Novidade

Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
Para TODOS os fãs de telenovelas Brasileiras e Portuguesas espalhados pelo mundo.
Portuguese blog about Brasilian/Portuguese tv soaps for fans all over the world.

email desactivado por google devido a spam
alternativa: novelas para recordar npr arroba gmail.com

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Terra Nostra -

Terra Nostra anda a pastar. De mês em mês o autor decide tentar cativar as audiências criando uma (e só uma) cena de impacto dramático. Há um mês foi o parto de Maria das Dores e agora é a morte do Ruanito. Bem, mas será que morreu mesmo? A coisa ficou em águas de bacalhau. Não se viu corpo, nem enterro nem se percebeu coisa alguma. Entre Mariana ter uma criança nos braços e a notícia ter sido dada às mães, a criança manteve-se com Mariana. Como o médico soube? Concerteza é um mistério intencional.

É lamentável que Terra Nostra não seja coesa. Avança embalada por situações sem interesse ou nexo e excesso de melodias italianas. Aliás, a novela mal tem som ambiente. É só uma banda a tocar, enquanto as personagens se passeiam de um lado para o outro de coche. De mês a mês, algo acontece, mas perde importância logo de seguida. Foi assim com a ameaça da Peste, que desaparece logo após o parto do filho de Guilhermecino, e assim foi com a morte de Ruanito, de difeteria. Quem dera a nós que na vida real as doenças contagiosas e letais se comportassem assim!


Continuo a dizer que a relação de Mateu e Juliana não faz sentido. Os dois brigam e ela diz-lhe que ele percebeu tarde que ela não o quer mais. É uma afirmação muito forte mas não resulta em qualquer acção. A coisa anda tremida mas nada acontece. Para quebrar esta tensão sem sentido entre os dois, o autor decide dar a Juliana a certeza de ser a mãe de Juanito. E por milagre, isto basta para os desentendimentos desaparecerem. Até que, sem motivo credível reaparecem mais uma vez. Entre os dois tudo volta a andar tremido mas nada acontece. Então, numa busca desesperada para despoletar o interesse, o autor decidematar” o filho do casal. Que tragédia, não? Talvez não. É só o mesmo escrito e representado vezes e vezes sem conta.

Terra Nostra começou chatinha, pelo menos achei, mas desenvolveu-se com interesse até o parto de Juliana. Daí adiante descambou no no sense. Vejam hoje: Francesco e Paola entram na mansão de onde este saiu para viver com ela e praticamente dizem à ex-esposa: «nós queremos viver aqui, vai-te embora». Altivos e arrogantes. Não combina com o carácter de nenhum deles. Não faz sentido. O milionário, construtor de sobradinhos, com a casa do filho que ficou quase acabada disponível, decide despejar a ex-mulher, que jurava a pés juntos nunca sair dali ou abandonar as suas coisas e esta aceita de imediato. Mas quem escreve isto?

Os italianos na fazenda continuam a trabalhar de graça mas o que mais os vemos fazer são festas. Todas as noites, como se o trabalho não os cansasse e a labuta não voltasse dali a menos de 6 horas, lá está o povo todo. Sorridente, a beber muito vinho, a tocar, comer, dançar e as crianças a brincar. Humm… porque será que acredito que não foi nada assim?? É tudo a descambar.

Um bocejo com picos de interesse e muitos, muitos coches de lá, para cá. Lá para cá… se juntasse tudo garanto que dava ao menos 10 horas destes passeios!

Afinal não ter assistido à novela em 1999 foi uma decisão baseada numa boa primeira análise dedutiva. A trama lá tem os seus encantos, admito. Mas como já disse, só com uma tesoura na mão! Shop, shop! E pronto! Poucos capítulos dão conta do recado.
Leia o que alguns actores disseram sobre a sua participação nesta novela e consulte estes links com matérias interessantes.



«Na novela Terra Nostra, nem me recordo o nome da personagem, só me lembro de dizer 'Mamá', e Lolita Rodrigues responder: 'Si, hija, depois te explico.' Benedito Rui Barbosa não sabia o que fazer com nossas personagens. Passei seis meses grávida na novela até que um dia dei um toque no Jaime Monjardim para lembrá-lo que já estava na hora. E aí nasceu. Foi uma novela que eu não tinha porque ter entrado, mas é necessário saber lidar, porque nem tudo na vida são só flores e sucesso. Às vezes, mesmo com todo esforço, não rola». * Cláudia Raia In Estado de S. Paulo, 22 agosto de 2007, referindo-se à novela que mais a decepcionou.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/aspas/ent20062000a.htm#aspas24
http://www1.an.com.br/2000/mai/19/0ane.htm

http://www.televidere.blogger.com.br/ - afastamento de José Dumont, o Baptista

Read more...

