Novidade

Este blogue mudou-se. Está agora no facebook. Um dia voltará a viver no blogger, numa casa nova e moderna. Até lá, boas novelas!
Para TODOS os fãs de telenovelas Brasileiras e Portuguesas espalhados pelo mundo.
Portuguese blog about Brasilian/Portuguese tv soaps for fans all over the world.

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domingo, 21 de outubro de 2007

Casamentos, são como chapéus!

Os casamentos, geralmente guardados para o fim, são o momento esperado por aqueles que seguem uma história e aguardam o desfecho feliz. Nas novelas, vários actores já se vestiram a preceito. Ora com fatiota de época, ora mais avan-guard, como a “Malu” de Mulheres de Areia, ou doidas como “Fernanda”, em Selva de Pedra, que tingiu seu vestido de negro. Uns mais que outros, mas é sempre divertido ver os fatitos. Ora, ao longo do tempo fui juntando imagens por tópicos. NOIVOS foi um deles. Apesar de metade já ter encontrado o caixote de lixo, outra metade se salvou deste insano momento, e como um blog não se presta a certas comodidades, deixo no Youtube um trecho destes momentos. Será actualizado há medida que outras imagens forem aparecendo. Divirtam-se!http://br.youtube.com/watch?v=9Mki7-YNA_I

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sábado, 20 de outubro de 2007

ARTISTAS EM PORTUGAL

Ao longo dos anos, muitos actores de telenovelas têm vindo a Portugal. Quando a SIC surgiu com a TV Globo como accionista, este intercâmbio tornou-se mais amiúde. Antes, vinham menos. Convidados para os carnavais, esperando patrocínios e convites de trabalho, que eram poucos, porque poucas eram as entidades. Por isso, a imprensa dava mais destaque a estas chegadas. Pouco mudou com o tempo, mas é certo que a SIC intensificou estes intercâmbios. E também a afluência de artistas portugueses para o Brasil, se tornou mais amiúde. Se é verdade que, por causa da abrangência de uma novela, o artista brasileiro está acostumado a fazer viagens de promoção e divulgação, que vão da China à Rússia, parece que Portugal é um destino especial, por partilhar a língua. Afinal, na China o Rubens de Falco e a Lucélia Santos, na Escrava Isaura, falam chinês. Na Rússia russo e por aí adiante. Com o aparecimento de dois canais de televisão privados, o meio audiovisual contorceu-se todo. Produtoras foram criadas, produtos, ideias viam um caminho a seguir. E fascinados que somos pelas novelas brasileiras, a SIC aproveitou o facto para trazer actores a Portugal. Trouxe o conceituado Tarcísio Meira e Cristiana Oliveira para promover "De Corpo e Alma", Christiane Torloni andou por cá e promoveu também novelas, como Renascer, e Irmãos Coragem foi promovida por Gabriela Duarte e Murílo Benício. Todos receberam muito destaque e grande pompa.

A verdade é que não nos cansamos nunca de novelas. Mesmo com a nossa produção finalmente a arrancar (muita dela com mão de obra especializada do Brasil). E mesmo isto, devemo-lo ás brasileiras. Porque foi o alargar do mercado que fez profissionais do outro lado querer experimentar trabalhar cá. Alguns vieram e foram, outros ficaram. Claro que quem fica, tem interesse em criar, em produzir. E quando a SIC ficou com o exclusivo das novelas da Globo, os outros dois canais ficaram histéricos. Falaram em deslealdade. Foram buscar novelas de outras emissoras brasileiras, mas não tiveram o resultado esperado. Era inútil combater uma novela da Globo com outra qualquer. Penso que aguardavam o final de um prazo mas, como este não ia acontecer, criaram juízo: ao invés de se lamentarem, puseram mãos há obra. E com directores como Atílio Ricó, calejado profissionalmente no Brasil, entre outros, portugueses e brasileiros, a produção portuguesa passou também, a ser amiúde.

http://http://br.youtube.com/watch?v=ExtK55j2aPw

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HOMENAGEM a NAIR BELLO


Nair Bello faleceu recentemente. Se foi após dois anos de frequentes complicações de saúde. Li algures que entrou em três paragens cardíacas em alturas diferentes. Ficou em coma, etc. Pergunto-me o que terá sentido, durante todo esse tempo. A morte é um assunto tabu. Não se fala dela, principalmente quando deixa de ser tão hipotética (na juventude) para próxima (na velhice). Gostava de ver este tabu a ser, pouco a pouco, deitado abaixo como pedaços do muro de Berlim.

