Mais sobre A FAVORITA: Catarina
Se fosse a Catarina, aos poucos punha cianeto na comida do marido. E faria-o com um sorriso nos lábios e muita atenção para com ele, deliciando-me por saber que a cada garfada, era um passo a mais para a minha liberdade e o castigo dele.Claro que depois acabava por ir para a cadeia, passar as passas do Algarve (ou será Allgarve?), o que não seria de todo justo.
Catarina parece-me tão calma diante dos flagrantes que faz ao marido, que consigo mesmo vê-la serena, quase que em piloto automático, ausente, a fazer este tipo de coisa. Aquilo que nos filmes nos acostumaram a aceitar de «insanidade temporária». O que será que vai fazer Catarina dar a virada? Só vejo uma hipótese: o marido se armar em engraçado para com a própria filha.
Quem não vira onça aí?
Eu virava, e das piores!

Não acho a interpretação e as cenas que demonstram a violência de Leonardo (Jackson Antunes ) reais o que baste. Elas são boas, como sempre as sabem fazer. Mas existe um cuidado enorme para não mostrar violência e isso soa a falso.
Infelizmente, este tipo de realidades não é desconhecida de muita gente e sempre se conhecem casos aqui e ali, histórias familiares, etc. Sabemos sempre mais do que devíamos sobre a violência doméstica e os abusos emocionais. Por exemplo, no episódio de hoje, Catarina e a irmã mais velha, apanham Leonardo a se impor à irmã caçula delas. Ambas dão um estalo no rosto de Leonardo mas este, que é o violento, não levanta a mão. Também tem o costume de sair de casa quando a coisa aquece. Deixem-me garantir que na vida real, isso não acontece. Esse pretexto para partir para a violência não seria desperdiçado, saindo porta fora.
Voltando ao fio condutor da história, só Flora ou Donatella podem ter assassinado Marcelo. Se no início da trama Donatella parece culpada como tudo, pouco depois a maior suspeita parece ser Flora. Não esqueço as palavras da actriz Patrícia Pillar a respeito da sua experiência no estabelecimento prisional. Disse ela que não é mesmo possível avaliar os actos de uma pessoa pelo rosto. Tendo esta lição como a mais importante, é fácil de imaginar Flora a assassina.
Ela é muito inteligente e teve, durante os 18 anos que ficou na cadeia, tempo mais que suficiente para elaborar cada passo e cada palavra que iria pronunciar no seu regresso. Ela antecipa o comportamento das pessoas e sabe como as manipular. Ás vezes penso que ela não gosta de ninguém e está a usá-las. A forma rápida como se meteu na cama com Zé Bob faz lembrar um pouco esse tipo de personalidade. Sim, ela devia estar com saudades. Mas ao mesmo tempo, ficou dona da relação de uma forma tão dominadora, que parece ser o tipo de personalidade que se adapta a uma assassina calculista.
Não deixa de ser necessário tirar o chapéu ao autor por isto. Na verdade, qualquer personagem pode ser a assassina, pois qualquer uma mantém nuances para tal. Mas ao que parece, tudo indica que o autor vai manter a palavra dada ao público e uma delas é a assassina. Também não será preciso esperar pelo final para descobrir a sua identidade. Saber-se-á a meio da trama.
Que interessante! E um tanto diferente, diferença essa que acolho com frescura.
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* * Grande Furo! http://www.tvcanal13.com.br/noticias/irene-e-a-sequestradora-do-filho-de-donatela-31312.asp
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