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Actualizações das Novelas

Terra Nostra:
Espero que chegue depressa ao fim. Já cansei. Não pensei que a esta altura da trama tudo ia voltar ao início. Guilhermecino a ser dócil e simpático com Mateu, assim como toda a família, para ver se este volta a se interessar pela filha. E Mateu vai cair na mesma esparrela outra vez? Isto torna a trama tediosa, repetitiva. Continuo a achar a relação de Mateu e Juliana uma estupidez sem sentido. Não faz sentido que esta esteja de mal com ele. Supostamente, porque ele é ciumento, mas quem se comporta como tal é ela. O carácter que nos foi apresentado dos dois no início da história não é o mesmo que verificamos desde que chegaram à pensão e juntaram os trapinhos. Esta história é uma estupidez pegada.

Estreias:
Sete Pecados e Desejo proibido estrearam no mesmo dia: 14 de Janeiro. Mas a primeira já está a terminar. Em substituição vem “Beleza Pura”. Quando? Não se sabe. Vai estrear “em Maio” e é tudo o que anunciam.

Ainda não estreou e já uma coisa me incomoda: os rostos plastificados. Protagonistas e coadjuvantes que conhecemos de outras novelas, com uma aparência com algo de errado… este é um tópico á muito em falta neste blog, que quero mesmo explorar.


Sobre “Beleza Pura” sei apenas que Edson Celulari, de 50 anos, vai ser o par romântico de Regiane Alves, que deve estar nos trinta ou quase. O problema é que esta é filha de Cristiane Torloni, também com 50 anos de idade na vida real mas que na novela, é uma mulher de 30 e muitos. Ora bolas! Será que não arranjam protagonistas mais jovens, quando é suposto estes serem jovens na casa dos 30 e muitos? Daqui a 25 anos vamos ver Regiane Alves a protagonizar uma novela onde esta ela é uma jovem recém-licenciada.

Não sou apologista de tudo ser juventude, mas dispenso a aparência madura porém plastificada. Cirurgias e injecções para aparentar ter 20. Fica horroroso! E pior é quando as de 20 também fazem o mesmo. Pelas imagens que já vi de Regiane Alves na novela, achei a sua fisionomia já algo plastificada. Ora, porquê uma jovem que ainda tem o frescor da juventude vai fazer coisas ao rosto para parecer uma velha que quer parecer nova? No capisco, pronto!


Mistérios:
Os de Desejo Proibido até parecem de simples explicação. Como um bom mistério deve ser. Ao que parece, André, o filho de Viriato, é também de Cândida e anda na casa dos 30 e poucos. Confesso que não aparenta mas na história, essa é a idade apontada da personagem. Se mais mistérios houverem, espero que seja um que envolva Henrique.

Continuo a adorar a prestação de José de Abreu e a do protagonista Murilo. Esta novela destaca-se também por um outro feito: a de ter no elenco actores já de uma certa idade, que incorporam as suas personagens condicionados ao que a idade muitas vezes impõe: a mobilidade mais limitada, alguns movimentos involuntários enfim, toda uma linguagem visual e corporal muda.

Mas aqui existe um cuidado, uma atenção, um carinho, um respeito e reconhecimento para com os actores séniores e assim vemos Claúdio Marzo (dizem que com 67 anos), Eva Wilma (75) e Lima Duarte (78). Uns mais condicionados que outros, todos a encarnar as suas personagens com uma entrega e profissionalismo que sobressai mais que qualquer outra coisa. Parabéns.

Read more...

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Salomé


Decidi resgatar para a memória dos leitores do “Novelas para Recordar” a novela “Salomé”, porque em resposta aos vídeos que coloco no youtube quiseram saber onde encontrar a música da abertura. Pois bem.

Este é o link para todas as músicas da banda sonora.

Em Portugal a novela Salomé foi para o ar em 1991, na RTP2 no horário nocturno de fins de semana. É preciso novamente situar as condições da altura: as novelas tinham muito público mas só haviam dois canais de televisão, e o RTP2 era o ostracisado.