Julgo que grande parte dos nossos tabus não são antigos como poderemos julgar. São bem recentes na sociedade. Este é um deles. A morte... tema tabu mas porquê? Porque não saber o que pensa e sente uma pessoa que se julga estar a morrer por velhice? Terá medo? Sentirá paz? Como lida com isso? Noutras sociedades, noutros tempos, acho que as pessoas não têm a percepção que a morte não assustava muitos. De outra forma, como poderiam os cavaleiros, os guerreiros, ir para o campo de batalha sabendo que estatísticamente não poderiam sobreviver a todas que teriam pela frente? Os egípcios acreditavam na vida após a morte. Logo, morrer era uma benção, mas de decisão divina. Esta ausência de temor, que os levava a arriscar a vida, não existe mais. Há poucas décadas atrás, não fazia mal cortar uma madeixa de cabelo de um morto. Hoje a ideia é considerada macabra. Assim como tirar retratos. Mas há pouco tempo, não era. Creio por isso, que a sociedade tornou-se mais fechada e preconceituosa em relação á sua mortalidade.

Mas vamos mudar para Nair Bello. Uma senhora- já a conheci senhora na telinha - de um talento e carisma extraordinário. Recentemente vi cenas da sua D. Jura, na novela Perigosas Peruas, e não deu para desgrudar do ecran. A ela associo essencialmente interpretações cómicas, muitas nas novelas de Lombardi. Tinha um jeito todo especial de conseguir brilhar neste género. A voz, não sei se rouca devido a tabaco, ajudava-a naturalmente a ter graça. Mas o resto era tudo mérito e talento seu. Sobre Nair, nunca nada soube, além do seu trabalho que vi na TV. É curioso como a imprensa e os paparazzi podem assediar tanto uns, ao ponto de passar os limites e serem invasivos, e outros, deixá-los estar. Acreditem, se eu fosse alvo de paparazzi, preferia pertencer ao segundo grupo. Mas me surpreende como grandes talentos não são nem alvo de matéria para reconhecer e divulgar seus trabalhos. A invasão da vida privada, a inserção de informações pessoais, a quem todos parecem estar inseridos hoje em dia, não apanhou Nair Bello. Constatei que não sei se alguma vez casou, se tinha filhos, ou se era solteira. (tirei as dúvidas e afinal casou e tem 4 filhotes). Espero que tenha sido feliz, porque certamente fez muitos felizes e gerações, além fronteiras, vão recordar-se por muito e muito tempo, de Nair e do talento que partilhou com tantos. Ela e tantos outros da sua geração, alguns dos quais com quem fez duetos de interpretação ímpares, continuarei a adorar ver na TV. Porque tanto talento, é um prazer de ver!

26.02.08

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

HELENA da Manchete


Tinha 13 anos quando vi esta novela. Desde miúda, com uns cinco ou seis anos, não conseguia compreender porquê outros miúdos como eu, mais velhos principalmente, se descabelavam por um artista qualquer. Tinha uma vizinha doida por Madonna. Tinha um vizinho apaixonado. E ambos eram gozados pelos adultos. Compreendo gostar-se de algo. Mas não compreendo este tipo de gostar. Quase fanático, sem reparar na realidade. Bastava ser Madonna e entravam em histeria de gritos e suspiros. Para mim aquilo não fazia sentido e, indignada com o aproveitamento que os adultos faziam dessa adoração para fazer troça, percebi que aquilo não ia acontecer comigo.

Quando Helena foi para o ar, uma coisa foi diferente. Pela primeira vez, aquele actor, sabem… que bonitinho! Bom, não era nada histérico, nem uma declarada paixão inflamada. Até porque mais tarde desconfiei que talvez fosse gay. Mas algo em Thales Pan Chacon, a sua voz e o seu ar e olhar de cachorrinho sofrido, tocou em botões ainda não tocados. E cá está: a primeira paixoneta por uma figura mediática. Não imaginam o quanto fiquei chateada com isso! Claro, mencionei a coisa lá em casa, e lá vieram as piadinhas. Era inveja.

