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Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
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domingo, 21 de outubro de 2007

A ESCRAVIDÃO


A propósito do tópico anterior, em que abordo o perigo de ser “politicamente correcto” de acordo com o que a sociedade dita hoje, mas muda amanhã, vou contar-vos um episódio que presenciei. Numa sala de trabalho com cerca de 15 pessoas, uma vira-se para a outra e pede-lhe para trazer uma pilha de papéis. Como a pessoa já estava a terminar de empilhar uns tantos, saiu-se com esta: Pensei que o tempo da escravidão já tinha acabado!

Silêncio absoluto. Ninguém falou, a pessoa não reformulou o pedido. Ao terminar aquela tarefa, esta segunda pessoa sai da sala e só aí um dos rapazes que tinha sempre resposta para tudo desabafa: “Tás a ver? O que é que um gajo responde a isto? Não pode dizer nada!”.

Tive vontade de responder: “Claro que pode! E não, infelizmente não acabou e ainda o ano passado descobriram uns portugueses escravizados em Espanha, que viviam a pão e água, forçados a trabalhar de sol a sol, a fazer as necessidades na terra e a dormir todos debaixo do mesmo teto, sem colchões ou camas, no chão”.

Tive vontade mas me calei e hoje talvez gostaria de tê-lo dito. Talvez fosse a primeira oportunidade de alguns para reflectir seriamente sobre a questão, ao invés de terem uma perspectiva unicamente formada pela ficção, que se focou essencialmente na altura das descobertas e na escravatura sofrida pelo povo africano. A maioria pensa que já não existe e está erradicada do planeta.

Infelizmente, não. Cada vez mais, aliás, verifico tristemente que não. O que aconteceu foi que a legalizaram! Mas já irei a essa perspectiva.

Já deu para desconfiar que, o que conduziu ao silêncio na sala, só interrompido quando a pessoa sai, é porque dessas 15 pessoas, 14 eram brancas e a que saiu era negra. Também não compreendo esta inversão de papéis, e esta culpa branca ou arma negra. Não sei, nem pretendo classificar. Existe sim, é ainda muitos obstáculos e muito desconhecimento, o que faz com que a escravatura seja praticada, ás vezes com o conhecimento de toda uma nação, e pouco se possa fazer para erradicá-la.

Ultimamente, nos media, vi duas excepções a esta tendência. Que muito me agradaram. Uma foi o lançamento de um filme/documentário(?) inglês, onde o autor fez questão de afirmar que a escravidão permanece em muitos locais e de muitas formas, e é preciso combatê-la e tomar consciência das formas que tomou. Outro caso, foi a chegada da réplica do navio Amistad, em que também um indivíduo envolvido na organização, um americano afro-descendente, repete por outras palavras a mesma mensagem. Fiquei em êxtase!


É importante retirar da mente das pessoas as limitações que os filmes e as novelas criaram sobre o que é a escravidão. Ou melhor: o que foi. Porque muitos desconhecem que ela hoje existe, outros desconhecem que o são, pois nunca chegou a desaparecer com nenhuma lei. Para a maioria, a escravidão aconteceu e terminou. Começou com as descobertas, foi negra e terminou mais tarde.

Na realidade, antes de Cristo já existiam escravos, de todos os credos, cores e nacionalidades. A ficção lá mostra os romanos e suas belas escravas. E este tipo de escravidão, que é basicamente do mais forte e poderoso sobre o mais fraco, não foi erradicada. Contudo, parece esquecida. Não é uma questão de cor, nem de religião, ou nacionalidade. Não foi branco e negro. Não terminou por a humanidade entender a gravidade do seu gesto. Não se pode reduzir um flagelo tão simplesmente. Toda a escravidão é lamentável, um crime aos direitos humanos, mas está muito enraizada em nós.

Numa ilha cujo nome não consigo recordar (desculpem), algures perto de África, existe até uma designação própria (assim como a Índia tem castas -outra forma de descriminação ou classificação social que atribuí importância ás pessoas por estatuto social) que significa ESCRAVO. São meninos e meninas, com poucos anos de idade, alguns até com três, que são vendidos pelos progenitores a alguém para serem seus escravos. Fazem de tudo, são maltratados verbalmente e fisicamente. A escravatura é prática muito corrente em países africanos. Que, conforme podem ver neste endereço da wikipédia ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Escravatura), também aconteceu de dentro para fora, também quando a procura europeia atingiu o auge durante as descobertas.