Salomé conta a história de uma mulher linda e sedutora, incapaz de se entregar de facto ao acto amoroso. Ela tem uma relação conflictuosa com os pais e como nasceu rica, muito rica, pode vestir-se bem, viajar e gozar a vida nos belos anos 30. Porém, algo a tortura e a deixa exasperada. Salomé só não sabe o quê. É então que conhece um jovem cantor e a paixão obriga-a a confrontar os seus receios.

A novela tem nos principais papéis a bela e jovem Patrícia Pillar e o estreante Petrónio Gontijo. Já li críticas positivas a respeito do trabalho de interpretação de Patrícia, que tinha feito sucesso em “Rainha da Sucata” e por isso a julgaram ideal para virar a loura Salomé. Mas na minha opinião, tanto um actor quanto o outro não soube aguentar o protagonismo.

Para além da inexperiência dos protagonistas, como ponto negativo á também o mau playback da personagem de Gontijo. É suposto ser um cantor talentoso que depressa chega ao estrelato mas, a linguagem corporal e o mau sincronismo e tom de voz dos playbacks tornaram esta parte falsa em credibilidade.

Salomé faz também um retrato social da classe trabalhadora. Temos os cantores que vivem na corda-bamba e a mulher descriminada e tratada como prostituta por ser mãe solteira. A meu ver, a beleza desta obra está entregue aos figurinos. Belos vestidos, com bom porte nas protagonistas e uma reconstituição cenográfica deliciosa. Os sete véus com que Salomé choca a sociedade nada são comparados ao seus vestidos.

CENA DO VÉU: sempre achei que a protagonista Patrícia Pillar esteve muito pouco à vontade com a cena. Cada vez que vejo volto a achar o mesmo. Não me parece que conseguiu passar para a personagem qualquer sensualidade ou ousadia.
.

.
Espero poder rever Salómé um dia destes na televisão. Para descobrir se as primeiras impressões se mantêm e de facto os actores protagonistas estavam tão crus e ruins como os lembro.



English Version:
.
I decided to bring Salomé to Novelas Para Recordar because someone asked for the main music title. So i give to you not only that music, but the all album. Follow the link: http://rapidshare.com/files/8522794/1991_-_Salome_-_Nac_-_by_SC.zip.html
.
Salomé is a tv soap that came to be shown in Portugal in the same year it was made: late 1991.
I believe it´s a great "novela", but still have to say I felt the leading male and female characters were to inexperience and wheren´t able to properly suport the leading roles they where in.
.
In spite of it, it´s still good to watch. It has a gread developing in what concerns showing the working class, with a female character that becames a single mum and for that is ostracized. But the main plot turns around the rich and spoiled Salomé, a young woman living in the crazy 1930´s, who has problems with intimacy and does not understand the cause. She has lots of men interested in her, but is anable to take it further than flirtacion. When she meets a young singer, her fillings for him are strong but something does not let her go all the way. What is the problem with Salomé?
.
She defies society with her opinions and her actions, giving the seven skirt dance in a bistrô for an audience. In this scene I must say i felt the actress was not in the role and wasn´t able to give the character the necessary seduction and body language.
.
The wardrobe is absolutely stunning. To watch Salomé is to be taken trought a nice voyage for the sences, mainly your vision. Great clothes, great sceneries, great beauty.
.
Yes, is a good tv soap and I wish it will run again.

Read more...

domingo, 27 de abril de 2008

Por onde anda... Guilherme Leme

Ele marcou presença no ecrã em novelas como "De Corpo e Alma", "Vamp" e "Bebé a Bordo".
Por onde anda agora?


Falo de Guilherme Leme e para quem não sabe ou quase não sabe quem é, eis a sua foto:

Não se esqueça! Para dizer de quem você sente saudades de ver na telinha, escreva NO TÓPICO Saudades de...

Read more...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Em exibição: Terra Nostra


A trama de Terra Nostra continua a avançar, por entre páteos, portões, corredores e passeios de charrete, com as suas incongruências. Por onde começar? Talvez pelo parto do filho de Guilhemercino. Decerto uma cena importante para a história, porém foi de pouca credibilidade o pretexto arranjado para que este tivesse de ocorrer no meio do mato.