A química no ecrãn entre os dois irmãos, deve ter ajudado. Tanto Thales, como Luciana Braga, que faz de Helena, conseguem, só com o olhar, passar muita energia. Há cenas de dar calafrios. Li algures, na altura, que ambos eram estreantes em Tv. Se assim foi, a crueza da falta de conhecimento do meio televisivo, não foi relevante.

Desta novela lembro que o nosso presidente da República de então, Mário Soares, fez uma visita ás gravações e lá estavam as fotos na revista. Mais tarde invejei-o! Lembro que na cena final da morte de Helena, existe uma falha, que mais tarde vim a descobrir que se designa por “racord”, ou seja: há uma falha de continuidade e de um plano para o outro as cenas chocam entre si. Foi com o cabelo de Helena. Depois de morta, entre um take e outro, conseguiu mudar de lugar e ficar composto no travesseiro! Lembro também que Helena me ensinou um conceito que desconhecia então, nos meus tenros 13 aninhos. Não sabia que podia existir um casamento póstumo. Tive de ler o resumo do final da novela na revista, porque as últimas cenas do último episódio, nunca as vi. E foi nesse resumo, que procurei saber a que casamento se referiam, se a noiva já estava morta. Investiguei e descobri, com surpresa, que se pode casar com um morto!

Ainda espero, hoje, que a novela volte a ser emitida em Portugal para que, décadas depois, possa ver como termina! É que tive de ir para escola. E apesar de poder contar com o auxílio da tecnologia, o videogravador, a pontualidade da única estação de televisão portuguesa existente na altura, era tão ruim que, mesmo dando todo o espaço na cassete, não cheguei a ver o final.

No outro dia, na escola, comentavam-se as últimas cenas. Alguns colegas meus faltaram para poder assistir. Deveria ter feito o mesmo, mas sofro deste mal de cumprir os deveres… ainda mais em dia de anos! O sucesso de Helena foi grande. Na época só existia uma estação de televisão pública, com dois canais. E o segundo, tinha muita fraca audiência. Foi neste que passou “Helena” (aliás, outras grandes novelas passaram na RTP2: Barriga de Aluguel, é outro exemplo). Este facto deve ser do conhecimento geral, para se poder enquadrar o sucesso de uma novela que fez meninos da escola faltar para assistir.

Helena trouxe outra benesse. Graças á história, fui procurar o livro. Queria saber como este tinha sido escrito por Machado de Assis. Como as novelas costumam incluir mais personagens, inventar mais histórias e englobar outras obras, gostei mais da novela que do livro. Embora não deixasse de gostar do livro. E isto para mim é o exemplo do lado benéfico de novelas, filmes e outras obras de arte retratadas em cinema ou televisão: produzem curiosidade e podem levar o espectador ao livro.

Até agora, também não sabia que outras pessoas achavam o TPC (como me referia a Thales Pan Chacon, fazendo o trocadilho por ser a abreviatura de trabalhos para casa- que tinha da escola) atraente. Uma casualidade deu-me essa percepção. Sim, mais outra pena… a doença que o levou. Ele e muitos outros que participaram nesta novela, faleceram pouco tempo depois: Yara Amaral, tragicamente afogada num muito divulgado caso de sobrelotagem de pessoas numa embarcação durante a celebração do ano novo (révellon), Isabel Ribeiro, a talentosa vilã Thomásia e Chiquinho Brandão, num acidente de viação. Sabemos lá nós o que nos calhará! (ou quando!).

Mas recordando coisas não tristes, não gostariam de rever Helena? E voltar a usufruir destas personagens, destas interpretações talentosas, e da tensão e energia sexual entre os dois irmãos? Ainda por cima, sendo uma novela de época, acho que vestido daquela maneira o TPC ficou ainda mais atraente. Ainda hoje, uma camisinha de espadachim num homem... enfim! Hã! Nada como ter tudo tapado e usar muita roupa! :)

Você viu ou lembra desta novela??
O que foi ela para si?
Deixo um trecho em: http://http://br.youtube.com/watch?v=E19rvzb6G7s