Muito podia falar sobre esta questão e dar exemplos de casos que tomei conhecimento, mas já estou a estender este assunto, que tem a ver com novelas, mas não é sobre novelas! É o meu contributo para uma CAUSA SOCIAL. Abrir as mentes, apelar há consciência, tal como a explicação de um brasileiro que escreveu sobre os verdadeiros motivos da erradicação da escravatura no Brasil serem os económicos, abriu os meus. Assim como ficariam cada vez mais abertos olhando para a própria realidade social, o tipo de contratos de trabalho precários pouco dignos e provisórios onde se defendem os direitos das empresas e dificilmente os do lado menos poderoso, o do trabalhador.

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Vi num documentário na TV a reacção de um etíope-descendente inglês (que por ser negro julgava ser afro-descendente) ao descobrir que o nome tribal que tinha acabado de adoptar, de um grande guerreiro com quem se identificava, era afinal um grande colector dos seus para escravizar. No mesmo documentário, vi a transformação de uma mulher afro-descendente que ia à TV inglesa trajando roupas africanas para falar sobre a identidade do «seu» povo, revoltada consigo própria por sentir-se agradecida pelos seus antepassados remotos caírem na escravidão e isso ser a razão pela qual hoje não era ela uma daquelas mulheres interesseiras (assim as chamou), a pedir esmola (assim o disse) que não faziam nada por si mesmas para sair da pobreza em que se encontravam. E nem abordei a questão do tráfego sexual, e dos horrores que percebi que acontecem. Muito pior! Muito pior... Sinceramente, nem quero falar disso, embora seja isso que é preciso todos fazerem.

São outras perspectivas, que abriram a minha consciência, para um assunto que já andava a querer revelar-se.



A escravidão não foi erradicada do planeta, como se pode ingenuamente pensar. É verdade que o comércio de escravos na época expansionista foi massiva. A escravatura era então algo bem definido, visível, era lei. Haviam papéis sociais definidos, atribuídos a cada indivíduo, escravo ou senhor, homem ou mulher, rico ou pobre.