A impressão que passa é que o autor queria porque queria que assim acontecesse mas não soube ser convincente nas tramas que desenvolveu para obter esse resultado. E o resultado é que Leonora, Mariana, Guilhemercino e Maria do Socorro saiem de S. Paulo para a fazenda em fuga da peste. Porém, Leonora viaja sem a filha e Guilhemercino abandona à má sorte da peste o tão protegido neto.

Estas acções não combinam com a conduta das personagens até então. Além disso, antes da partida a filha Rosana diz ao pai que ela e o filho dela vão com eles para a fazenda, e na cena seguinte partem e ela fica na cidade. Explicação? Não houve. E assim, para fugir da peste, os quatro vão para a fazenda, porém Guilhemercino deixa o adorado neto à mercê da doença, assim como Leonora a filha e Mariana o filho no convento. E porquê? Porque se viajassem com as crianças, nenhuma podia fazer o parto no meio do mato. E com quem ficam em S. Paulo a filha da empregada e o neto do patrão? Com Mdm. Janete!

Depois do parto feito, todos regressam para S. Paulo e por milagre, a mencionada peste que prometia complicar a história, desaparece do texto.

Outro desenvolvimento difícil de acreditar é o desenrolar da relação de Mateu e Juliana. Desde que os dois se juntaram, uma coisa não bate certo com a outra. Primeiro é sabido que um casal quando se ama e concretiza a união, a primeira fase é sempre de “rosas”. “Amor e uma cabana”. Só depois vêm as dificuldades. Mas com Mateu e Juliana foi ao contrário.


Assim que chegam à pensão já não se entendem, desconversam, estão inseguros e traíem o carácter que até então mostraram ter, que é a sinceridade. Exactamente quando a fase de rosas devia terminar para se começar a viver as dificuldades, é quando o casal se acerta, por milagre. Mais para a frente voltam a desentender-se e o pretexto é fraco. Voltam a acertar os ponteiros e estão agora novamente tremidos, tendo Juliana confirmado a Mateu no episódio de ontem, que o quer abandonar há muito. Aposto que isto não vai dar em nada, tal como as anteriores ridículas tensões entre o casal.

A forma como os trabalhadores italianos aceitam a “proposta” imposta de Angélica quanto a terem direito a metade dos lucros da colheita, é patética. Aqui pode ser o sangue português a falar, mas penso que até em Itália aplica-se o provérbio “quando a esmola é muita o santo desconfia”. Além disso, não faz sentido não ter surgido naquela multidão um líder, para estreitar a comunicação entre o grupo e o patronato. Assim que chegam à fazenda, Mateu e Bartollo assumiram a liderança. Depois partiu um, ficou o outro. Agora partiram os dois e ninguém naquela italianada se destaca. Nem para assumir a venda, cuja partida do novo empregado ficou ainda por perceber. A venda ficou entregue a quem? A única ambição daquela italianada prende-se somente ás necessidades da trama, e isso irrita.


Voltando aos trabalhadores, que começam a bater palmas e a gritar vivas de alegria com a imposição de Angélica, acho estranho que não percebam que metade de “nada” é “nada”. E que correm mais riscos e têm pouco proveito próprio nessa divisão em dois: metade para o patrão, a outra metade por centenas de cabeças.


O triste destas histórias é que, por entre estas incongruências, percebe-se que o “Destino” de algumas personagens está planeado para se intercalar no futuro. Nomeadamente o das crianças que estão a nascer, mais Tisio e o primo. Porém, como o autor fica sempre aquém das suas intenções quando escreve as suas tramas, é sabido que não houve nenhuma Terra Nostra 2 (ainda bem). Logo, a trama vai deixar muitas pontas soltas que nunca voltarão a ser reatadas. De certa forma isto confirma as suspeitas que me fizeram não querer ver a novela quando surgiu pela primeira vez.

Em termos das escolhas da direcção e edição, também teço umas críticas. Já aqui falei o chato que é estar sempre a ver o sol nascer e a noite a se pôr, cerca de quatro vezes por capítulo. Pelo meio muitas vezes nem interessa a cena que vai para o ar. Tudo isto é acompanhado por muita música, que avança adentro das cenas seguintes. É melodia atrás de melodia, o que confirma novamente a impressão inicial, desta ser uma novela de pouco diálogo e muito embalo. Manter a TV ligada na novela sem a estar a ver é ser agredido pela violenta sucessão destes diferentes sons de embalo.

