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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Novelas e audiências: as causas da mudança

Muitas telenovelas da Globo não recebem as audiências esperadas e são de extrema qualidade. Parece que qualidade não atrái mais grande parte do público. Ou será que grande parte do público é que não aprecia qualidade?

É capaz de ser por aqui - sem querer ofender ninguém. Tenho ficado surpresa ao longo do tempo com o chamado feed-back da recepção das novelas pelo público. Uma das coisas que constato (e já aqui falei disso) é que o que lá faz um estrondoso sucesso, ás vezes aqui é mediano e o que lá é fracasso é o que aqui mais gosto de ver. Mas tudo está a mudar.

Em ambos os países é dito que as audiências de Ciranda de Pedra são as menores de sempre. A novela tem qualidade. Então, o que está mal?

Se calhar, é o público que mudou. Aquele que aprecia um certo nível de qualidade ficou em minoria. Não me levem a mal mas novela é um veículo social de estudo demasiado interessante para deixar de fazer estas interpretações. E elas são:

Aumentou o número de público com baixa formação e escolaridade.

Num documentário sobre telenovelas brasileiras, um conhecido director afirma que antigamente a camada da população muito pobre não tinha acesso à televisão ou havia apenas um aparelho por lar. Mas isso mudou. Os aparelhos multiplicaram-se e hoje, a camada pobre e pouco formada tem acesso ás novelas tal e qual como outro cidadão qualquer. O público aumentou consideravelmente, mas não o seu nível de formação.

Esta é mais uma interessante mudança social promovida pelas novelas. Um número maior de público que gosta de enredos simples, situações clichés com as quais se possam identificar mais facilmente, do que com o glamour, sofisticação e riqueza de que estão mais distanciados. Ainda mais quando tudo isto vem «embalado» numa novela de época. A maioria não aprecia e prefere algo mais «pé no chão».


Não deixa de ser bastante triste. Porque esta nova mudança social vem a evidenciar uma realidade triste e desapontante: a falta de formação e o aumento das diferenças entre as classes. As novelas de hoje prestam-se como «medidores» desta realidade. Coisas muito ruíns são apreciadas por essa «massa» que é a audiência (Ibobe). Devia servir de alarme. Isto atinge um nervo que me é particularmente sensível. A EDUCAÇÃO. Como alguém que acredita que só a educação pode conduzir a humanidade a um mundo melhor, este novo «fenómeno» social do qual as novelas são um termómetro, vem a revelar uma realidade feia.


Antigamente as novelas eram consideradas um produto menor e sofriam desse preconceito. A maioria das pessoas não admitiam ver e gozavam com quem disesse que via. Dava-se demasiada importância à mediocridade alheia! Aí Portugal abriu-se à produção, a novos canais televisivos e, aos poucos, a população sentiu que não havia mais problemas em admitir que gosta de ver novelas, tanto ou mais que o «intelectualmente aceitável» Telejornal.

Foram dois fenómenos sociais distintos. Estamos a atravessar mais um. A novela é um produto que agrada as massas e todos têm acesso a ela. O problema é que a maioria do povo deste planeta vive mal ou na miséria. Não tem muita instrução. Aumenta a criminalidade, a violência, nas escolas os alunos não mais têm respeito pelos professores que são violentamente agredidos e em casa os país se demitem do papel de educadores. Todos os males da sociedade têm repercursão nas novelas. No chamado «Ibobe». Ou seja: as audiências.

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sábado, 19 de abril de 2008

GABRIELA


A primeira novela a passar em Portugal fez muito sucesso porque veio ao encontro de uma sociedade portuguesa a desabrochar na desconhecida Liberdade. Estávamos no ano de 1977. Portugal tinha saído do regime fascista em 1974 e “Gabriela” chegou neste período em que tudo estava a querer mudar nos lares dos portugueses e na sociedade em geral.

A maior surpresa de “Gabriela” foi mostrar as personagens femininas tão emancipadas, sexuais e liberais. Agradou aos homens e ás mulheres, surpresas por haver quem pudesse viver a sua feminilidade de uma forma mais assumida. Logo neste instante nasceu o mito da “mulher brasileira fogosa”.

Visualizar tal à-vontade, com pessoas a acariciarem-se e a beijarem-se na televisão – coisa que sempre fora proibida durante o fascismo, abalou o público. Alguns percebiam coisas pela primeira vez, outros tomaram decisões de mudança. As mulheres quiseram a sua segunda liberdade: a de 1974 e a da Gabriela.

Na maioria dos lares, à mulher continuava a ser exigida uma certa postura e cumprimento de obrigações. Foi então que começaram a aparecer jovens vestidas e penteadas como as personagens e as mulheres casadas também começaram a pensar em mudanças. Como sempre, uns preocupavam-se com os efeitos perniciosos de tais conteúdos exibidos em televisão e temia-se pela integridade e moral dos mais jovens.

Não deixa de existir uma lógica fundamentada neste receio. Gabriela “mudou” mesmo a sociedade portuguesa. Ou melhor: foi a pioneira de uma série de outras que se seguiram para facilitar as mudanças sociais que se adivinhavam no período pós-liberdade. A primeira mudança a se notar foi na linguagem. Depressa expressões brasileiras ganharam terreno no linguarejar. Era divertido, uma brincadeira e acabou por se enraizar. Hoje todos nós as incluímos corriqueiramente no falar e nem nos damos conta ou delas temos consciência. Já Eça criticava que Portugal era dado a estrangeirismos e se calhar, nesse aspecto, somos realmente abertos a mudanças.

Era muito nova para me lembrar de “Gabriela”. A novela voltou a ser exibida pela SIC há poucos anos, porém não a acompanhei. Hoje tenho pena. Acho que deviam re-exibir todas as “velhas” novelas. Faço aqui o apelo à SIC. Existe um público hávido, principalmente o que então era muito novo e hoje é composto por jovens adultos. É um produto que ainda pode puxar audiência. Se for escolhido um bom horário, como o da madrugada, pode surpreender.

É dito que o último episódio de “Gabriela” em Portugal, fez parar o país. Os deputados da assembleia da República terminaram a sessão mais cedo, justificando que queriam estar em casa a tempo de ver o último episódio. É também dito que o silêncio reinava nas ruas e nas casas só se via a luz trepidante da televisão, homogénea de janela em janela. Por fim, um som invadiu os lares portugueses assim que a palavra “FIM” abandonou o ecran. O som dos autoclismos! *

Deve ter sido mesmo assim e o fenómeno repetiu-se quase à escala noutras ocasiões, com outras telenovelas brasileiras ao longo da década de 80 e até 90. Agora nenhuma pode causar tal impacto, pois massificaram-se e o próprio país começou a produzir com regularidade as suas. Por isso mesmo é que seria bom rever as mais marcantes para a sociedade Portuguesa.



*(Aqui não houve assimilação da expressão estrangeira porém, qualquer português conhece a palavra brasileira para o acto de ir à casa-de-banho puxar o autoclismo: é o mesmo que dizer: “ir à privada dar a descarga!”)


FACTOS:
Data de Estreia em Portugal: 16 de Maio de 1977
Re-exibição em: 1978 , 1983, 1999(?)

um link: http://www.bocc.ubi.pt/pag/cunha-isabel-ferin-revolucao-gabriela.pdf

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