Breve Lição sobre a Escravidão (fonte: Wikipédia)
* A escravidão era uma situação aceite na antiguidade e logo se tornou essencial para a economia de todas as civilizações
*Civilizações como a Mesopotâmia, a Índia a China, o antigo Egipto, os Gregos e os Ebreus tinham escravos mas a sua organização ainda era pouco produtiva.
*Nas civilizações pré-colombianas, os astecas, os incas e os maias, os escravos não eram obrigados a permanecer assim toda a vida e podiam mudar de classe social após quitarem suas dívidas.
*Entre os Incas, os escravos recebiam uma propriedade rural na qual plantavam para o sustento da sua família, reservando ao imperador uma parcela maior.
*Quando em 1415 Portugal conquistou Ceuta era já sua intenção dominar as rotas dos escravos trazidos da África Sub-Sahariana pelos comerciantes beduínos.
* O primeiro lote de africanos escravizados pelos Portugueses foi capturado pelo navegador Antão Gonçalves na costa do Argüim (hoje Mauritânia) em 1441.
* Os Portugueses iniciaram o papel central que tiveram no tráfego negreiro quando começaram a chegar à Guiné, cerca de meio século depois.
* O auge deste comércio deu-se no Séc. XVIII com o comércio dos escravos africanos para o Brasil.
* Foi também no séc. XVIII que Portugal tomou a dianteira na abolição da Escravatura.
* No Reinado de D. José I, a 12 de Fevereiro de 1761, o Marquês de Pombal aboliu a escravatura no Reino/Metrópole e na Índia.
* Verdadeiramente só no séc. XIX é que se finalizou o processo.
* Os primeiros escravos libertados nas colónias foram os do Estado (1854), depois os da Igreja (1856) e em 25 de Fevereiro de 1869 proclamou-se a abolição total da escravatura em todo o Império Português.
* Antes da chegada dos portugueses a escravatura já era largamente praticada no Brasil.
* Os índios escravizavam os prisioneiros capturados em guerras tribais e também aqueles que fugiam de outras tribos.
*Nas tribos praticantes de antropofagia, comiam-se os escravos em rituais.
* os indíos não foram passivos à escravização portuguesa e também passam a vender muitos prisioneiros em troca de mercadorias.
* Existiu no Brasil uma relação comercial distinta entre portugueses e índios, que prestavam serviços de extração e transporte do pau-brasil para os portugueses em troca de mercadoria europeia.
* Quando os portugueses começam a entender as práticas dos índios e a de canibalismo, passam a uma relação de desconfiança, o que abala a relação de colaboração e inicia a imposição da cultura religiosa e trabalho forçado.
* Diante da situação, os nativos ou reagiam ou aceitavam a escravidão.
*Existiam muitos grupos indígenas e os do sul da américa desconheciam o conceito de hierarquia, pelo que não aceitavam o trabalho compulsório.
* Também muitos vieram a falecer, de maus tratos e de doenças que lhes eram desconhecidas ao organismo.
* Devido a estas dificuldades e subsequente facilidade na perca de mão-de-obra, os colonos voltaram-se para África em busca de escravos e no séc. XVIII termina a escravidão de indígenas. * O açucar era a matéria-prima pela qual pretendiam fazer riqueza e como muita mão-de-obra seria necessária, esta razão motivou o início da busca de escravos em África para trabalhar no Brasil.
*A Igreja Católica ganhava um percentagem por cada escravo que entrava no Brasil, assim como a Coroa Portuguesa além dos próprios traficantes.
*A data oficial de tráfego negreiro é 1559.
*Os africanos eram capturados nas mais diversas situações: devido a guerras tribais ou ao já serem escravos por terem dívidas não pagas e podiam ser facultados por traficantes negreiros.
*Surpreendentemente, os maus tratos não eram bem vistos (não era atitude cristã) e em 1700 uma carta do D. Pedro II revela a indignação contra os cruéis castigos, que eram mesmos terríveis, incluindo mutilação e tortura.
*Escravos africanos alforriados frequentemente adquiriam outros escravos passando à condição de escravagistas.
*Os escravos trabalhavam na agricultura, em platações de açucar, tabaco, algodão e café, na mineração e na pecuária.
*Os escravos domésticos trabalhavam nas casas senhoris, realizando serviços como cozinhar e costurar.
*Os escravos ao ganho, eram os que prestavam serviços remunerados e pagavam uma parcela de renda ao seu proprietário.
*Os escravos de aluguel eram emprestados a outros senhores para desenvolver um outro ofício, como carpinteiro ou pedreiro.
*Os escravos não tinham direitos, porque eram propriedade.
*O proprietário é que tinha de garantir os elementos básicos á sua sobrevivência, a alimentação, as roupas, os tratamentos médicos.
*Eram vigiados por capitães do mato, e se fugissem e fossem capturados, eram-lhes aplicados severos castigos, como o tronco e o açoitamento.
*Casos de Alforria aconteciam por variados motivos, desde a vontade do senhor em virtude da obediência e lealdade, até a casos em que o escravo conseguia comprar a sua liberdade.
*Formas de resistir à escravidão eram várias: desde a criação de Quilombos, onde frequentemente também se praticava a escravatura, porque aboli-la não era um objectivo, ao suicído, ao assassinato dos senhores, ás rebeliões e revoltas.
*A revolta dos Malês visava a libertação dos escravos africanos e pretendia escravizar brancos, mulatos e não muçulmanos.
*A abolição da escravatura no Brasil, que conseguiu a independência de Portugal oficialmente a 7/09/1822, deu-se de forma processual, e a 13 de Maio de 1888, a princesa Isabel assina a lei Áurea, extinguindo-a oficialmente.
*O Brasil foi o último país ocidental que ainda mantinha a escravatura legalizada.
*Em 1850 a lei Eusébio Queirós punia os traficantes de escravos e a sua importação e, em 1871 a lei do Ventre livre afirma serem livres os filhos de escravos daí adiante nascidos e em 1885 a lei dos sexagenários concedia liberdade aos maiores de 60.
*A escravidão foi substituída pela mão-de-obra assalariada imigrante, sendo que a abolição da prática escravagista não impediu que, até aos dias de hoje, se continue a praticar superexploração de mão-de-obra em regime de escravidão e tráfego de pessoas.

