo, Castelhanos, África, retornados e claro, imagens paisagísticas de referência geográfica portuguesa: a urbana Lisboa, com o Saldanha em destaque, e as pontes sobre o Tejo. Só falta mesmo um pouco de fado e então teremos tudo. Tudo da identidade de um povo pelo passado e pelo presente.

Ponho-me a imaginar a novela a ser exportada. Há que apostar nisto. No Brasil faz-se à «séculos», e dá resultado. É preciso colocar imagens de marca do país para habituar os que vêm a novela lá fora. Depois de acostumados saberão reconhecê-las e talvez gostem de se informar sobre este canto do mundo. É assim que se começa. Foi assim que o Brasil «exportou» o Concorvado, as praias idílicas que afinal estão poluídas e conseguiu colocar o Cristo redentor na lista das 10 maiores maravilhas do Mundo. Pelas novelas! E porque é um país enorme, com uma população votante gigante…

Portugal tem muito. Até gostaria que poucos soubessem o quanto tem para dar mas, isso não é possível nos dias que correm. O padrão dos descobrimentos, os monumentos, o belo Tejo, as maravilhosas, deliciosas, adoráveis praias de cima a baixo por esta costa, a água cristalina, as cachoeiras escondidas por aí que nem 1/3 da população portuguesa conhece, as maravilhosas ilhas dos Açores e da Madeira, alguma imagem rural, um Alentejo plano, com sobreiros, cortiça e um casebre ao sol. O sol e a praia do Algarve. Os montes verdes do Norte. O tomate, a azeitona e as laranjas do Algarve. Há muito (tanto) deste Portugal para mostrar, que as possibilidades de exploração em TV se apresentam ilimitadas.

Se esquecida estava da dita “pendenga” entre portugueses e espanhóis, da rivalidade de há séculos atrás, do tempo dos Mouros e de Viriato, dos reis e das rainhas, (ups! Por lá ainda é assim…) um pouco deste nosso passado regressa ao colocarem na historia este aspecto da actualidade: as propriedades no Alentejo adquiridas por espanhóis. Facto.
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Na trama temos «Mercedes», a castelhana que se introduz na família tradicional alentejana por casamento, para conseguir se apossar das terras. Fez-me sentir orgulho (desculpem, é verdade) estar a ver esta parte da novela e, subitamente, aperceber-me desta característica do povo português: a capacidade de entender os outros na sua língua. Lá estavam as personagens, a dialogar em espanhol, e não precisamos de legendas. Nem legendas para o espanhol, nem para o português do Brasil, nem para o português com sotaque africano. Nada. Lá vamos entendendo tudo. Mas imagino que, a passar no Brasil, precisariam traduzir a novela inteira. Pela falta de costume em ouvir outras línguas e sotaques.

Agrada-me que falem dos forcados. De certa forma, vem a enaltecer o sangue português. Deve ser uma tradição do conhecimento de poucos. Quem sabe que em Portugal, apanham-se touros pelos cornos? Há que dizê-lo: há, valente!

Touradas em si, com aquela coisa de espetar o animal, não é bem algo que me cative. Se bem que me lembro de ter apreciado uma, uma vez, pela televisão, há muitos anos atrás. Os movimentos de mestria do cavaleiro e da montada mais a personalidade admirável do touro, levou para aquele espectáculo algo belo. Beleza como se encontra num bom ballet, num bom filme, num bom livro. É uma tradição, tem o quê de respeito, embora não pare para ver. Também lembro de achar aquilo triste, com o animal ensaguentado, a ser ferido, meio manso, com ar de quem quer ser deixado em paz, a ser forçado àquilo, e achar que os homens são inseguros ao ponto de precisarem disto para se sentirem de valor.
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Já a parte que inclui os forcados, sempre foi mais apreciada pela maioria. É puro «mano-a-mano». Nunca ninguém sabe o que pode acontecer. Ali está: Homem e touro. Homem e Besta. Frente a frente, olhos nos olhos. E cornos pontiagudos enfiados numa força bruta e de peso, a vir em velocidade de galope na nossa direcção. Até para imaginar é preciso ter chegado perto de um animal deste porte, para compreender que sensação poderá ser esta…

Em termos de direcção, a novela também vai bem. Tem falhas. Se calhar, muitas delas devidas a pressa, a prazos, que sei eu? O que mais me custa são as coisas do costume… aquelas, que não me descem pela goela. Quando se discute (assimilem isso de uma vez por todas), as pessoas mexem-se! Movimentam o pescoço, saiem do enquadramento, para ser mais específica. Ver pessoas a discutir sem a cabeça mexer já é mau, mas vê-las discutir sem sair do lugar, sem o corpo assumir uma determinada postura ou movimento, é mau também. Em diálogos longos então, é terrível. Uma mãe que vê a filha a apontar uma caçadeira a outro filho a meio de um jantar, não permanece sentada na cadeira o tempo todo. Mesmo depois da filha sair do local, ela não desabafa «Ai, meu deus», ainda sentada na cadeira diante da mesa. Não é geneticamente possível.

Se você teve paciência para ler este texto até ao fim, não fique por isso. Deixe o quê da sua opinião. Tem uma, não?



Cumprimentos!

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