Algo nela é belo de se acompanhar. Acho que até a cena do parto do primeiro filho de Juliana, a coisa esteve quase sempre perfeita. Daí para a frente existiu um “boom” de incongruências. Esta novela é muito boa de ver, mas com um par de “tesouras” na mão!

Read more...

sábado, 19 de abril de 2008

GABRIELA


A primeira novela a passar em Portugal fez muito sucesso porque veio ao encontro de uma sociedade portuguesa a desabrochar na desconhecida Liberdade. Estávamos no ano de 1977. Portugal tinha saído do regime fascista em 1974 e “Gabriela” chegou neste período em que tudo estava a querer mudar nos lares dos portugueses e na sociedade em geral.

A maior surpresa de “Gabriela” foi mostrar as personagens femininas tão emancipadas, sexuais e liberais. Agradou aos homens e ás mulheres, surpresas por haver quem pudesse viver a sua feminilidade de uma forma mais assumida. Logo neste instante nasceu o mito da “mulher brasileira fogosa”.

Visualizar tal à-vontade, com pessoas a acariciarem-se e a beijarem-se na televisão – coisa que sempre fora proibida durante o fascismo, abalou o público. Alguns percebiam coisas pela primeira vez, outros tomaram decisões de mudança. As mulheres quiseram a sua segunda liberdade: a de 1974 e a da Gabriela.

Na maioria dos lares, à mulher continuava a ser exigida uma certa postura e cumprimento de obrigações. Foi então que começaram a aparecer jovens vestidas e penteadas como as personagens e as mulheres casadas também começaram a pensar em mudanças. Como sempre, uns preocupavam-se com os efeitos perniciosos de tais conteúdos exibidos em televisão e temia-se pela integridade e moral dos mais jovens.

Não deixa de existir uma lógica fundamentada neste receio. Gabriela “mudou” mesmo a sociedade portuguesa. Ou melhor: foi a pioneira de uma série de outras que se seguiram para facilitar as mudanças sociais que se adivinhavam no período pós-liberdade. A primeira mudança a se notar foi na linguagem. Depressa expressões brasileiras ganharam terreno no linguarejar. Era divertido, uma brincadeira e acabou por se enraizar. Hoje todos nós as incluímos corriqueiramente no falar e nem nos damos conta ou delas temos consciência. Já Eça criticava que Portugal era dado a estrangeirismos e se calhar, nesse aspecto, somos realmente abertos a mudanças.

Era muito nova para me lembrar de “Gabriela”. A novela voltou a ser exibida pela SIC há poucos anos, porém não a acompanhei. Hoje tenho pena. Acho que deviam re-exibir todas as “velhas” novelas. Faço aqui o apelo à SIC. Existe um público hávido, principalmente o que então era muito novo e hoje é composto por jovens adultos. É um produto que ainda pode puxar audiência. Se for escolhido um bom horário, como o da madrugada, pode surpreender.

É dito que o último episódio de “Gabriela” em Portugal, fez parar o país. Os deputados da assembleia da República terminaram a sessão mais cedo, justificando que queriam estar em casa a tempo de ver o último episódio. É também dito que o silêncio reinava nas ruas e nas casas só se via a luz trepidante da televisão, homogénea de janela em janela. Por fim, um som invadiu os lares portugueses assim que a palavra “FIM” abandonou o ecran. O som dos autoclismos! *

Deve ter sido mesmo assim e o fenómeno repetiu-se quase à escala noutras ocasiões, com outras telenovelas brasileiras ao longo da década de 80 e até 90. Agora nenhuma pode causar tal impacto, pois massificaram-se e o próprio país começou a produzir com regularidade as suas. Por isso mesmo é que seria bom rever as mais marcantes para a sociedade Portuguesa.



*(Aqui não houve assimilação da expressão estrangeira porém, qualquer português conhece a palavra brasileira para o acto de ir à casa-de-banho puxar o autoclismo: é o mesmo que dizer: “ir à privada dar a descarga!”)


FACTOS:
Data de Estreia em Portugal: 16 de Maio de 1977
Re-exibição em: 1978 , 1983, 1999(?)

um link: http://www.bocc.ubi.pt/pag/cunha-isabel-ferin-revolucao-gabriela.pdf

Read more...

face

    © Blogger template by Emporium Digital 2008

Back to TOP