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quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
GUERRA DOS SEXOS/War of the Sexes
Esta foi uma novela que me marcou, a bem e a mal. Mas águas passadas, voltei a “encontrar” Guerra dos Sexos por acaso, ao encontrar numa velhinha cassete Beta umas cenas finais da novela. Foi então que as lembranças vieram à memória.Acho que preciso realçar o quanto esta novela foi inovadora. Trouxe uma dinâmica na direcção, com as personagens a interagir com a audiência e a expressar os seus pensamentos olhando directamente para a câmera. Fizeram-se brincadeiras com a imagem gravada e recorreu-se à inserção de melodias famosas para contextualizar determinados momentos. (ex: E Tudo o Vento Levou). O humor físico e o romance cómico foram largamente explorados numa novela que se assumiu uma comédia escancarada. Mas ao rever estas imagens, o que me saltou aos olhos e o que realmente apreciei foi: Guerra dos Sexos não seguiu as regras padrão dos finais felizes.
O mocinho jovem não fica com a mocinha linda que era a Juliana de Maitê Proença. Não. O “macaco barbudo”, alcunha que Nando (Mário Gomes) recebe do seu rival Filipe (Tarcísio Meira), descobre estar apaixonado por outra mulher. Menos jovem, mais madura e experiente. No entanto, a bela Maitê não fica a chorar lágrimas amarguradas nem tão pouco surge do nada um príncipe encantado só para a mocinha deixar de sofrer por falta de amor.
Esta mudança no habitual desfecho guardado para as heroínas de novelas está mais próxima da realidade e menos da fantasia a que nos acostumámos. E como facilmente nos deixamos levar por elas, só faz é bem que a ficção nos mostre outros desfechos. É claro que pelo meio desta lufada de ar fresco, continuam as peripécias que todos gostam de ver. A guerra de comida e as tortas arremessadas ao rosto, a troca de alfinetadas sagazes entre os sexos que tanto se atraem como se repelem. Mas o que realmente foi inovador para a época, foi deixar a mocinha bonita da novela livre de amores!
English Version:
This was a turning epiphany tv soap to me. I found “War of the Sexes” again, trough some final scenes I’ve found in an old beta tape. Re seen those brought memories back to surface.
I need to enhance how innovated this tv soap was back in its days. It brought a new direction aesthetic, with characters looking directly to the camera, sharing their thoughts with the audience, lots of movement, romantic comedy and physical acting. It was a breath of fresh air but, its main contribution, in my view was not to follow the standard “happy end” rules.
This is the example: the young and beautiful Juliana (Maitê Proença) doesn’t stay with the also young and beautiful Nando (Mário Gomes). Instead, she, who is hopping for him to go to her, stays alone. But she doesn’t cry out of hurt not even a good looking young and rich prince arrives from no were and falls in love with her. No! Juliana and her friend Vânia (Maria Zilda) go in a cruise with a hint of adventures and no compromises. Just fun living!
Having watched this again it became clear to me that what I enjoy more about this tv soap now, is this different approach to romantic endings. A little more of truth to it, although the fantasy remains, in the physical comedy, the playing with the recording images, the use of famous sound tracks to over emphasise the meaning of a message (for example: Gone with the Wind), the face pie throwing, food fights etc.
The complete sound track here: Faça o download complecto da banda sonora aqui:
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
POSSO USAR AURICULAR?
A única coisa no universo das novelas que permanece uma espécie de mistério para mim é a memorização de páginas de diálogo.
Miguel Fallabela e sua turpe fez as delicias da plateia televisiva e do teatro com a sitcom "Sai de Baixo", onde era frequente ver o actor esquecer-se do que tinha de dizer ou fazer, o que causava ainda mais momentos de diversão. Ouvia-se, ás vezes, o próprio a pedir a deixa ou a mesma a lhe ser facultada.
Então, se as interpretações beneficiam de ajuda externa, no teatro, no cinema e na televisão, porquê o tom recriminatório ao uso de auricular? Parecem insinuar que não são verdadeiros actores os que actuam com as palavras ditadas ao ouvido.