R*E*SU*M*O DA H*I*S*T*Ó*R*I*A:
O concelheiro do Vale morre. A leitura do testamento deixa todos em choque: o seu amigo Camargo, e sua única família: o filho Estácio e a irmã Úrsula. Afinal, o concelheiro tinha uma filha, que reconhece como legítima em testamento. Chama-se Helena. Esta vive num convento e é chamada pela família. Úrsula não a recebe bem, mas o irmão, Estácio, fica fascinado com a ideia de ter uma irmã.Quando Helena chega à fazenda, revela-se uma menina de muitos bons modos. Educada, acaba por conquistar o coração duro e moralista de Úrsula. Helena conquista o coração até do irmão. Mas de maneira completamente diferente. O amor é mútuo, e é carnal. Nenhum dos dois cede aos seus impulsos, mas torna-se cada vez mais difícil assumir esse comportamento. Estácio está noivo de Eugênia, a filha do Dr. Camargo, muito amigo da família. Este e a esposa têm pressa em casar os dois. Estácio é dono de toda a fortuna dos Do Vale, e por isso, os Camargo não vêm com bons olhos a novidade "Helena". A doçura da rapariga conquista o coração de todos e desperta interesses românticos. Para desespero e tortura de Estácio e da própria Helena. Ás tantas, percebe-se que a rapariga esconde algo. Será que ela não é o que aparenta ser?

Estácio está noivo mas mantêm um romance com uma espanhola. Os seus encontros dão-se numa cabana abandonada no meio da floresta. É por essa cabana que também Helena começa a passear e a ter encontros misteriosos.Os dois irmãos começam a discutir, basicamente porque a atracção que sentem um pelo outro é cada vez maior e não sabem como a irradicar. Numa ocasião, Estácio bebe mais que a medida, acaba bêbado, no colo de Helena, e beija-a. A rapariga dá-lhe um estalo.
A partir daqui os dois vão andar tensos. O segundo beijo acaba por acontecer e é presenciado por Úrsula. Espantada, manda chamar o padre Melchior, e avisa os sobrinhos de que assistiu à cena de afecto. Helena e Estácio sentem-se torturados e o sentimento de culpa os invade. Helena sai de casa para ir até a casa da bandeira azul (http://br.youtube.com/watch?v=aWDP1UVU13g), a tal cabana abandonada e Estácio, desconfiado, segue-a. Ao chegar a casa, Helena encontra as malas feitas e interpreta o gesto como uma expulção. Ela passa a viver na casa da amiga Joana. Estácio pergunta-lhe quem mora na cabana azul, mas Helena pede-lhe para não falarem disso. A partir daqui Estácio está obcecado, e tenta por todos os meios saber com quem Helena se encontra na cabana. O indivíduo misterioso chama-se Salvador, um homem de cabelo grisalho, a quem Helena pede que desapareça antes que Estácio o encontre. Para colmatar, Estácio decide afastar-se numa longa viagem. Ao abrir o cofre para levantar o dinheiro, descobre que desapareceu. Circunstâncias levam-no a desconfiar de Helena. Mas foi Úrsula a responsavel, e acaba por confessá-lo. Estácio sente-se torturado de remorsos e pede desculpa a Helena. Entretanto, a noiva de Estácio, que estava ausente numa longa viagem, regressa. Vem mudada. Traja calças e calça botas. Muito americanizada, diferente da menina dócil que partiu.
Alguém vê Helena e Salvador em gestos íntimos e corre a contar à fiel empregada, Xica. Esta vai ter com a rapariga e diz-lhe que já está a par do seu caso amoroso. Helena fica escandalizada e afirma se tratar de uma bela amizade. Os pais de Eugênia descobrem que ela está grávida e a mãe indica-lhe para seduzir Estácio o quanto antes, de modo a que este pense que o filho é dele. Entretanto Vicente, o melhor amigo de Estácio e eterno pretendente de Helena, descobre quem é Salvador e, num momento de embriaguez, revela a Estácio que conhece o segredo de Helena. Este vai ao quarto da irmã para lhe dizer que a casa da bandeira azul também lhe pertence e que pretende voltar a frequentá-la. Chateado, Estácio vai até à cabana e expulsa Salvador de lá. Helena confronta-o e diz que se ele fôr embora, ela vai junto. Esta tensão tortura-a, e a rapariga confessa ao padre a sua verdadeira relação com Salvador. Melchior fica espantado! Helena tenta novamente convencer Estácio de que a sua relação com Salvador não é carnal e este acredita. Quanto vai à cabana, Helena encontra um bilhete de Salvador a dizer que partiu. Isto deixa a rapariga deprimida, e Helena recusa-se a sair do quarto, pensando em regressar ao convento. No entanto, perante Xica, Salvador regressa e Helena, feliz, exclama: -"Pai!". Xica surpreende-se mas acaba por compreender como aquilo pode acontecer. Estácio percebe os enjôos de Eugênia e pergunta-lhe se está grávida. Por esta altura, os dois já se tinham envolvido sexualmente, o que faz Estácio suspeitar que vai ser pai. No entanto, confessa a Xica que seria o homem mais feliz do mundo se a sua noiva fosse Helena. No meio de mais peripécias, Estácio e Helena acabam por se envolver em mais beijos. Num desses, eles são vistos por Camargo, que fica escandalizado! E apartir daqui, faz chantagem com a rapariga.