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AS CAUSAS SOCIAIS E AS NOVELAS


Creio que o mundo já se habituou a ver nas novelas, além de merchandising a produtos e serviços e reproduções de escândalos reais, a focalização em determinado problema social. Em “Vale Tudo”, novela que retrata uma realidade que se aproxima cada vez mais à de Portugal, falava-se do desemprego, da mão qualificada ficar de fora do mercado de trabalho ou se prestar a serviços muito abaixo das suas capacidades. Falava também da decadência moral e da decadência das instituições. Era mesmo o “Vale Tudo!”.

Creio que muitas novelas, por muito tempo, só trouxeram benesses ao explorarem temas que mexem com a sensibilidade das pessoas. Mas será que não há um outro lado da moeda?

Vou começar pelo caso mais recente: a novela “Páginas da Vida”. Encontrei ontem por acaso, um tópico na net que informava que se tinham feito “bonecas Clarinha”, sendo que se referia à menina com síndrome de Down que entrou na novela. Não estou bem por dentro de tudo o que aconteceu em torno dessa menina, mas confesso que fiquei com um feeling de ter existido um aproveitamento individualista do assunto, ao invés de ser abordado de uma forma que beneficiasse realmente a causa. Merchandising de Clarinha? Com que propósito?

Voltando atrás, devo dizer que um dos momentos mais marcantes de consciência social que me ficou na memória foi através da personagem de Isadora Ribeiro, em “Explode Coração”, que tudo fazia para encontrar um filho desaparecido. Penso que algumas cenas até foram gravadas no meio de mães reais, com cartazes com fotografias dos verdadeiros filhos desaparecidos. Penso que até algumas crianças foram encontradas devido à novela. Isto é que eu chamo de um aspecto bem positivo da influência da novela na realidade. Fiquei contente. Ultimamente porém, tenho sentido que existe mais um aproveitamento, uma espécie de abordagem artificial que não traz nada de novo. E fica a questão: quando a novela sai do ar, o assunto deixa de existir?

Em “De Corpo e Alma”, novela de que não gostei, a doação de órgãos aumentou nos hospitais. A doação de medula óssea também sofreu um acréscimo quando “Camila”, em Laços de Família, descobriu ter leucemia. São exemplos de causa-efeito óbvios. Mas ultimamente, não sei… Em certas cenas que vi em Páginas da Vida, parece um exagero Helena partir para a agressão com alguém, cada vez que essa pessoa se referia á criança como doente. Não é para tanto. Não é com agressão e insulto que se informam as pessoas. Ás tantas não sei, a novela passa a impressão que o correcto é ignorar, ficar na ignorância porque perguntar ofende, e nunca, mas nunca, usar as palavras “doente” ou deficiente”.

Entrámos numa época de “politicamente correcto”. Não se diz que uma pessoa é gorda. Diz-se que é “fisicamente avantajada” (palavras da actriz Sarah Jessica Parker na Oprah, referindo-se à educação que dá ao filho). Não se pode em circunstância alguma fazer referência á cor de pele de alguém, se este for negro e a pessoa que fala não for. Qualquer piada, referência, qualquer inocência, costuma surtir um estado de indignação que faz as pessoas ficar caladas, sem perguntar, sem saber: politicamente correctas! Ora isto é perigoso! Valei-nos as personagens de Lombardi, que ao menos lá chamam os bois pelo nome!

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Casamentos, são como chapéus!

Os casamentos, geralmente guardados para o fim, são o momento esperado por aqueles que seguem uma história e aguardam o desfecho feliz. Nas novelas, vários actores já se vestiram a preceito. Ora com fatiota de época, ora mais avan-guard, como a “Malu” de Mulheres de Areia, ou doidas como “Fernanda”, em Selva de Pedra, que tingiu seu vestido de negro. Uns mais que outros, mas é sempre divertido ver os fatitos. Ora, ao longo do tempo fui juntando imagens por tópicos. NOIVOS foi um deles. Apesar de metade já ter encontrado o caixote de lixo, outra metade se salvou deste insano momento, e como um blog não se presta a certas comodidades, deixo no Youtube um trecho destes momentos. Será actualizado há medida que outras imagens forem aparecendo. Divirtam-se!http://br.youtube.com/watch?v=9Mki7-YNA_I