ENGLISH TRANSLATION:
The only thing about making tv soap operas that amazes me, is how actors do it to memorise dialog.
sábado, 15 de dezembro de 2007
DISSECANDO PANTANAL

José Leôncio, ao envelhe
cer, não só se torna menos hábil com o cavalo mais baixo e gordinho (claro que este é um comentário de brincadeira) como parece fora de personagem. É óbvio que cerca de vinte anos sem ver o filho o deve ter amargurado. Mas ainda assim, parece que não é a mesma pessoa que Paulo Gorgulho retratou. O Leôncio jovem era ignorante, mas possuía uma percepção eficaz para entender as pessoas. E era justo. Já avançado na idade, é bruto e precipitado a julgar o
s outros. Achei que Claúdio Marzo não foi interessante no papel e ignorou as características que José Leôncio ganhou com Paulo Gorgulho. Mas talvez tenha sido este último que deu demasiado charme ao seu Leôncio, mascarando assim os defeitos da personagem. Afinal, no casamento levou a sua sempre adiante, ignorando as vontades da esposa. O que José Leôncio adulto faz com o filho quando acaba de o conhecer prova que é injusto. Expulsa-o e diz-lhe para não o chamar mais de pai. Ora, se Leôncio não tivesse construído um império, vendo-se
por isso obrigado a lidar com todo o tipo de pessoas e em contacto com outros estilos de vida além do pantaneiro, aí sim, ele podia ter evoluído para um bronco. Mas não foi o caso. Aliás, a capacidade clara de ver as coisas sem se precipitar em julgamentos parece transitar para Tibério, o peão com quem Jove consegue falar como se fosse a um pai.Madeleine é uma personagem cujas acções são muito criticadas na novela. Mas se formos a ver, a pobre teve razão. Claro, gostamos mais de Leôncio e queremos que a razão esteja com ele. Mas quem gostaria de ser recém casada, ir para um lugar desconhecido, isolado da civilização, não ter ninguém mais instruído com quem conversar, não ter o marido a seu lado durante meses, longe dos pais, amigos e a vida que sempre conheceu, e ainda por cima ter o filho fora de um hospital, ajudada por uma governanta, sozinha? E ainda viu o bebé a ser-lhe tirado dos braços para ir cavalgar nos braços do pai, quando este mal tinha saído dentro dela! E depois, continua sozinha e Leôncio decido baptizar o filho com o nome do avô, sabendo que ela não concordava. Ele simplesmente foi fazendo o que queria, achando que ela acabava por aceitar. Aceitar a ida para visitar os pais ao Rio de Janeiro, que nunca surgiu, aceitar as longas ausências do marido, aceitar a solidão. Ora, isto é subjugar o espírito de alguém. O que nunca resulta numa relação. Madeleine não era um boi marruá! Acho que o autor castigou muito esta personagem pelo acto corajoso que tomou de se ir embora com o filho. Castigou-a de mais por ter abandonado Leôncio. Claro que tudo podia ter sido feito de forma diferente mas e daí, talvez não. É preciso ver que Madeleine era uma menina, imatura e acima de tudo, sem experiência de vida. É claro que ela sonhava com a ida do seu príncipe encantado, que a seguia para a arrebatar novamente, pedindo perdão e jurando-lhe maior dedicação. Coisa que Leôncio não estava disposto a fazer. O autor castigou-a fazendo dela uma perua, eternamente frustrada sexualmente deste que abandonou o marido. É muito severo. Acho também que a personagem ficou a perder com ambas as actrizes que lhe deram vida. Não só a inexperiente Ingra Liberato não soube defender a sua personagem muito bem, como a Ítala Nandi transformou a Madeleine numa criatura vazia e antipática, de voz e gestos irritantes. E não se sabendo bem porquê, a personagem sai da história morrendo quando regressava ao Pantanal. O que não fez muito sentido e, mais uma vez, foi de uma severidade extrema!