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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

NOVELAS DE ÉPOCA

Estão entre as minhas favoritas. Uma novela de época presta-se a tantas delícias! A críticas sociais, a paralelos com a sociedade contemporânea, a histórias de amor limitadas pela lei social da época. Além disso, os figurinos são deliciosos e existem mais cavalheiros que o habitual. :)

A última que vi e adorei, foi Força de um Desejo. Li algures que no Brasil, esta teve pouca aceitação. Mais uma vez, em Portugal não foi assim. A novela é, de facto, muito bem feita. Até consegui levar com a Malu Mader como protagonista principal. Tem uma vilã deliciosa na Nathália Thimberg, á qual depois se juntou a angelical Alice (Lavínia Vlasak).

Entre figuridos de tirar o fôlego, a nota negativa vai para a personagem de Cláudia Abreu. Uma fantochada pouco credível, engraçada até um ponto depois ridícula. Interpretei o desenvolvimento desta personagem e a inserção dela na trama como pastilha elástica. Só servia para estender, estender, estender a trama.

Excelentes interpretações de tantos e tantos actores. Começo por Paulo Betti, passo para Reginaldo Faria, um lord muito interessante, o seu filho Selton de Mello, etc, etc... impossível mencionar todos, cada um a seu nível de importância na trama.

Fascinação, da SBT, foi outra das últimas novelas de época que assisti. Também apanhou a minha atenção e a manteve cativa. O que até é um tanto estranho porque, é daqueles produtos que, nem tudo tem um nível de qualidade igual, e no entanto, tem tanta fruta! Algumas interpretações estavam ainda muito cruas. Heitor Martinez, que a meu ver já mostrou ter muito talento em novelas posteriores, andou aqui na corda bamba. Mas decerto, saiu vencedor. Outros bons actores que devem andar mais pelo teatro e pouco aparecem na telinha, também deram aqui o seu talento para o espectador usufruir. Foi o caso de Glauce Graieb, a mãe vilã desta histórica dramática de amor entre jovens. Mariana Ximenes despertou minha atenção pela sua candura, pela beleza e cabelos ruívos. Transitou depois para a Globo, mas o potêncial que vi aqui ainda não foi atingido.

Na globo há um estilo de interpretação-padrão. Muitos fazem sempre o mesmo, em novelas diferentes. A direcção é a mesma, as mesmas falas são ditas da mesma maneira com os mesmos planos e lá com a musiquinha de fundo... enfim. Há um standard, uma fórmula segura, que se segue, garante o sucesso, mas não traz nada de novo. Alguns actores aderem. A carga horária é tramada, as cenas puxadas, porque não? - Bom, mas este assunto é para outro tópico.

Nesta novela, lembro das falas dos pais de Clara (Regiane Alves) quando a sabem grávida e solteira. A sua reação, mais a da comunidade, é muito forte e marcante. Retrata bem os valores da altura. Clara é apedrajada e corrida à pedrada! (http://br.youtube.com/watch?v=WejdJ4Yp5lM) Rejeitada por todos, ao ponto de lhe virarem as costas, não caminharem no mesmo passeio e de não lhe dirigirem a palavra. É forte! Lembro também de uma conversa "trivial", em que duas personagens riem da possibilidade de São Paulo virar uma cidade grande e se prestam a dar a perspectiva geografica de então. Adoro quando se fazem trocadilhos! http://br.youtube.com/watch?v=IPAZb8Mu-uc

Outra grande novela de época que me deliciou, foi Direito de Amar. De início, nem muito, acho. Era criança quando a vi. Foi só uma única vez mas lembro perfeitamente, que a novela cativou toda a gente. Adultos e crianças. Mesmo os meninos que mais facilmente admitem gostar de futebol que de novela! Há partes muito interessantes. E apesar de já terem passado quase duas décadas desde que foi exibida, uma única vez aqui em Portugal, lá me marcou, caso contrário não me lembraria agora dela. Ítala Nandi, essa não me agradou tanto. Talvez fosse a personagem. Talvez fosse a voz estridente e a dramatização estérica. Ás tantas, meiguinha, ás vezes ia mas, no geral No-no. Não me convenceu.