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sábado, 20 de outubro de 2007

ARTISTAS EM PORTUGAL

Ao longo dos anos, muitos actores de telenovelas têm vindo a Portugal. Quando a SIC surgiu com a TV Globo como accionista, este intercâmbio tornou-se mais amiúde. Antes, vinham menos. Convidados para os carnavais, esperando patrocínios e convites de trabalho, que eram poucos, porque poucas eram as entidades. Por isso, a imprensa dava mais destaque a estas chegadas. Pouco mudou com o tempo, mas é certo que a SIC intensificou estes intercâmbios. E também a afluência de artistas portugueses para o Brasil, se tornou mais amiúde. Se é verdade que, por causa da abrangência de uma novela, o artista brasileiro está acostumado a fazer viagens de promoção e divulgação, que vão da China à Rússia, parece que Portugal é um destino especial, por partilhar a língua. Afinal, na China o Rubens de Falco e a Lucélia Santos, na Escrava Isaura, falam chinês. Na Rússia russo e por aí adiante. Com o aparecimento de dois canais de televisão privados, o meio audiovisual contorceu-se todo. Produtoras foram criadas, produtos, ideias viam um caminho a seguir. E fascinados que somos pelas novelas brasileiras, a SIC aproveitou o facto para trazer actores a Portugal. Trouxe o conceituado Tarcísio Meira e Cristiana Oliveira para promover "De Corpo e Alma", Christiane Torloni andou por cá e promoveu também novelas, como Renascer, e Irmãos Coragem foi promovida por Gabriela Duarte e Murílo Benício. Todos receberam muito destaque e grande pompa.

A verdade é que não nos cansamos nunca de novelas. Mesmo com a nossa produção finalmente a arrancar (muita dela com mão de obra especializada do Brasil). E mesmo isto, devemo-lo ás brasileiras. Porque foi o alargar do mercado que fez profissionais do outro lado querer experimentar trabalhar cá. Alguns vieram e foram, outros ficaram. Claro que quem fica, tem interesse em criar, em produzir. E quando a SIC ficou com o exclusivo das novelas da Globo, os outros dois canais ficaram histéricos. Falaram em deslealdade. Foram buscar novelas de outras emissoras brasileiras, mas não tiveram o resultado esperado. Era inútil combater uma novela da Globo com outra qualquer. Penso que aguardavam o final de um prazo mas, como este não ia acontecer, criaram juízo: ao invés de se lamentarem, puseram mãos há obra. E com directores como Atílio Ricó, calejado profissionalmente no Brasil, entre outros, portugueses e brasileiros, a produção portuguesa passou também, a ser amiúde.

http://http://br.youtube.com/watch?v=ExtK55j2aPw

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HOMENAGEM a NAIR BELLO


Nair Bello faleceu recentemente. Se foi após dois anos de frequentes complicações de saúde. Li algures que entrou em três paragens cardíacas em alturas diferentes. Ficou em coma, etc. Pergunto-me o que terá sentido, durante todo esse tempo. A morte é um assunto tabu. Não se fala dela, principalmente quando deixa de ser tão hipotética (na juventude) para próxima (na velhice). Gostava de ver este tabu a ser, pouco a pouco, deitado abaixo como pedaços do muro de Berlim.

Julgo que grande parte dos nossos tabus não são antigos como poderemos julgar. São bem recentes na sociedade. Este é um deles. A morte... tema tabu mas porquê? Porque não saber o que pensa e sente uma pessoa que se julga estar a morrer por velhice? Terá medo? Sentirá paz? Como lida com isso? Noutras sociedades, noutros tempos, acho que as pessoas não têm a percepção que a morte não assustava muitos. De outra forma, como poderiam os cavaleiros, os guerreiros, ir para o campo de batalha sabendo que estatísticamente não poderiam sobreviver a todas que teriam pela frente? Os egípcios acreditavam na vida após a morte. Logo, morrer era uma benção, mas de decisão divina. Esta ausência de temor, que os levava a arriscar a vida, não existe mais. Há poucas décadas atrás, não fazia mal cortar uma madeixa de cabelo de um morto. Hoje a ideia é considerada macabra. Assim como tirar retratos. Mas há pouco tempo, não era. Creio por isso, que a sociedade tornou-se mais fechada e preconceituosa em relação á sua mortalidade.