Depois temos o filho de ambos em adulto. Jove relaciona-se de forma muito diferente da do pai com as mulheres, mas tem o mesmo sucesso. Vive na cidade, já fez de tudo um pouco, mas sente-se vazio e algo o perturba. Claro, é o facto de nunca ter conhecido o pai. Relaciona-se melhor com a tia Irma, que também é severamente castigada pelo autor ao ficar apaixonada por Leôncio e não se interessar por mais ninguém. Jove acaba por contar com a sua cumplicidade e parte para o Pantanal. Aí rapidamente o julgam pela aparência. Surge com uma camisa larga e estampada, com modos educados e uma forma de estar que denuncia o facto de ter sido criado por três mulheres. Todos os homens se riem e lhe lançam olhares de gozação. Até o pai fica profundamente decepcionado, julgando ele que ia receber um filho adulto e peão. Na verdade, todos acham que Jove é homossexual. Só que este homossexual mal chega ao P
o filho lhe conte que tiveram sexo. Mas Jove acha essa presunção redutora e é isso que Leôncio não entende. Ao contrário do que pensa o pai, não é na marra que Jove a tenta conquistar. Ele sabe que a “onça selvagem” não é nenhum marruá para ser domado. Ele é o único que realmente vê Juma, “mais mansa que um cordeirinho” – diz ele. E ela também se apaixona por ele por causa desse reconhecimento. Nele encontra aquilo que procurava. Com ele começa a aprender mais sobre a vida, aprende a ler e também a escrever. Melhora o seu vocabulário e assim satisfaz a sede que a sua curiosidade natural de pessoa inteligente procurava saciar, sem ter como.Filó é outra personagem que me agrada muito, mas só após envelhecer. A Filó mai
Outro pormenor, mas que ainda deixa as “marcas” da sua interferência, é o facto da bela Juma, pantaneira que toma banho de rio desde menina com a sua mãe, ter uma cena em que tira a roupa e tem marcas de biquini fio-dental. Se para interpretarem índios é costume maquilhar os actores com um produto especial, porquê não se esforçaram para ocultar as marcas branquinhas na pele de Juma? Não dava para ir a um solário antes de partir para o Pantanal? Juma nem conhece o que é um soutien. Logo, não devia ter marcas dessas peças de vestuário. Aí, nesse pedacinho de história, subitamente o espectador percebe que é falso.Também achei um tanto forçada a mudança de Jove para pantaneiro. De início está tudo natural mas aos poucos, a mudança é brusca demais. Parece-me que algo na personalidade da personagem está a ser roubado. Contudo e no geral, adoro esta novela. Não lhe encontro muitas mais falhas de importância para mencionar. A história de amor entre estas duas personagens está muito bem feita e gosto ainda mais dela, por se assemelhar à realidade. Juma e Jove gostam um do outro, mas não vivem um conto de cinderela. Chegam até a separar-se devido à intervenção de uma terceira pessoa. Humm… muito semelhante à vida real, não?
Por fim, outra crítica que faço à história, diz respeito à personagem de José Lucas. De início entra bem mas depois, anda ali uns capítulos sem rumo, a tomar umas atitudes pouco credíveis. Para quem quer ser peão acima de tudo e acaba por sê-lo, ter virado político é cá um esticão! Principalmente porque inicialmente é um homem simples, desinformado e desinteressado por política. Surge de repente o interesse, só para ele ter o que conversar com a personagem Irma. A sua história dá muitas voltas: José Lucas interessa-se por Juma e chega a viver com ela, mas também antes disso surge uma jornalista de nariz empinado, vinda do nada, só para se envolver com ele e o retirar por uns tempos da trama. Por sua vez, Irma também não é uma personagem feliz. Eterna apaixonada pelo cunhado, de repente deixa-se seduzir pelos encantos de Trindade, o peão cantor, mas a forma como este sai da história só para dar lugar a José Lucas é um tanto forçada.
Em Pantanal vêm-se já referências a futuras obras do autor Benedito Ruy Barbosa: O “Rei do Gado”, que é como Leôncio é chamado e o “pacto com o Belzebu”, aqui feito por Trindade e mais tarde aproveitado para a personagem “José Inocêncio”, o coronel “Rei do Gado”. As semelhanças não são casualidade.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
A MAIS PEDIDA: PANTANAL
Hoje estou radiante por ter aberto o email e ter visto muitas pessoas que lêm este blogue a entrarem em contacto comigo. O que mais me pediram foram mais cenas da novela "Pantanal". Pois bem: aguardem, que mais virão! Não só mas pediram para o email ou através do youtube, como neste blog está para encerrar a enquete que pergunta PROCURA CENAS DE ALGUMA NOVELA? e adivinhem qual a mais procurada? - Pantanal!
Pois há que honrar os leitores e participantes, dando-lhes o que pedem! A vocês só vos peço, que continuem a visitar este blogue e que comentem, pois faz bem partilhar experiências!
Agora com o natal a 15 dias de distância e com tanta coisa para fazer (até custa lembrar!), sejam pacientes. No entanto, não terão de esperar muito. Chega a tempo de ser presente para o sapatinho!
Abraços e uma quadra feliz para todos!
11/12/07- O primeiro presente no sapatinho já cá está: espreite na primeira entrada deste blogue: Pantanal. No mês de Setembro! É para lamber os dedos!
English version:
Hello readers!
Today I’m radiant to see how many people got in touch with me to ask for more of tv soap Pantanal. Well, you will not have to wait long!