Vi pouco do trabalho de Lauro Corona. Aliás, todos viram, pois morreu jovem, assim como muitos outros que se seguiram, em que a causa de morte apontada era a "temível" a praticamente "imencionável" SIDA (ou AIDS como se diz no Brasil e América). Provavelmente, muitos outros, antes e depois, se foram levados por esta assustadora doença fatal. Desconfiava-se sempre de causas de óbito "causa desconhecida", "complicações diversas" e "pneumonia". Isto porque, normalmente se morria destas doenças, mas só porque eram derivadas da AIDS.

Lauro parecia a meu ver, ser um indivíduo talentoso. Lá bem parecido, era. Também me parecia sensível, tímido, educado... é uma pena, mesmo. Mas mais que não seja, ele, foi o primeiro finado a não esconder o seu calvário. Depois da morte, pelo menos, a causa não foi escondida. Tornando-se uns dos poucos da altura. Tratava-se de uma década complicada. De muita descriminação e desconhecimento. A ignorância carrega o medo, e poucos podiam se sentir confortáveis sabendo que estavam perante um indivíduo com esta doença, e não haviam certezas quanto há forma de contágio. Sendo que um espirro, ou um aperto de mão, desde que a pessoa tenha uma pequena ferida, podiam conduzir ao contágio. O medo é legítimo, não se pode censurar. Mas mais estudos e conhecimento vieram a dissipar o medo das pessoas. Porém, na altura do seu falecimento, isto ainda não era bem assim. Ademais, ainda se ligava muito a doença há homossexualidade. E, na minha opinião, tal como hoje, continua-se a não se assumir claramente que se é homessexual no meio artístico. Estranho? Não! Reparem: os galãs de novelas, os galãs de filmes de Hollywood... deixariam de ter papéis por assumirem ser gay? Na minha opinião, não. Afinal, a ficção é ficção e a fantasia viaja na mesma, independentemente de sabermos se aquela pessoa é ou não gay. Ainda assim, cantores, actores e apresentadores de TV bastante populares, ainda simulam romances e fogem de esguia a perguntas sobre a sua intimidade, para não dizer com todas as letras: Não! Sou gay, e tenho um companheiro com quem vivo há 10 anos!. E continuam a responder á pergunta: Tem alguma namorada? "De momento não". Ou então, quando desejam filhos, dizem: "ainda não encontrei uma mulher e talvez gostasse de encontrar uma só para me dar um filho". Enfim, ainda existe tanta coisa defeituosa na nossa sociedade que, o retrato desta mesma sociedade há uns séculos atrás proporciona um confronto interessante de ideias. Pode dizer-se muita coisa hoje, mostrando o "ontem".

Caro leitor deste blog (ainda não conheci nenhum! :) ). Qual a sua novela de época preferida? Qual me esqueci de mencionar?

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quinta-feira, 4 de outubro de 2007

COMÉDIAS de Carlos Lombardi

A COMÉDIA DRAMÁTICA (recepção em Portugal)

Devo confessar que sou fã do estilo de Carlos Lombardi. As suas comédias estão repletas de drama, de novelos e novelos de emoção, que os bonzinhos escondem entre sorrisos, boa disposição e flirts, e os mauzinhos em mau-humor e frustração sexual. Há sempre muito choro e tristeza, no meio de tanto riso. Alguém é capaz de dizer os nomes de outras novelas de comédia que fazem constantemente chorar? Tanto ao que sei, no Brasil este autor foi sempre alvo de muitas críticas negativas e há sempre um punhado de actores a se queixarem das suas personagens. Pelo menos é essa a ideia que passa aqui em Portugal.