Mas vamos mudar para Nair Bello. Uma senhora- já a conheci senhora na telinha - de um talento e carisma extraordinário. Recentemente vi cenas da sua D. Jura, na novela Perigosas Peruas, e não deu para desgrudar do ecran. A ela associo essencialmente interpretações cómicas, muitas nas novelas de Lombardi. Tinha um jeito todo especial de conseguir brilhar neste género. A voz, não sei se rouca devido a tabaco, ajudava-a naturalmente a ter graça. Mas o resto era tudo mérito e talento seu. Sobre Nair, nunca nada soube, além do seu trabalho que vi na TV. É curioso como a imprensa e os paparazzi podem assediar tanto uns, ao ponto de passar os limites e serem invasivos, e outros, deixá-los estar. Acreditem, se eu fosse alvo de paparazzi, preferia pertencer ao segundo grupo. Mas me surpreende como grandes talentos não são nem alvo de matéria para reconhecer e divulgar seus trabalhos. A invasão da vida privada, a inserção de informações pessoais, a quem todos parecem estar inseridos hoje em dia, não apanhou Nair Bello. Constatei que não sei se alguma vez casou, se tinha filhos, ou se era solteira. (tirei as dúvidas e afinal casou e tem 4 filhotes). Espero que tenha sido feliz, porque certamente fez muitos felizes e gerações, além fronteiras, vão recordar-se por muito e muito tempo, de Nair e do talento que partilhou com tantos. Ela e tantos outros da sua geração, alguns dos quais com quem fez duetos de interpretação ímpares, continuarei a adorar ver na TV. Porque tanto talento, é um prazer de ver!

26.02.08

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

HELENA da Manchete


Tinha 13 anos quando vi esta novela. Desde miúda, com uns cinco ou seis anos, não conseguia compreender porquê outros miúdos como eu, mais velhos principalmente, se descabelavam por um artista qualquer. Tinha uma vizinha doida por Madonna. Tinha um vizinho apaixonado. E ambos eram gozados pelos adultos. Compreendo gostar-se de algo. Mas não compreendo este tipo de gostar. Quase fanático, sem reparar na realidade. Bastava ser Madonna e entravam em histeria de gritos e suspiros. Para mim aquilo não fazia sentido e, indignada com o aproveitamento que os adultos faziam dessa adoração para fazer troça, percebi que aquilo não ia acontecer comigo.

Quando Helena foi para o ar, uma coisa foi diferente. Pela primeira vez, aquele actor, sabem… que bonitinho! Bom, não era nada histérico, nem uma declarada paixão inflamada. Até porque mais tarde desconfiei que talvez fosse gay. Mas algo em Thales Pan Chacon, a sua voz e o seu ar e olhar de cachorrinho sofrido, tocou em botões ainda não tocados. E cá está: a primeira paixoneta por uma figura mediática. Não imaginam o quanto fiquei chateada com isso! Claro, mencionei a coisa lá em casa, e lá vieram as piadinhas. Era inveja.

A química no ecrãn entre os dois irmãos, deve ter ajudado. Tanto Thales, como Luciana Braga, que faz de Helena, conseguem, só com o olhar, passar muita energia. Há cenas de dar calafrios. Li algures, na altura, que ambos eram estreantes em Tv. Se assim foi, a crueza da falta de conhecimento do meio televisivo, não foi relevante.

Desta novela lembro que o nosso presidente da República de então, Mário Soares, fez uma visita ás gravações e lá estavam as fotos na revista. Mais tarde invejei-o! Lembro que na cena final da morte de Helena, existe uma falha, que mais tarde vim a descobrir que se designa por “racord”, ou seja: há uma falha de continuidade e de um plano para o outro as cenas chocam entre si. Foi com o cabelo de Helena. Depois de morta, entre um take e outro, conseguiu mudar de lugar e ficar composto no travesseiro! Lembro também que Helena me ensinou um conceito que desconhecia então, nos meus tenros 13 aninhos. Não sabia que podia existir um casamento póstumo. Tive de ler o resumo do final da novela na revista, porque as últimas cenas do último episódio, nunca as vi. E foi nesse resumo, que procurei saber a que casamento se referiam, se a noiva já estava morta. Investiguei e descobri, com surpresa, que se pode casar com um morto!