11/12/07- Here’s your first present on your Xmas stoking: the links to a résumé from beginning to end of this soap are in SEPTEMBER ENTRANCE! Go and enjoy!
This is my favorite scene / Esta é a minha cena predilecta
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domingo, 9 de dezembro de 2007
DONA BEIJA da Manchete
Já aqui falei sobre a mini-série "Dona Beija", mas numa perspectiva diferente. Agora vou falar apenas da novela. A começar por este termo: novela. "Dona Beija" agradou tanto os fãs, que facilmente estes a incluem no rol de novela onde, até hoje, não sei se pertence ou não.
Em Portugal passou na RTP2 aos fins-de-semana, em capítulos de 80 minutos, no formato de mini-série. Mas a novela no seu original teve 89 episódios de 45 minutos, o que é pouco para a norma.
Noutros países a duração e o número de capítulos continuou a ser variável: no Equador, onde foi exibida apenas em 1991 e fez um tremendo sucesso, a trama foi dividida de modo a render 221 episódios! Em França em 1992 foram 178 capítulos, de duração aproximada de 25 minutos.
Independentemente deste detalhe, "Dona Beija" é uma produção encantadora. E quero realçar a contribuição da Banda Sonora.
Do muito que se fala desta obra não se dá o merecido mérito à contribuição musical. "Dona Beija" beneficia bastante de melodias certas, no lugar certo. A carga dramática e de tensão que passa apenas com o olhar fixo das personagens, imóveis, olhando-se, embaladas por uma melodia que já está a envolver o espectador. Veja este exemplo:
Além destes momentos, todos os outros, desde os românticos mas principalmente os dramáticos e tristes são igualmente embalados por uma música envolvente.
Tenho que tirar o chapéu à TV Manchete. Em termos de Bandas Sonoras, não me recordo de ser tão envolvida com nada que não fosse uma produção desta emissora. Claro, existiram trilhas sonoras de novelas da Globo que fizeram muito sucesso: Vale Tudo e Roque Santeiro, por exemplo. Mas temos de convir que não são exactamente o género que mexe imediatamente com a sensibilidade por debaixo da pele. Falo mais deste tipo de sonoridade instrumental de produções como "Dona Beija" e "Pantanal". Outras produções da emissora, como "Filhos do Sol" e "Ana Raio e Zé Trovão", que contaram com a sonoridade de Marcus Vianna, produziram este tipo de efeito emocional que povoa sem falhas toda a obra que é "D. Beija".
Feitos os elogios à sua sonoridade, de autoria de Wagner Tiso, logo de seguida tenho de sublinhar os fantásticos figurinos e decours. Para não falar daqueles penteados femininos, todos requintados, entrançados, cuidadosamente apresentados com enfeites metálicos pelo meio. A imagem e cor de "Dona Beija" até é simples, mas de uma simplicidade muito bela. Toda a obra se consolida numa visão que não desliza. Por isso Beija e outras tantas são o que são: obras inesquecíveis, que farão para sempre sombra ou sobreposição ao melhor que a concorrência tem para oferecer.
ENGLISH VERSION:
I’ve already talk about Dona Beija, but not this way. Not just about the tv soap. Until today, I don’t know if this is indeed a tv soap or a tv mini-series. I know what everyone knows: it’s a great success.
In Portugal, it went on air at the weekends with 80 minutes episodes. It was considered a mini-series. But in other countries, for example, Equador, it was stretch to a 221 episodes back in the year of 1991. In France, on air in 1992, this product had the duration of 25 minutes witch produced a 178 episodes story. Originally, it has 89 with 45 to 50 minutes of duration.Details aside, this is a lovely product. With a remarkable effective sound track.
A lot has been said about the soap. But not enough about its musical component. The tunes are in perfect harmony with the moment and that is a feature not that easy to achieve. “Dona Beija” has it. For moments of passion, of love, of war, of suffering and hurt, there’s the appropriate melody. As you can understand by the video example above.
I must say that, in what sound tracks are concerned, TV Manchete is the major responsible for the melodies that entered my skin direct to my emotions. Not only with “Dona Beija”, but also with “Pantanal”, “Ana Raio e Zé Trovão” etc.
Another point worth mentioning is the lovely costumes and sceneries. Let’s not forget the amazing hair styles, so sophisticated, beautifully arranged and accessorized with jewellery. The image and photograph of “Dona Beija” is actually simple. The all product has a consistence that doesn’t slip. That’s why “Dona Beija” and so many other Machete’s tv soaps will always make a shadow, if not a imposition to the best the adversary has to offer.
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