Mas para quem não conhece as novelas em que Carlos Lombardi participa como autor, eis a lista:

1) Guerra dos Sexos (83/84)
2) Vereda Tropical (84/85)
3) Bebé a Bordo (88/89)
4) Perigosas Peruas (1992)
5) Quatro por Quatro (1994)
6) Vira Lata (1996)
7) Uga-Uga (2000/2001)
8) 5º dos Infernos
9) Kubanacan (2003)
10) Bang-Bang (2005/6)
11) Pé na Jaca (2007)

VAMOS A ELAS! (ás novelas e como foram recebidas em Portugal)

Nem sei por onde começar… há nestas novelas tantas personagens memoráveis e actuações sublimes! É que não é fácil fazer comédia. Devo dizer que muitas vezes um actor mostra “tudo o que tem” ao encarar uma personagem destas.

Vou começar por aquele que foi apontado como o primeiro claro insucesso: Vira-Lata.
Em Portugal, a novela fez sucesso. Não um sucessozinho, mas sucesso ao ponto de ser mudada de horário três vezes, para conduzir a audiência que estava a receber, para os horários onde a queriam. (não é de admirar pois, levados pela recepção que a novela teve no Brasil, os responsáveis pela programação adiaram a exibição da novela e decidiram “atirá-la” para os fins-de-semana sem olhar para o produto que tinham em mãos). Assim sendo, acabou por ficar como uma novela da hora de almoço.

Já aqui falei do preconceito de que a novela brasileira sempre foi alvo em Portugal. Apesar da popularidade que alcançavam, não “ficava bem” admitir que se via tal produto em televisão. É preciso entender onde estava Portugal nessa altura. O país tinha ainda muita estrada para percorrer. A maioria da população habituara-se a ter apenas um canal de televisão. Haviam dois, públicos. Mas sem se entender bem porquê, a maioria não sintonizava o segundo. Pouquíssimas pessoas tinham acesso a canais estrangeiros através da parabólica. Os canais privados tinham por estas razões, tudo para dar certo. O que acabou por acontecer. E aos poucos, as mudanças fizeram-se sentir. Subitamente, os televisores tinham de estar equipados com comando remoto, pois já fazia falta! No entanto, em muitos locais e por alguns anos, apenas por uma questão de hábito, as pessoas continuavam a dizer que só viam o mesmo canal de sempre. Mas não era verdade. O primeiro canal generalista privado (SIC) foi à TV Globo buscar inspiração e formação técnica ( a Globo era accionista do canal e Hans Donner responsável pela imagem e logotipo) e conseguiu, em pouco tempo, ter o exclusivo sob as novelas e produtos da Globo (o uso que lhe deram veio a ser um erro). E era aqui, apenas quatro anos após a chegada do primeiro canal privado a Portugal, que se situava VIRA-LATA.

Sob este preconceito e enquadramento social, muitos continuavam a dizer que não viam nem gostavam de telenovelas (as portuguesas começaram a sair do estágio embrionário um punhado de anos após a chegada das televisões privadas). Comecei a entender que a novela agradava não só a mim, mas a outras pessoas também, que escreviam para as revistas a fazer perguntas e a criticar as mudanças de horário. Nunca hei de esquecer que vivia na altura com uma pessoa um tanto snob, daquelas que dizia não ver novelas. Mas assistiu comigo todos os episódios, e surpreendia-a muitas vezes, completamente envolvida, a ver a novela na minha ausência. Também fazia muitas perguntas sobre as personagens e queria saber o que se tinha passado desde a última cena que vira. Quando o episódio era gravado e já tinha sido visto, voltava a pô-lo no ar para ela o poder ver. Outras pessoas conheci, que também só viam novelas “de vez em quando”. Calhava eu fazer uma visita a seguir ao almoço, e apanhava-as sempre a ver as três ou quatro novelas brasileiras que davam seguidas, das 13.00 até ás 16.00 ou 17.00 horas!

Não há como compreender o preconceito mas que sempre esteve presente, esteve. Todos as viam, pouquíssimos se sentiam há vontade para o admitir. Penso que tal se devia porque supostamente, só donas de casa deviam ver novelas e também porque eram consideradas um "produto menor", visto por pessoas simplórias ou ignorantes. Ninguém queria se associar a esta imagem. (parece absurdo, mas assim foi!) Mesmo quando já se dizia que a novela era um produto que alcançava todos os "escalões" sociais e agradava ás massas, nunca deixou de ser vítima de preconceito e ignorância.