Ainda espero, hoje, que a novela volte a ser emitida em Portugal para que, décadas depois, possa ver como termina! É que tive de ir para escola. E apesar de poder contar com o auxílio da tecnologia, o videogravador, a pontualidade da única estação de televisão portuguesa existente na altura, era tão ruim que, mesmo dando todo o espaço na cassete, não cheguei a ver o final.

No outro dia, na escola, comentavam-se as últimas cenas. Alguns colegas meus faltaram para poder assistir. Deveria ter feito o mesmo, mas sofro deste mal de cumprir os deveres… ainda mais em dia de anos! O sucesso de Helena foi grande. Na época só existia uma estação de televisão pública, com dois canais. E o segundo, tinha muita fraca audiência. Foi neste que passou “Helena” (aliás, outras grandes novelas passaram na RTP2: Barriga de Aluguel, é outro exemplo). Este facto deve ser do conhecimento geral, para se poder enquadrar o sucesso de uma novela que fez meninos da escola faltar para assistir.

Helena trouxe outra benesse. Graças á história, fui procurar o livro. Queria saber como este tinha sido escrito por Machado de Assis. Como as novelas costumam incluir mais personagens, inventar mais histórias e englobar outras obras, gostei mais da novela que do livro. Embora não deixasse de gostar do livro. E isto para mim é o exemplo do lado benéfico de novelas, filmes e outras obras de arte retratadas em cinema ou televisão: produzem curiosidade e podem levar o espectador ao livro.

Até agora, também não sabia que outras pessoas achavam o TPC (como me referia a Thales Pan Chacon, fazendo o trocadilho por ser a abreviatura de trabalhos para casa- que tinha da escola) atraente. Uma casualidade deu-me essa percepção. Sim, mais outra pena… a doença que o levou. Ele e muitos outros que participaram nesta novela, faleceram pouco tempo depois: Yara Amaral, tragicamente afogada num muito divulgado caso de sobrelotagem de pessoas numa embarcação durante a celebração do ano novo (révellon), Isabel Ribeiro, a talentosa vilã Thomásia e Chiquinho Brandão, num acidente de viação. Sabemos lá nós o que nos calhará! (ou quando!).

Mas recordando coisas não tristes, não gostariam de rever Helena? E voltar a usufruir destas personagens, destas interpretações talentosas, e da tensão e energia sexual entre os dois irmãos? Ainda por cima, sendo uma novela de época, acho que vestido daquela maneira o TPC ficou ainda mais atraente. Ainda hoje, uma camisinha de espadachim num homem... enfim! Hã! Nada como ter tudo tapado e usar muita roupa! :)

Você viu ou lembra desta novela??
O que foi ela para si?
Deixo um trecho em: http://http://br.youtube.com/watch?v=E19rvzb6G7s

R*E*SU*M*O DA H*I*S*T*Ó*R*I*A:
O concelheiro do Vale morre. A leitura do testamento deixa todos em choque: o seu amigo Camargo, e sua única família: o filho Estácio e a irmã Úrsula. Afinal, o concelheiro tinha uma filha, que reconhece como legítima em testamento. Chama-se Helena. Esta vive num convento e é chamada pela família. Úrsula não a recebe bem, mas o irmão, Estácio, fica fascinado com a ideia de ter uma irmã.Quando Helena chega à fazenda, revela-se uma menina de muitos bons modos. Educada, acaba por conquistar o coração duro e moralista de Úrsula. Helena conquista o coração até do irmão. Mas de maneira completamente diferente. O amor é mútuo, e é carnal. Nenhum dos dois cede aos seus impulsos, mas torna-se cada vez mais difícil assumir esse comportamento. Estácio está noivo de Eugênia, a filha do Dr. Camargo, muito amigo da família. Este e a esposa têm pressa em casar os dois. Estácio é dono de toda a fortuna dos Do Vale, e por isso, os Camargo não vêm com bons olhos a novidade "Helena". A doçura da rapariga conquista o coração de todos e desperta interesses românticos. Para desespero e tortura de Estácio e da própria Helena. Ás tantas, percebe-se que a rapariga esconde algo. Será que ela não é o que aparenta ser?

Estácio está noivo mas mantêm um romance com uma espanhola. Os seus encontros dão-se numa cabana abandonada no meio da floresta. É por essa cabana que também Helena começa a passear e a ter encontros misteriosos.Os dois irmãos começam a discutir, basicamente porque a atracção que sentem um pelo outro é cada vez maior e não sabem como a irradicar. Numa ocasião, Estácio bebe mais que a medida, acaba bêbado, no colo de Helena, e beija-a. A rapariga dá-lhe um estalo.
A partir daqui os dois vão andar tensos. O segundo beijo acaba por acontecer e é presenciado por Úrsula. Espantada, manda chamar o padre Melchior, e avisa os sobrinhos de que assistiu à cena de afecto. Helena e Estácio sentem-se torturados e o sentimento de culpa os invade. Helena sai de casa para ir até a casa da bandeira azul (http://br.youtube.com/watch?v=aWDP1UVU13g), a tal cabana abandonada e Estácio, desconfiado, segue-a. Ao chegar a casa, Helena encontra as malas feitas e interpreta o gesto como uma expulção. Ela passa a viver na casa da amiga Joana. Estácio pergunta-lhe quem mora na cabana azul, mas Helena pede-lhe para não falarem disso. A partir daqui Estácio está obcecado, e tenta por todos os meios saber com quem Helena se encontra na cabana. O indivíduo misterioso chama-se Salvador, um homem de cabelo grisalho, a quem Helena pede que desapareça antes que Estácio o encontre. Para colmatar, Estácio decide afastar-se numa longa viagem. Ao abrir o cofre para levantar o dinheiro, descobre que desapareceu. Circunstâncias levam-no a desconfiar de Helena. Mas foi Úrsula a responsavel, e acaba por confessá-lo. Estácio sente-se torturado de remorsos e pede desculpa a Helena. Entretanto, a noiva de Estácio, que estava ausente numa longa viagem, regressa. Vem mudada. Traja calças e calça botas. Muito americanizada, diferente da menina dócil que partiu.
Alguém vê Helena e Salvador em gestos íntimos e corre a contar à fiel empregada, Xica. Esta vai ter com a rapariga e diz-lhe que já está a par do seu caso amoroso. Helena fica escandalizada e afirma se tratar de uma bela amizade. Os pais de Eugênia descobrem que ela está grávida e a mãe indica-lhe para seduzir Estácio o quanto antes, de modo a que este pense que o filho é dele. Entretanto Vicente, o melhor amigo de Estácio e eterno pretendente de Helena, descobre quem é Salvador e, num momento de embriaguez, revela a Estácio que conhece o segredo de Helena. Este vai ao quarto da irmã para lhe dizer que a casa da bandeira azul também lhe pertence e que pretende voltar a frequentá-la. Chateado, Estácio vai até à cabana e expulsa Salvador de lá. Helena confronta-o e diz que se ele fôr embora, ela vai junto. Esta tensão tortura-a, e a rapariga confessa ao padre a sua verdadeira relação com Salvador. Melchior fica espantado! Helena tenta novamente convencer Estácio de que a sua relação com Salvador não é carnal e este acredita. Quanto vai à cabana, Helena encontra um bilhete de Salvador a dizer que partiu. Isto deixa a rapariga deprimida, e Helena recusa-se a sair do quarto, pensando em regressar ao convento. No entanto, perante Xica, Salvador regressa e Helena, feliz, exclama: -"Pai!". Xica surpreende-se mas acaba por compreender como aquilo pode acontecer. Estácio percebe os enjôos de Eugênia e pergunta-lhe se está grávida. Por esta altura, os dois já se tinham envolvido sexualmente, o que faz Estácio suspeitar que vai ser pai. No entanto, confessa a Xica que seria o homem mais feliz do mundo se a sua noiva fosse Helena. No meio de mais peripécias, Estácio e Helena acabam por se envolver em mais beijos. Num desses, eles são vistos por Camargo, que fica escandalizado! E apartir daqui, faz chantagem com a rapariga.

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