Em Vira-Lata temos interpretações fantásticas. Déborah Secco tem um papel interessante como Maria-rapaz que acaba por despertar para a feminilidade. Maria Zilda fez-me rir muito. Mário Gomes, e claro, Nair Belo, soberba! Além de muitos outros, grandes e pequenas personagens. Carolina Dieckman começou a “cair-me no goto”, pois até então pela televisão parecia ter um ar arrogante, mesmo aquando se estreou em Tropicaliente. Contudo, penso que foi com “Vira-Lata”, novela onde a sua personagem acabou por tomar muita importância na trama, que teve a oportunidade de se mostrar mais como actriz.

O rol de interpretações a mencionar é interminável. Compreendo porquê são as novelas de Lombardi alvo de muitas críticas depreciativas. Muitos têm dificuldade em agarrar a trama e o drama das personagens por entre tantas histórias e situações, onde a exposição do físico e as situações de cariz sexual parecem estar em exagero. Mas é um estilo. Como todos, sujeito a desgaste e devo confessar que as últimas tramas desde Uga-Uga, já não tiveram em mim qualquer capacidade de agarrar o meu interesse. Mas também, quase todas as novelas globais deixaram de ter esse poder por essa altura. Muito do mesmo?

Quinto dos Infernos foi outra mini-série que recebeu más críticas e demorou (muito) a estrear em Portugal. Quando finalmente estreou, foi um sucesso.

Não digo que da parte de historiadores não tenha afligido sensibilidades mas no geral, o povo português não se sentiu ofendido (como li algures) ou prejudicado pelo retrato das personagens. Ao invés disso, divertiu-se. É preciso saber que, tal como Bang-Bang, esta mini-série foi para o ar a horas tardíssimas, começando muitas vezes depois da meia-noite, ás vezes, uma e meia da manhã. Mas este sempre foi um horário com público, que gosta deste estilo de comédia. A começar há 1 da manhã ou ás 3 (acontece com mais frequência) as séries brasileiras, tais como “Na rede de Intrigas” receberam sempre a atenção de algum público e de alguma crítica.

De resto, as comédias dramáticas de Carlos Lombardi, como “Quatro por Quatro” fizeram sempre sucesso. Exibidas mais tarde em Portugal, Bebé a Bordo e Perigosas Peruas fizeram delícias. O humor já característico mas com uma direcção, cenários e iluminação menos “standard” (que o início do século trouxe a todos os produtos Globo), foi uma lufada de frescura. Maravilhosas interpretações, personagens e situações.

Ninguém esquece as “coelhadas” de Rei e Reizinho (Bebé a Bordo), nem o drama que estes viviam com o pai (brilhantemente interpretado por Sebastião Vasconcelos). Tony Ramos é um delicioso problemático, que tem cenas memoráveis com a família: a esposa Inês Galvão e o filho gorduchinho que só fazia comer. Carla Marins interpreta uma menina muito, mas muito estúpida, mas que afinal, não é tão burra assim e tem os seus sentimentos feridos pela indiferença dos pais. E Sílvia Bandeira, a mãe também “supostamente” burra, tem uma interpretação divinal. Enfim: um rol e rol de boas personagens e bons actores que, confortáveis ou não com as exigências dos papéis dramático/cómicos, contribuíram para momentos divertidos.

Em Perigosas Peruas a situação repete-se, embora as personagens sejam diferentes. Temos Nair Belo excelente no papel de mãe de Mário Gomes, o “galinha” Belo, casado com Vera Fisher mas com o antigo amor Sílvia Pheifer também debaixo de olho. E o dramalhão desta não poder ter mais filhos, após lhe morrer a filha que esperava de “Belo”. A surpresa é que, afinal, a filha nunca morreu e Belo é o responsável. Sempre um belo dramalhão no meio de comédia! Além de contar ainda com a história de uma família de mafiosos, e de um trio de polícias “gostosãos”, cada qual com os seus problemas pessoais além dos que enfrentam no emprego.

A terminar esta série de referências ás novelas de comédia/drama de Carlos Lombardi, o início, quando colaborou e foi co-autor de duas novelas de Sílvio de Abreu: Guerra dos Sexos e Vereda Tropical. Era uma criança quando estas passaram em Portugal, mas lembro bem delas, porque logo deixaram a sua marca. Rir é o melhor remédio e talvez por isso, a predilecção por comédias. Guerra dos Sexos foi um êxito de Sílvio de Abreu e foi muito bem recebida no ano de 1985, quando terminou em Portugal. “Vereda Tropical” foi também muito bem recebida, e até hoje é fácil lembrar aquele emblema do sol com a gaivota.

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